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A vida de um moderador de comentários na internet

2 de outubro de 2014

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É assim que a gente se sente às vezes

 

Ler comentários na internet é muitas vezes uma atividade masoquista. Ali você descobre que ideias básicas como “o nazismo é ruim” ou “direitos humanos são para todos, não importa gênero, cor ou orientação sexual” não são assim tão óbvios para todo mundo. Sempre haverá comentários preconceituosos, ignorantes e maldosos – e, talvez até pior que isso, pessoas para defendê-los.

Qual o motivo de tanto ódio na rede? Por que as pessoas acham que é ok falar barbaridades? Sugeri ao migo e editor Felipe van Deursen uma investigação sobre isso e as descobertas estão na SUPER deste mês.

Devo dizer, porém, que minha empolgação quase virou arrependimento: passar semanas no chorume da internet é realmente estressante e pode fazer você perder a fé na humanidade. E se quem lê essas coisas de vez em quando corre o risco de se deprimir, como deve ser para quem trabalha desde 2008 moderando comentários em grandes portais que atraem todo tipo de leitor? Como um extra aos leitores da revista, reproduzo aqui parte da conversa que tive, para a matéria, com uma moderadora desses comentários. Mantivemos sua identidade em sigilo para protegê-la de ataques na web.

 

Como os moderadores de conteúdo de usuários se preparam psicologicamente para o trabalho?

Moderar comentários é mais tranquilo que moderar vídeos e fotos. Os traumas em serviços como YouTube acontecem porque moderadores são obrigados a assistir a conteúdos que vão de gente mutilada a pedofilia. Em comentários de notícias a preocupação do treinamento é para que a pessoa tenha uma clara noção do que é crime.

 

Eu perguntei isso porque eu mesma, fazendo essa matéria, passei semanas analisando comentários em matérias e eventos no Facebook e tem sido muito estressante. Queria saber como é pra você ter que trabalhar o tempo todo com isso. Rola uma impressão de que o mundo é horrível ou coisa assim?

Rola, e já teve casos de blogueiros que no início decidiram aprovar seus próprios comentários, mas ao ver o nível da participação decidiu terceirizar para não ficar estressado e passou a acompanhar somente o que foi aprovado em seu post. No caso dos blogueiros, a relação é pessoal. O público não gosta dele porque defende uma causa, e pegam pesado nas mensagens. No caso dos moderadores não tem esta relação – por isso o anonimato é importante.

O que mais assusta é o preconceito, que é muito forte no Brasil. O usuário brasileiro tem a sensação de impunidade: “posso comentar qualquer coisa que não vão chegar até mim, ou ainda, posso comentar porque a responsabilidade é de quem provê o serviço”.

 

Você acha que a maioria dos brasileiros é preconceituosa ou acha que esses comentários refletem a opinião de uma minoria barulhenta?

Tem dois pontos diferentes quando se trata de comentários online. Uma é que eles fogem do eixo das grandes cidades. Pessoas de ponta a ponta do país estão comentando e você percebe que o que é senso comum na sua vizinhança não vale para o resto. Outra é que as pessoas, muitas vezes encobertas por perfis falsos, aproveitam para falar o que realmente pensam – e se mostram mais preconceituosos do que a gente imaginaria.

 

Mas, no geral, vocês recebem mais comentários negativos e preconceituosos mesmo ou é algo equilibrado?

Depende do tema e da comunidade. Em notícias sobre reality shows, por exemplo, os comentários são bem críticos ao programa de maneira geral. Mas qualquer enquete na internet perguntando “quem vai sair no paredão de hoje” tem milhões de participações defendendo Marcelo ou outro participante. Negativo, sempre, é com relação à política do país, seja qual for o partido. Outro exemplo: uma notícia do falecimento de um famoso (ou doença grave) gera, na grande maioria, comentários de condolências ou apoio. Se a personalidade é um político, é “vai com Deus” ou “tomara que morra”.

 

Esse trabalho mudou sua visão de mundo?

