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Por que as mulheres insistem em namorar babacas

Ana Carolina Prado 15 de maio de 2012

Taí uma pesquisa que responde uma das grandes questões da humanidade: por que diabos as mulheres insistem em se envolver com bad boys (ou babacas ou boys lixo ou qualquer que seja a sua definição preferida para esse tipo de homem que é bonitão e cafajeste). E não estamos falando só em atração: que a gente geralmente acha esse tipo sexy, todo mundo já sabe e eu até já escrevi a respeito. O que pesquisadores da Universidade do Texas quiseram entender foi por que algumas de nós insistimos em transformar essa atração em um relacionamento de longa duração, mesmo sabendo que a chance de isso ser uma barca furada é enorme.

A resposta, segundo o estudo, está nos hormônios femininos e na bagunça que eles provocam na capacidade de julgamento das mulheres. Durante o período de ovulação, esses hormônios acabam influenciando a sua visão do que é um bom parceiro em potencial: elas passam a preferir os homens mais bonitos e sensuais e dar menos importância a fatores como a confiabilidade. (Dá para entender o porquê: homens lindos têm mais chances de gerar descendentes lindos, né?)

Os experimentos

Para chegar a essa conclusão (que está publicada no Journal of Personality and Social Psychology), os pesquisadores mostraram a mulheres perfis de sites de namoro de homens do tipo mais sexy e cafajeste e do tipo mais confiável (o que provavelmente significava que eram bonzinhos, mas não providos de tanto sex appeal). Elas tiveram que avaliá-los durante períodos de fertilidade alta e baixa e dizer, em cada uma dessas ocasiões, como achavam que eles se sairiam como pais caso tivessem um filho juntos.

Resultado: quando as voluntárias estavam sob a influência dos hormônios da ovulação, elas achavam que o homem mais sexy contribuiria mais para tarefas domésticas como cuidar do bebê, comprar alimentos e cozinhar. Segundo Kristina Durante, uma das autoras, nesse período “as mulheres se iludem em pensar que os bad boys se tornarão parceiros dedicados e pais melhores. Ao olhar para eles através dos ‘óculos da ovulação’, o Sr. Errado vira o Sr. Certo”.

Em um segundo teste, as coisas ficam mais interessantes (para as voluntárias): elas tiveram que interagir pessoalmente com atores do sexo masculino que fizeram os papéis de cafajeste sexy e pai confiável. Isso também aconteceu duas vezes, uma durante seu período de ovulação e outro durante baixa fertilidade. E de novo as mulheres na primeira condição acharam que o bad boy (e não o PAI confiável) contribuiria mais para o acolhimento de uma criança.

Mas olha o truque desses hormônios para empurrar as mulheres para os braços do boy lixo: a ilusão do bom pai só vale para a hipótese de eles terem um filho com elas, não com outra mulher. Quando tinham de responder que tipo de pai um homem assim seria caso tivessem um filho com outra pessoa, elas eram rápidas em apontar os seus possíveis defeitos. No entanto, caso elas próprias fossem a mãe, a coisa mudava de figura e os bad boys viravam um ótimo pai para seus filhos.

Então ficam as lições do dia:

1-      Mulheres, fujam do boy lixo quando estiverem no período fértil se não querem correr o risco de se apaixonar e querer ter filhos com ele.

2-      Mas não fiquem desesperadas se acharem que estão apaixonadas por um desses: vai ver é só coisa de hormônios

3-      Boys lixo, agora vocês já sabem quando o seu poder sobre as mulheres fica maior. Mas atentem para os riscos.

Antes que comecem reclamações por aqui, deixemos claro que a ideia não é promover nenhum tipo de preconceito contra ninguém (até porque a própria ciência está aí para provar que a gente gosta e tal – e somos fãs do Barney Stinson, personagem de “How I Met Your Mother” que representa muito bem o tipo cafajeste). Como bem disse a pesquisadora Kristina Durante, boy lixo ou não, “nunca dá para saber quando o cara é o certo para nós“.

 

(Via Live Science)


Ciúme e inveja no trabalho são diferentes em homens e mulheres

Ana Carolina Prado 8 de maio de 2012

Não tem jeito: ciúme e inveja são coisas que podem atingir tanto homens quanto mulheres – inclusive no ambiente de trabalho. Mas um estudo realizado por pesquisadores das Universidades de Valência (Espanha), Groningen (Holanda) e Palermo (Argentina) sugere que, na firma, essas questões envolvem algumas diferenças de gênero.

