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A verdade (meio perturbadora) por trás dos casais que se parecem fisicamente

26 de fevereiro de 2015

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(Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Mães e avós muitas vezes disparam algumas verdades sobre a vida que a gente não faz ideia de onde vêm. Sabedoria milenar transmitida de geração para geração? Crendices que calham de ser aplicáveis em algumas situações? Vai saber. Mas uma coisa que a minha mãe disse algumas vezes me deixou especialmente curiosa: “quando o casal se parece fisicamente, eles se casam”. Eu já me peguei repetindo isso ao falar sobre casais de amigos que se dão bem e cuja semelhança física está em traços do rosto, mesmo, e vão muito além de meros trejeitos adquiridos pela convivência.

Para confirmar a teoria, sites por aí estão publicando listas com casais que parecem irmãos gêmeos e eu comecei a achar isso tudo meio perturbador. E aquele papo de que opostos se atraem? A gente vai acabar com uma pessoa que é a nossa cara no sentido físico da coisa? Para a minha surpresa, a ciência parece comprovar a teoria da minha mãe. O site Mic.com reuniu uma série de evidências que apontam para essa direção. Vamos lá.

Evidência 1: procuramos uma sensação de familiaridade

Por mais que você seja do tipo que curte aventuras e desafios e explorar o desconhecido, temos que admitir que humanos se sentem confortáveis com as coisas que conhecem – e o que existe de mais familiar do que a nossa própria cara? Sobre isso, o pesquisador em psicologia Tony Little, da Universidade de Stirling, na Escócia, já afirmou: “Quando você tem um rosto que se parece mais com você, tende a confiar mais e achar que é mais amigável”.

Há números para comprovar essa tendência: a pesquisadora Emma Pierson estudou 1 milhão de “matches” do site de namoro eHarmony e descobriu que as pessoas se mostram MUITO mais interessadas ​​em pessoas parecidas com elas. Pessoas que apresentavam alguma característica física mais específica tendiam a preferir outros com esse mesmo traço. Mulheres mais altas apresentam uma preferência mais intensa do que as outras mulheres por homens altos, por exemplo. O mesmo se dá com pessoas mais atléticas. Uma pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin em 2010 confirma essa tendência ao observar que o cérebro processa imagens familiares com mais facilidade. Na real, o cérebro curte TANTO uma familiaridade que um estudo de 1995 com pessoas casadas descobriu uma incidência muito alta de casais com nomes que soavam parecido (tipo Kim e Kanye).

Evidência 2: somos narcisistas

Quando se trata de comportamento humano, as explicações nunca são simples. Neste caso, além da familiaridade, há outros fatores envolvidos e um deles é o narcisismo natural de cada um. Lembra aquele estudo de 2010 citado acima? Os seus autores também pediram aos participantes que avaliassem fotos de estranhos em relação à sua atratividade sexual. Mas havia uma particularidade: algumas fotos foram manipuladas digitalmente e misturavam o rosto de um desconhecido com o do participante. Sem perceber o truque, os voluntários consideraram essa fotografia misturada com seu próprio rosto a mais atraente de todas. Haja amor-próprio.

E tem mais: estudos anteriores com casais heterossexuais concluíram que os pares frequentemente apresentavam estruturas de DNA semelhantes. Um trabalho da Universidade de Western Ontario com gêmeos idênticos descobriu algo ainda mais doido: eles não só se parecem com seus parceiros, mas os cônjuges dos gêmeos muitas vezes se pareciam muito entre si.

Evidência 3: buscamos personalidades parecidas com a nossa

Por fim, existe também o fato de que nosso rosto transmite (de forma verdadeira ou não) alguns traços de nossa personalidade e permitem sacar logo se a pessoa é brincalhona, relaxada, brava, tensa etc. A procura por pessoas com personalidade semelhante à nossa pode, assim, acabar nos atraindo a quem a demonstre através de seu rosto de alguma forma.

Ok, é meio esquisito pensar que a gente pode acabar com alguém muito parecido conosco, mas analisando assim faz sentido, né?