Você fica antenada com todas as manchetes que causam repercussão pelo país e tem uma visão bem ampla dos temas, conhecendo os diferentes pontos de vista.

Há pessoas horríveis, e de certa forma funciona como alerta para você não confiar em tudo e em todos. Mas tem pessoas boas também. Se for só ficar no pessimismo e amargura com tudo que está errado não há como viver.

 

Quais são os piores tipos de comentaristas da internet?

São aqueles que conhecem os limites do que pode ser publicado, nunca ofendem ninguém, mas as mensagens são campeãs da discórdia. Se eles veem uma notícia em que as pessoas que comentam gostam de uma celebridade, entram só para falar mal dela e irritar o público. Você não pode bani-la porque elas estão dentro das regras, mas muita gente se revolta e perde a linha com o usuário – e no final essas pessoas é que acabam bloqueadas. Certa vez conheci um troll que adorava falar mal da Apple em fóruns e descobri que ele tinha um iPad. Gostava de entrar para causar e acabar com os fanboys. Nesses casos o melhor é não responder porque, como falei, é muito provável que ele esteja lá apenas para rir da indignação que causou.

 

Você vê um futuro em que as pessoas vão aprender a ser mais civilizadas na internet ou acha que contar com o bom senso das pessoas ainda não é realista?

Acredito que sim, a internet é uma extensão da sociedade. Basta retroceder 50 anos na história e ver como evoluímos. Um exemplo de mãe: na minha infância era comum um personagem de desenho animado fumando – hoje sabemos que isto é um absurdo e evitamos mostrar aos filhos. Só não dá para esperar que seja da noite para o dia. Talvez, quando acontecer, a internet como a conhecemos hoje nem exista mais.

 

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“O cara que divulgou as fotos tá errado, mas ninguém manda tirar foto pelada!” – a falácia do mundo justo e a culpabilização das vítimas

2 de setembro de 2014

“É claro que o cara que estuprou é o culpado, mas as mulheres também ficam andando na rua de saia curta e em hora errada!”. “O hacker que roubou as fotos dessas celebridades nuas está errado, mas ninguém mandou tirar as fotos!”. “Se você trabalhar duro vai ser bem-sucedido, não importa quem você seja. Quem morreu pobre é porque não se esforçou o bastante.” Você sabe o que essas afirmações têm em comum?

Há algum tempo falei aqui sobre como os humanos têm diversas formas de se enganar em relação à ideia que têm de si mesmos, quase sempre para proteger sua autoestima ou para saciar sua vontade de estar sempre certos. Mas nosso cérebro não nos engana só em relação a como vemos a nós mesmos: temos também a tendência de nos iludir em relação aos outros e à vida em geral. E as frases acima exemplificam uma maneira como isso pode acontecer: por meio da falácia do mundo justo.

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Por exemplo, embora os estupros raramente tenham qualquer coisa a ver com o comportamento ou vestimenta da vítima e sejam normalmente cometidos por um conhecido e não por um estranho numa rua deserta, a maioria das campanhas de conscientização são voltadas para as mulheres, não para os homens – e trazem a absurda mensagem de “não faça algo que poderia levá-la a ser violentada”.

Muitos estudos revelam outras formas de culpabilização da vítima. Em 1966, os pesquisadores Melvin Lerner e Carolyn Simmons pediram a 72 mulheres para assistir a uma atriz resolvendo problemas e recebendo choques elétricos (que eram de mentirinha, mas elas não sabiam) quando errava. Ao final do experimento, as mulheres tiveram de descrever a atriz – e muitas a desvalorizaram, criticando seu caráter e aparência e dizendo que ela havia merecido os choques.

O mesmo aconteceu em questões relacionadas a dinheiro. Lerner fez outro experimento, desta vez com dois homens resolvendo quebra-cabeças. Ao final, um deles recebeu uma grande quantia de dinheiro. O prêmio foi totalmente aleatório, e isso foi dito aos observadores. Mesmo assim, quando tiveram de avaliar os dois homens, eles disseram que quem havia recebido o prêmio era mais inteligente, mais talentoso, melhor em resolver quebra-cabeças e mais produtivo.