Por exemplo, as mulheres são mais afetadas pela competição sexual do que os homens. Já as habilidades sociais dos colegas podem provocar ciúme e inveja profissional igualmente em ambos os sexos.

“Mulheres com alto nível de competição intrassexual [ou seja, a concorrência com outras pessoas do mesmo sexo, causada pelo desejo de obter e manter o acesso ao sexo oposto] são mais ciumentas se a rival for mais atraente e mais invejosas se a rival é mais poderosa e dominadora”, afirmou Rosario Zurriaga, da Universidade de Valência. “Esse resultado mostra a importância das habilidades sociais em ambientes de trabalho”, completa.

Para entender a diferença entre os dois sentimentos, o estudo definiu assim: o ciúme é o que vem quando um relacionamento está ameaçado devido à interferência de um rival. Já a inveja foi considerada uma resposta ao sucesso, qualidades ou habilidades de outra pessoa – e envolve que você se compare com ela e deseje ter os seus atributos.

“A inveja e o ciúme podem causar estresse e afetar negativamente a qualidade de vida dos profissionais”, afirma Zurriaga.

Como evitar isso? Segundo os pesquisadores, é necessário que as pessoas modifiquem sua percepção de perda, ameaça e comparação com os outros. Tarefa nada fácil.

Metodologia

A rivalidade intrassexual foi analisada por meio de questionários distribuídos diretamente para 200 indivíduos (100 homens e 100 mulheres) em suas estações de trabalho. Do total, 26% dos voluntários trabalhavam na área de administração, 21% no setor de serviços, 30% na educação e o restante em saúde e outras profissões. A idade média era de 36 anos e eles estavam há 11 em seu trabalho.

“Este é um dos primeiros estudos a analisar as características de rivalidade no ambiente de trabalho e pode contribuir para uma melhor compreensão dos conflitos e problemas que podem ocorrer nessas relações”, concluem os autores no estudo, que foi publicado na “Revista de Psicología Social”.

(Via Medical Xpress)


Por que a promessa de encontrar o “par perfeito” em serviços online de encontros não funciona

Ana Carolina Prado 27 de abril de 2012

Serviços online de encontros estão bombando por aí. Nos Estados Unidos, sites que prometem encontrar seu par ideal fazem sucesso e são uma alternativa para quem não tem muitas oportunidades de conhecer gente nova.

Mas um estudo publicado no jornal Psychological Science in the Public Interest (e disponível aqui), feito por uma equipe de pesquisadores de cinco universidades, concluiu que a maioria desses sites se baseia em algoritmos pouco certeiros para encontrar tais “pares perfeitos”.

Segundo eles, esses algoritmos deixam passar variáveis importantíssimas para relacionamentos de longa duração. Para começar, eles fazem as combinações antes de as pessoas se encontrarem. Estudos mostraram que os fatores mais fortes para se predizer relacionamentos sólidos são suas  interações ao vivo e a habilidade de cada um para lidar com o stress.

Pesquisadores defendem que dados como gostos, características de personalidade e atitudes, acredite, não podem predizer bem como a interação na vida real vai funcionar. Ou seja, não é porque aquela pessoa é tão fã de Game of Thrones, New Girl, Family Guy, histórias em quadrinhos e bacon como você que foram necessariamente feitos um para o outro.

É por isso que tais sites levam a muitos encontros mal-sucedidos, enquanto outros com o potencial de serem ótimos podem nunca acontecer apenas porque, para o algoritmo usado, as personalidades seriam incompatíveis.

Outro problema é o excesso de opções. Muitas vezes, o usuário recebe um amplo leque de possibilidades e sai para vários encontros diferentes. Segundo o estudo, isso “pode levar a decisões preguiçosas e imprudentes” e até prejudicar a disposição da pessoa em se comprometer com um pretendente só.

Os cientistas concordam, no entanto, que esses serviços podem ajudar os usuários a conhecer gente nova mais rapidamente, o que aumenta suas chances de encontrar a pessoa certa. Mas é estatística, não psicologia.

- Matéria relacionada:

Como ajudar o cérebro a tomar melhores decisões


Está se sentindo sem tempo? Talvez o problema esteja no excesso de tempo livre

Ana Carolina Prado 24 de abril de 2012

Você vive reclamando que a sua vida está uma correria? Um novo estudo mostra que, talvez, o problema esteja justamente no excesso de tempo livre – ou no fato de você não estar sabendo usá-lo para fins realmente importantes.