Estudo mostra como meditação “mindfulness” beneficia o cérebro

18 de fevereiro de 2015

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De uns anos para cá, um tipo de meditação ficou bastante popular no Ocidente: a chamada mindfulness, o que pode ser traduzido como “atenção plena”.  Enquanto a meditação clássica consiste em focar na respiração e não pensar em nada, a mindfulness envolve colocar toda a atenção no que estamos vivendo e sentindo naquele momento, sem julgamentos. Em vez de buscar um nível de transcendência, aqui se busca estar plenamente presente.

Pesquisas já haviam comprovado que essa prática era benéfica para a saúde e a mente das pessoas. Agora, um estudo da Universidade Carnegie Mellon (na Pensilvânia, EUA) conseguiu, de acordo com o professor e autor J. David Creswell, “uma das primeiras explicações biológicas baseadas em evidências” para isso.

E tudo se deve à redução do stress que essa meditação promove. Quando uma pessoa está estressada, a atividade no córtex pré-frontal (área do cérebro responsável pelo pensamento consciente e planejamento) diminui, enquanto a atividade na amígdala, no hipotálamo, e no cíngulo anterior do córtex – regiões que ativam respostas ao stress – aumentam.

A meditação mindfulness inverte esses padrões: ela aumenta a atividade pré-frontal, o que pode regular e “desligar” a resposta biológica ao stress. Isso torna possível reduzir o risco e a gravidade de doenças ligadas a essas respostas, como depressão e problemas do coração.

Creswell acredita que, ao entender como esse tipo de treinamento da mente afeta diferentes doenças e distúrbios, os pesquisadores serão capazes de desenvolver melhores tratamentos e trabalhar com os que já existem de forma mais eficaz.


Adolescentes superestimam envolvimento dos colegas com drogas e sexo

16 de janeiro de 2015

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Quando você era mais novo, sentia que os seus colegas tinham uma vida bem menos certinha que a sua, com mais drogas e sexo e menos horas de estudo do que você? Se a resposta for sim, saiba que não é o único. Um estudo feito pela Universidade de Stanford e pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill concluiu que os adolescentes são bem ruins em supor o que os seus colegas estão fazendo por aí.  Eles superestimam coisas como sexo, drogas e álcool presentes na vida dos outros, enquanto subestimam a quantidade de tempo dedicada aos estudos e exercícios. Em outras palavras, os novinhos acham que seus colegas são bem mais v1dAl0kA do que realmente são.

O trabalho analisou as percepções e o comportamento de 235 estudantes do ensino médio de uma escola suburbana de renda média alta nos Estados Unidos. Os participantes tiveram de informar seu envolvimento em várias atividades (de forma confidencial), além de predizer o envolvimento de seus colegas nessas mesmas atividades. Como geralmente é feito em pesquisas semelhantes, os estudantes foram divididos em grupos: os populares, os atletas, os nerds, os alternativos e aqueles que não se identificavam com nenhuma turma específica. A comparação entre o comportamento real e o percebido revelou erros gigantes, e isso atingiu todos os grupos.

Mesmo os participantes de grupos de status mais alto (os populares e esportistas, com maior potencial de influenciar outros) mostraram percepções exageradas sobre o comportamento dos colegas dentro de sua própria turma. O consumo de drogas e a vida sexual eram normalmente superestimados. Já o tempo dedicado aos estudos era geralmente subestimado: os adolescentes achavam que seus colegas estudavam menos do que realmente faziam – com exceção do grupo dos inteligentes, que dedicavam para isso um tempo 50% menor do que seus colegas pensavam.

Influência

O problema disso tudo é que, segundo Geoffrey Cohen, um dos autores do estudo, esses adolescentes estão tentando se adequar a normas e identidades baseadas em estereótipos e caricaturas, não na realidade. Considerando que pessoas nessa fase são sensíveis ao julgamento dos colegas e muitas vezes tentam imitar os “garotos legais”, isso pode ser perigoso.  “Essa busca pela identidade pode levar os adolescentes para a direção errada”, diz ele.