De lá para cá, muita pesquisa foi feita e obteve resultados semelhantes. Em um estudo sobre bullying feito em 2010 na Universidade Linkoping, na Suécia, 42% dos adolescentes culparam a vítima por ser “um alvo fácil”.

Para os pesquisadores, esses julgamentos estão relacionados à noção – amplamente difundida na ficção – de que coisas boas acontecem a quem é bom e coisas más acontecem a quem merece. A tendência a acreditar que o mundo é assim é chamada, na psicologia, de falácia do mundo justo. “Não importa quão liberal ou conservador você seja, alguma noção dela entra na sua reação emocional quando ouve sobre o sofrimento dos outros”, diz o jornalista David McRaney no livro “Você não é tão esperto quanto pensa”.  Ele acrescenta que, embora muitas pessoas não acreditem conscientemente em carma, no fundo ainda acreditam em alguma versão disso, adaptando o conceito para a sua própria cultura.

E dá para entender por que somos levados a pensar assim: viver em um mundo injusto e imprevisível é meio assustador e queremos nos sentir seguros e no controle. O problema é que crer cegamente nisso leva a ainda mais injustiças, como o julgamento de que pessoas pobres ou viciadas em drogas são vagabundas e têm mais é que se ferrar, que mulher de roupa curta merece ser maltratada ou que programas sociais são um desperdício de dinheiro e uma muleta para preguiçosos. Todas essas crenças são falaciosas porque partem do princípio de que o sistema em que vivemos é justo e cada um tem exatamente o que merece.

É importante notar que não estamos falando aqui sobre consequências de ações: se você não trabalha ou gasta todo o seu dinheiro com coisas inúteis, é bem provável que acabe sem grana nenhuma; se for escroto com todo mundo, é bem provável que tenha muita dificuldade em ter amigos de verdade – são escolhas ruins que costumam levar a resultados ruins. O problema é que, nesse caso, a falácia do mundo justo desconsidera os inúmeros outros fatores que influenciam quão bem-sucedida a pessoa vai ser, como o local onde ela nasceu, a situação socioeconômica da sua família, os estímulos e situações pelas quais passou ao longo da vida e o acaso. Programas sociais e ações afirmativas não rompem o equilíbrio natural das coisas, como seus críticos podem crer – pelo contrário, a ideia é justamente minimizar os efeitos da injustiça social. Uma pessoa extremamente pobre pode virar a dona de uma empresa multimilionária, mas o esforço que vai ter de fazer para chegar lá é muito maior do que o esforço de alguém nascido em uma família rica que sempre teve acesso à melhor educação e a bons contatos. “Se olhar os excluídos e se questionar por que eles não conseguem sair da pobreza e ter um bom emprego como você, está cometendo a falácia do mundo justo. Está ignorando as bênçãos não merecidas da sua posição”, diz McRaney.

Em casos de abusos contra outras pessoas, como bullying ou estupro, a injustiça é ainda maior, pois eles nunca são justificados – e aí a falácia do mundo justo se mostra ainda mais perversa. Portanto, toda vez que você se sentir movido a dizer coisas como “O estuprador é quem está errado, é claro, mas…”, pare por aí. O que vem depois do “mas” é quase sempre fruto de uma tendência a ver o mundo de uma forma distorcida só para ele parecer menos injusto.


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Imagens: Thinkstock e Tumblr


Ter medo da violência ajuda a manter você seguro, defende estudo

15 de agosto de 2014

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Nós ouvimos (ou falamos) frequentemente sobre quão ruim é viver com medo da criminalidade. Mas um novo estudo de pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan e das Universidades de Iowa e Missouri em St. Louis defende que esse temor pode ser saudável. “Nós devemos encarar o medo como uma resposta natural ao crime, a menos que ele atinja um nível crônico ou de fobia. Aí sim é preciso intervir”, diz Chris Melde, professor de justiça criminal de Michigan.