Já falei aqui sobre como a percepção do tempo é algo subjetivo e depende de muitas variáveis (Por que às vezes o tempo voa e outras vezes se arrasta?). Agora, um estudo de Cassie Mogilner, especialista em percepção do tempo da Universidade de Wharton, na Pensilvânia, sugere outro fator que influencia isso: quando nos ocupamos em tarefas altruístas, temos a sensação de que o tempo está correndo mais devagar.

Para o estudo, Mogilner e colegas das universidades de Harvard e Yale interromperam mais de 200 alunos em uma aula e pediram que completassem diferentes tarefas por cinco minutos. Alguns tinham que riscar a letra “e” em páginas de texto, o que representou, para os cientistas, uma tarefa de desperdício de tempo. Outros tiveram que escrever uma carta para animar uma criança gravemente doente.

Depois, cada um teve de responder perguntas que envolviam a sua percepção do tempo futuro. Resultado: quem escreveu a carta (ou seja, se empenhou em uma atividade generosa e altruísta) foi mais propenso a concordar com afirmações como “meu futuro parece infinito para mim”, indicando a sensação de uma passagem do tempo mais lenta.


Imagens: Getty Images

Você deve estar pensando: “é, mas o tempo provavelmente correria de um jeito diferente para mim se eu também tivesse que ficar riscando a letra ‘e’ em um texto”. Para não restar dúvidas, os pesquisadores fizeram outro teste em que a tarefa de desperdício de tempo era prazerosa.

Neste, um grupo de voluntários teve um período de tempo livre para fazer o que quisessem, enquanto o outro teve de usar o tempo para fazer algo em benefício de alguém. O resultado foi o mesmo, com um adicional: o grupo dos altruístas reportou ainda um senso de poder pessoal e eficácia maiores que o outro.

Para terminar, foi feito mais um teste, similar ao primeiro: estudantes foram interrompidos durante a aula e informados de que teriam de ajudar um aluno com dificuldades, editando um texto que seria enviado para a faculdade em que estava tentando entrar. Mas só parte deles fez isso. Os outros foram informados na última hora de que a ajuda não seria mais necessária e estavam, portanto, livres para fazer o que quisessem com o seu tempo extra.

Depois, eles tiveram que descrever sua percepção do tempo, dizendo quantos minutos acharam que haviam tido (seja para ajudar o aluno, seja para gastar com o que quisessem) e quanto tempo estavam dispostos a comprometer ajudando outros.

Os que haviam ajudado a editar o texto não só acharam ter tido mais tempo para a tarefa do que aqueles que ficaram fazendo outras coisas, como também estavam mais dispostos a usar do seu tempo de lazer em favor de outros na semana seguinte.

Menos é mais

Sim: ironicamente, aqueles que desfrutaram de mais tempo livre manifestaram a sensação de ter tido menos tempo disponível.

Cassie Mogilner acredita que ajudar os outros tenha feito com que os voluntários sentissem que podiam realizar mais em menos tempo (os testes mostraram que eles de fato se sentiam mais eficazes), e isso parece esticar o tempo em nossas mentes.  Já tentou fazer um teste parecido com os dessa pesquisa para ver se funciona?

- Leia o estudo aqui.


Como o seu cérebro manipula você no quesito “paixão”

Ana Carolina Prado 20 de abril de 2012

Já parou para pensar o que, exatamente, faz com que você se sinta atraído (a) por certas pessoas mesmo sem conhecê-las direito?  Ou por que aquela mulher ou aquele cara que você viu de relance parece muito mais bonita (o) do que realmente é?

Tudo isso pode ser explicado com base no funcionamento “secreto” do nosso cérebro – ou seja, toda aquela atividade que não chega até a nossa consciência.

No livro “Incógnito – A vida secreta do cérebro”, o neurocientista David Eagleman conta que realizou um experimento no qual exibiu lampejos de fotos de homens e mulheres a voluntários e pediu a eles que as classificassem quanto ao seu grau de atração. Depois, eles ainda as classificaram uma segunda vez, mas levando o tempo que quisessem para analisá-las.