A segunda parte da pesquisa comprovou isso depois de analisar a relação entre o comportamento dos adolescentes em uma escola rural de baixa renda e a sua ideia do que seus colegas dos grupos mais populares estavam fazendo – desta vez, focando no uso de drogas. Aqueles que acreditavam que os populares usavam drogas tinham maior risco de se engajar em comportamentos parecidos – e a intensidade com que entravam nessa dependia não da realidade, mas da imagem que haviam fabricado em sua cabeça. Quem achava que os colegas consumiam mais drogas acabou usando uma quantidade também maior com o tempo, independentemente de isso ser verdade ou não. Agora, os autores pretendem seguir com o trabalho para analisar mais a fundo a influência dessas percepções na vida dos jovens.

O estudo está aqui.


A vida de um moderador de comentários na internet

2 de outubro de 2014

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É assim que a gente se sente às vezes

 

Ler comentários na internet é muitas vezes uma atividade masoquista. Ali você descobre que ideias básicas como “o nazismo é ruim” ou “direitos humanos são para todos, não importa gênero, cor ou orientação sexual” não são assim tão óbvios para todo mundo. Sempre haverá comentários preconceituosos, ignorantes e maldosos – e, talvez até pior que isso, pessoas para defendê-los.

Qual o motivo de tanto ódio na rede? Por que as pessoas acham que é ok falar barbaridades? Sugeri ao migo e editor Felipe van Deursen uma investigação sobre isso e as descobertas estão na SUPER deste mês.

Devo dizer, porém, que minha empolgação quase virou arrependimento: passar semanas no chorume da internet é realmente estressante e pode fazer você perder a fé na humanidade. E se quem lê essas coisas de vez em quando corre o risco de se deprimir, como deve ser para quem trabalha desde 2008 moderando comentários em grandes portais que atraem todo tipo de leitor? Como um extra aos leitores da revista, reproduzo aqui parte da conversa que tive, para a matéria, com uma moderadora desses comentários. Mantivemos sua identidade em sigilo para protegê-la de ataques na web.

 

Como os moderadores de conteúdo de usuários se preparam psicologicamente para o trabalho?

Moderar comentários é mais tranquilo que moderar vídeos e fotos. Os traumas em serviços como YouTube acontecem porque moderadores são obrigados a assistir a conteúdos que vão de gente mutilada a pedofilia. Em comentários de notícias a preocupação do treinamento é para que a pessoa tenha uma clara noção do que é crime.

 

Eu perguntei isso porque eu mesma, fazendo essa matéria, passei semanas analisando comentários em matérias e eventos no Facebook e tem sido muito estressante. Queria saber como é pra você ter que trabalhar o tempo todo com isso. Rola uma impressão de que o mundo é horrível ou coisa assim?

Rola, e já teve casos de blogueiros que no início decidiram aprovar seus próprios comentários, mas ao ver o nível da participação decidiu terceirizar para não ficar estressado e passou a acompanhar somente o que foi aprovado em seu post. No caso dos blogueiros, a relação é pessoal. O público não gosta dele porque defende uma causa, e pegam pesado nas mensagens. No caso dos moderadores não tem esta relação – por isso o anonimato é importante.

O que mais assusta é o preconceito, que é muito forte no Brasil. O usuário brasileiro tem a sensação de impunidade: “posso comentar qualquer coisa que não vão chegar até mim, ou ainda, posso comentar porque a responsabilidade é de quem provê o serviço”.

 

Você acha que a maioria dos brasileiros é preconceituosa ou acha que esses comentários refletem a opinião de uma minoria barulhenta?

Tem dois pontos diferentes quando se trata de comentários online. Uma é que eles fogem do eixo das grandes cidades. Pessoas de ponta a ponta do país estão comentando e você percebe que o que é senso comum na sua vizinhança não vale para o resto. Outra é que as pessoas, muitas vezes encobertas por perfis falsos, aproveitam para falar o que realmente pensam – e se mostram mais preconceituosos do que a gente imaginaria.

 

Mas, no geral, vocês recebem mais comentários negativos e preconceituosos mesmo ou é algo equilibrado?

Depende do tema e da comunidade. Em notícias sobre reality shows, por exemplo, os comentários são bem críticos ao programa de maneira geral. Mas qualquer enquete na internet perguntando “quem vai sair no paredão de hoje” tem milhões de participações defendendo Marcelo ou outro participante. Negativo, sempre, é com relação à política do país, seja qual for o partido. Outro exemplo: uma notícia do falecimento de um famoso (ou doença grave) gera, na grande maioria, comentários de condolências ou apoio. Se a personalidade é um político, é “vai com Deus” ou “tomara que morra”.