Ele e seus colegas analisaram dados obtidos ao longo de um ano em um programa educacional envolvendo leis e criminalidade oferecido em 15 escolas de nove cidades dos Estados Unidos. Mais de 1600 alunos do sexto ao nono anos participaram. Os estudantes que relataram mais medo eram menos propensos a se envolver em atos violentos, como assaltos, roubos e brigas de gangues. O motivo não é nenhuma surpresa: os mais temerosos tendiam a evitar pessoas, locais e atividades potencialmente perigosos.

Isso valia tanto para as vítimas quanto para os agressores – os dois grupos muitas vezes vêm do mesmo conjunto de pessoas, especialmente quando se trata de brigas de rua e roubos menores. “Mas mesmo os criminosos de rua mais durões se preocupam com a possibilidade de serem atacados ou mortos devido às suas más ações. E eles têm uma boa razão para ter medo, porque o crime de rua é uma atividade perigosa também para os seus autores”, diz o estudo.

É importante destacar, porém, que os pesquisadores deixam claro que isso NÃO vale para coisas como abuso infantil, violência sexual e outros tipos de violência doméstica. Esses tipos de agressão estão em outra categoria por envolverem circunstâncias diferentes – geralmente relacionadas a hierarquias distintas de poderes e convivência com os agressores, o que impede as vítimas de tentarem se proteger.

Para Chris Melde, o resultado é importante para as políticas públicas: em vez de se empenhar em campanhas para reduzir o medo da população, o certo seria (além, é claro, de combater diretamente o crime) deixar as pessoas mais bem informadas. Ter dados mais detalhados sobre os tipos de crimes mais frequentes em cada localidade as ajudaria a tomar decisões mais conscientes em relação à sua própria segurança, fazendo alterações em sua rotina, se fosse o caso.

Você concorda?

 

O estudo foi publicado na semana passada. Leia-o na íntegra aqui.

 


Cinco lições essenciais sobre produtividade

7 de agosto de 2014

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Quando se formou na faculdade em maio do ano passado, o canadense Chris Bailey recebeu duas ótimas ofertas de trabalho em período integral, mas as dispensou. Ele tinha um plano e aceitar qualquer uma dessas propostas o impediria de colocá-lo em prática. Um ano depois, ele afirma que não se arrependeu. Durante 12 meses, Bailey leu e testou tudo o que pôde encontrar sobre o tema produtividade, compartilhando suas descobertas no site que leva o nome do projeto: A Year of Produtivity (ou “Um ano de produtividade”). O objetivo era conseguir se tornar o mais produtivo possível – e ajudar as pessoas a se beneficiarem de suas descobertas. O experimento rendeu 197 artigos nesse período, mas ele publicou um resumão com as lições mais importantes que aprendeu. Veja cinco delas:

 

1. Saiba escolher bem suas tarefas em cada área da vida

Eu já falei neste post sobre trabalhos reativos e criativos, e eis mais uma pessoa defendendo algo parecido. Podemos ter incontáveis coisas para fazer em diferentes campos da vida (trabalho, educação, saúde, mente, finanças, relacionamento etc.), mas é preciso saber classificar essas tarefas de acordo com o seu valor para melhorar cada uma dessas áreas. Boa parte delas só vai consumir seu tempo e energia e não trará resultados notáveis. Por outro lado, existem algumas que, sozinhas, podem lhe dar um retorno dez vezes maior. Descubra quais são e foque nelas.

 

2. As dicas mais eficientes são as mais clichês

Quão clichê é dizer que as mais importantes táticas para ser produtivo são comer bem, dormir o suficiente e se exercitar? Pois saiba que, por mais bobas que pareçam, elas se revelaram as mais eficientes para Chris Bailey. “Eu acho que por trás dos clichês existe uma verdade tão poderosa que as pessoas se sentem compelidas a repeti-las tantas vezes que elas acabam perdendo seu valor”, escreve ele. “Mas, como alguém que testou centenas de técnicas para administrar melhor meu tempo, energia e atenção na última década [porque ele já vem pesquisando o tema bem antes de começar o projeto] posso afirmar: nada contribuiu mais para a minha produtividade do que comer bem, dormir o bastante e fazer exercícios físicos”, completa.