O resultado mostrou que as pessoas eram sempre julgadas mais bonitas quando vistas de relance do que quando eram melhor analisadas. Isso é algo que provavelmente já aconteceu com você. Por exemplo, quando vê de relance um amigo conversando com outras pessoas e percebe que, no grupo dele, está uma mulher linda. Quando para parar falar com eles, porém, você descobre que ela estava longe de ser aquele poço de formosura que você havia inicialmente vislumbrado.

Estudos como o de Eagleman têm mostrado que esse tipo de engano é mais comum em homens do que em mulheres, provavelmente porque a avaliação que eles fazem do que é atraente se baseia mais fortemente em fatores visuais.

Mas por que isso acontece? Por que nosso cérebro sempre erra para o lado de acreditar que as pessoas são muito mais bonitas, em vez de simplesmente calcular a beleza na média? Segundo o neurocientista, isso se deve às exigências da reprodução. Expliquemos melhor: para nós, supostamente é melhor julgar um parceiro em potencial como sendo inicialmente maravilhoso porque, para comprovar ou negar isso, basta dar uma segunda olhada e pronto. No entanto, se a pessoa fosse linda e você a julgasse como sendo feia de relance, iria perder o interesse – e poderia perder a chance de ter um possível futuro genético promissor. Ou seja, para não correr o risco de perder um parceiro em potencial, o palpite é sempre para o lado positivo.

Eagleman cita outros estudos que mostraram que homens acham mais atraentes fotos de mulheres com as pupilas dilatadas, embora esse fosse um detalhe extremamente sutil e imperceptível pela consciência. Mas há um detalhe: os homens não sabiam, mas pupilas dilatadas indicam interesse sexual (pode reparar, suas pupilas provavelmente ficam maiores quando você está olhando para a pessoa em quem está atraído).

Por que isso acontece? Seu sábio cérebro captou esse sinal de receptividade muito antes de sua consciência e já lançou a mensagem para você: “essa pessoa vale a pena, invista nela!”. E aí ela passa a ser vista como atraente.

O que dançarinas de boate nos ensinam sobre o cérebro

A atração que outras pessoas exercem sobre nós também se adapta às circunstâncias. No reino animal, a fêmea dá sinais claros de que está no cio. As fêmeas dos babuínos, por exemplo, ficam com o traseiro com um rosa vivo que é entendido pelos machos como um convite claro para o acasalamento.

Entre os humanos, apesar de não ocorrer nada assim tão claro, as mulheres também são consideradas mais bonitas quando estão no período fértil. “Isso é verdadeiro tanto quando ela é julgada por homens quanto por mulheres, e o efeito funciona mesmo quando o teste é feito por fotos”, explica Eagleman. Ou seja, não depende da forma como ela age – somente de sua aparência.

Ainda não se sabe que sinal é esse que elas transmitem. Pode ter algo a ver com a tonalidade de sua pele, que muda durante essa época, ou ao fato de suas orelhas e seios ficarem mais simétricos. Nossa consciência não sabe ainda o que é – mas o cérebro sim.

E isso é um efeito mensurável. Cientistas do Novo México descobriam que dançarinas de boates locais ganhavam uma média de 68 dólares por hora em seu pico de fertilidade, enquanto as que estavam menstruando ganhavam apenas 35. A média geral era de 52 dólares.

Isso mostra que o poder da atração, apesar de estar além do nosso alcance consciente, já está determinado neurologicamente. O cérebro é muito bom na detecção de dicas sutis. Se você for medir as feições de uma pessoa que acha bonita com a de alguém que não acha, verá que a primeira apresenta uma simetria maior, mas que é tudo extremamente sutil. Um alienígena ou uma barata jamais entenderiam a diferença, assim como nós não saberíamos diferenciar um ET ou barata bonitos de outros feios. Para nós, eles têm todos a mesma cara – mas pesquisadores de baratas garantem que cada uma delas possui um rosto com traços particulares.

As pequenas diferenças em nossa própria espécie têm um efeito intenso no nosso cérebro, que está equipado para a seleção e busca de um parceiro. E, como escreveu David Eagleman, “tudo isso ocorre sob a superfície de nossa consciência – nós simplesmente desfrutamos das sensações agradáveis que borbulham dela.”

 

Leia também:

- Como a ciência explica o que chamamos de pressentimento (e por que precisamos dele)

- A relação entre a beleza e o amor

- Por que algumas vezes aceitamos um amor não correspondido e outras vezes não?


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