Um adendo aqui: Isso faz sentido. Quando eu fui investigar qual o segredo para conseguir acordar cedo (algo que sempre me pareceu impossível sem muito sofrimento e dor, e no qual eu falhava TODOS OS DIAS – e acordar já falhando miseravelmente não é um jeito muito legal de começar o dia), fiquei meio decepcionada com a simplicidade do que encontrei. Eu esperava táticas mais interessantes e temi ser xingada por leitores que também tivessem essa expectativa. O texto está aqui e eu recomendo a leitura, mas, basicamente, o segredo mais importante é dormir cedo (sério, leia antes de me odiar porque tem toda uma explicação). O ponto é que isso também acontece com a “fórmula” para a produtividade e, provavelmente, para um monte de outras coisas.

 

3. Os três ingredientes principais para a produtividade são tempo, energia e atenção

Bailey descobriu que, não importava quais técnicas usasse, elas sempre envolviam administrar melhor um ou mais desses três fatores: seu tempo, energia e atenção. Para ele, esses são os três ingredientes fundamentais para uma produtividade consistente. Se você tem muita energia e foco, mas não sabe administrar seu tempo, acabará dedicando muitas horas às tarefas erradas e não vai conseguir muita coisa. Se é bom em administrar o tempo e tem muita energia, mas não tem foco, vai se distrair e procrastinar. E se tem foco e sabe administrar o tempo, mas não sabe administrar a energia, pode desperdiçá-la com coisas menos importantes. Portanto, é fundamental ter as três competências.

 

4. Trabalhar duro demais e por tempo demais faz mal à sua produtividade

Virar noites trabalhando e não parar nem para almoçar com calma podem dar a impressão de que você está fazendo muita coisa, mas definitivamente não te fazem uma pessoa mais produtiva em longo prazo. “Em um experimento que durou um mês, eu alternava entre trabalhar 90 horas em uma semana e 20 horas na semana seguinte. Então descobri que a quantidade do que produzi foi igual nas duas, por uma razão simples: quando eu limitava o tempo que gastaria em uma tarefa, eu me forçava a dedicar mais energia em menos tempo para que pudesse conclui-la rapidamente. Quando tinha mais tempo para o trabalho, eu tendia a procrastinar mais e trabalhar em atividades que me dariam menos retorno (como as que mencionamos no primeiro item), e assim perdia mais tempo”, escreve Bailey.

 

5. Tenha em mente que ser produtivo tem a ver com quanto você conquista, não quanto você produz – e seja gentil consigo mesmo

Quando você está focado em ser mais produtivo, é comum cometer o erro de focar em números: quantas páginas ou palavras escreveu e leu, quantas horas trabalhou, quantos e-mails respondeu. O problema é que, segundo Bailey, “a menos que você trabalhe em uma fábrica, medir sua produtividade baseado apenas em quanto você produziu vai te dar um panorama limitado de quão produtivo você é”. Por exemplo, escrever um texto de 100 palavras que condense eficientemente o que seria posto em 500 não significa que você produziu menos – significa que produziu melhor. Responder 200 e-mails poderia dar a impressão de que sua manhã foi um sucesso, mas será que essas mensagens eram mais importantes do que alguma outra única tarefa que você poderia ter feito no lugar? Aqui entra de novo a discussão do valor das tarefas, e do quanto elas contribuem para que você se sinta satisfeito não só no final do dia, mas da semana, do mês e do anoAlém disso, é preciso ter em mente por que você quer alcançar determinadas metas e não perder isso de vista, senão sua satisfação com o trabalho vai embora e sua produtividade vai perder o sentido. Por fim, Bailey acrescenta que, para manter a motivação, ainda é necessário outro ponto: ser gentil consigo mesmo. Ser mais produtivo requer um tremendo esforço, e daí para começar a se pressionar exageradamente é um pulo. Você está tentando fazer mudanças positivas na sua vida, então é importante manter uma atitude positiva em relação a si próprio.  


Podemos esquecer um rosto, mas não esquecemos um post no Facebook

1 de agosto de 2014

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Não é nenhum segredo que é bem mais fácil lembrarmos frases simples e coloquiais do que aquelas construídas mais cuidadosamente. Você provavelmente percebeu isso logo na escola: quando seus professores explicavam a matéria de maneira informal tudo ficava muito melhor do que se você se pautasse pela linguagem formal dos livros. A novidade é que essas falas simples são mais pegajosas para o seu cérebro do que imagens do rosto de pessoas – e essa lógica também se aplica a posts no Facebook.

A conclusão é de um estudo da Universidade de Warwick, do Reino Unido, e da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), publicado no periódico “Memory and Cognition” no ano passado. Os pesquisadores testaram a memória de voluntários para posts no Facebook de anônimos, sem imagens e retirados de contexto, e compararam os resultados com testes de memória para frases tiradas de livros e também para rostos humanos (de pessoas desconhecidas).

No primeiro teste, a memória dos participantes para posts aleatórios do Facebook foi 150% melhor do que para frases de livros e 250% (!) melhor em relação a rostos de desconhecidos. A principal autora do estudo, Laura Mickes, ficou impressionada: “Esses tipos de lacunas no desempenho estão em uma escala semelhante às diferenças entre amnésicos e pessoas com memória saudável“, afirmou.

Uma das razões por trás disso está relacionada ao tipo de conteúdo: as atualizações do Facebook são mais fáceis de memorizar porque geralmente envolvem tipos de informação de natureza “fofoqueira”, que tendem a se espalhar mais facilmente (leia sobre isso aqui).

Christine Harris, professora da Universidade da Califórnia que também fez parte da equipe de pesquisa, explica o porquê: tanto a memória quanto o mundo social foram fundamentais para a sobrevivência ao longo da história ancestral dos seres humanos, uma vez que os outros podem ser fontes tanto de ameaças quanto de recompensas. “Portanto, faz sentido que nossas mentes seriam ajustadas para ter em especial atenção as atividades e pensamentos das pessoas e para lembrar a informação veiculada por elas“, completa.

Porém, o estudo sugere que outra coisa também está em jogo: a linguagem espontânea dos posts, sem muita edição e mais perto da fala. Testes com posts no Twitter e com comentários sob artigos de notícias on-line revelaram os mesmos resultados, indicando que não se trata apenas do tipo de informação e do fato de ser o Facebook.

Sobre esse aspecto, outro pesquisador da equipe, Nicholas Christenfeld, acredita que nossa capacidade de linguagem ainda não evoluiu completamente para processar textos cuidadosamente editados e polidos. “Pode-se ver os últimos cinco mil anos de escrita cuidadosa como uma anomalia. Tanto que as tecnologias modernas estão permitindo que a linguagem escrita retorne ao estilo casual e pessoal da comunicação pré-alfabetização. E esse é o estilo que ressoa e é lembrado”, acrescenta.

Por que a pesquisa é útil

Os resultados do estudo têm implicações importantes. Primeiro, porque ele mostra que os incontáveis posts que chegam para nós pelo Facebook não são assim tão triviais e esquecíveis: eles ficam na nossa cabeça mais do que livros de alta literatura.

Além disso, revela que a escrita mais fácil e rápida de produzir é também a mais fácil de lembrar. Saber dessas duas coisas pode ajudar na concepção de melhores ferramentas educacionais, além de serem úteis para quem trabalha na área de comunicação e publicidade.

“É claro que não estamos sugerindo livros escritos em tweets, nem que editores são inúteis, mas escritores de livros didáticos ou professores que usam o PowerPoint certamente poderiam se beneficiar do uso de uma voz mais natural”, diz Mickes.

E ela acrescenta outro ponto importante para todo mundo, independente da área em que trabalhemos: “Os resultados do estudo deveriam, no mínimo, nos fazer ver que talvez devêssemos tomar mais cuidado sobre o que postamos no Facebook, já que esses posts podem ser lembrados por muito tempo.”

 

(Via Futurity)

 

 

 


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