 

Esse trabalho mudou sua visão de mundo?

Você fica antenada com todas as manchetes que causam repercussão pelo país e tem uma visão bem ampla dos temas, conhecendo os diferentes pontos de vista.

Há pessoas horríveis, e de certa forma funciona como alerta para você não confiar em tudo e em todos. Mas tem pessoas boas também. Se for só ficar no pessimismo e amargura com tudo que está errado não há como viver.

 

Quais são os piores tipos de comentaristas da internet?

São aqueles que conhecem os limites do que pode ser publicado, nunca ofendem ninguém, mas as mensagens são campeãs da discórdia. Se eles veem uma notícia em que as pessoas que comentam gostam de uma celebridade, entram só para falar mal dela e irritar o público. Você não pode bani-la porque elas estão dentro das regras, mas muita gente se revolta e perde a linha com o usuário – e no final essas pessoas é que acabam bloqueadas. Certa vez conheci um troll que adorava falar mal da Apple em fóruns e descobri que ele tinha um iPad. Gostava de entrar para causar e acabar com os fanboys. Nesses casos o melhor é não responder porque, como falei, é muito provável que ele esteja lá apenas para rir da indignação que causou.

 

Você vê um futuro em que as pessoas vão aprender a ser mais civilizadas na internet ou acha que contar com o bom senso das pessoas ainda não é realista?

Acredito que sim, a internet é uma extensão da sociedade. Basta retroceder 50 anos na história e ver como evoluímos. Um exemplo de mãe: na minha infância era comum um personagem de desenho animado fumando – hoje sabemos que isto é um absurdo e evitamos mostrar aos filhos. Só não dá para esperar que seja da noite para o dia. Talvez, quando acontecer, a internet como a conhecemos hoje nem exista mais.

 

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Compra a edição nova da SUPER aí, gente. 


“O cara que divulgou as fotos tá errado, mas ninguém manda tirar foto pelada!” – a falácia do mundo justo e a culpabilização das vítimas

2 de setembro de 2014

“É claro que o cara que estuprou é o culpado, mas as mulheres também ficam andando na rua de saia curta e em hora errada!”. “O hacker que roubou as fotos dessas celebridades nuas está errado, mas ninguém mandou tirar as fotos!”. “Se você trabalhar duro vai ser bem-sucedido, não importa quem você seja. Quem morreu pobre é porque não se esforçou o bastante.” Você sabe o que essas afirmações têm em comum?

Há algum tempo falei aqui sobre como os humanos têm diversas formas de se enganar em relação à ideia que têm de si mesmos, quase sempre para proteger sua autoestima ou para saciar sua vontade de estar sempre certos. Mas nosso cérebro não nos engana só em relação a como vemos a nós mesmos: temos também a tendência de nos iludir em relação aos outros e à vida em geral. E as frases acima exemplificam uma maneira como isso pode acontecer: por meio da falácia do mundo justo.

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Por exemplo, embora os estupros raramente tenham qualquer coisa a ver com o comportamento ou vestimenta da vítima e sejam normalmente cometidos por um conhecido e não por um estranho numa rua deserta, a maioria das campanhas de conscientização são voltadas para as mulheres, não para os homens – e trazem a absurda mensagem de “não faça algo que poderia levá-la a ser violentada”.

Muitos estudos revelam outras formas de culpabilização da vítima. Em 1966, os pesquisadores Melvin Lerner e Carolyn Simmons pediram a 72 mulheres para assistir a uma atriz resolvendo problemas e recebendo choques elétricos (que eram de mentirinha, mas elas não sabiam) quando errava. Ao final do experimento, as mulheres tiveram de descrever a atriz – e muitas a desvalorizaram, criticando seu caráter e aparência e dizendo que ela havia merecido os choques.

O mesmo aconteceu em questões relacionadas a dinheiro. Lerner fez outro experimento, desta vez com dois homens resolvendo quebra-cabeças. Ao final, um deles recebeu uma grande quantia de dinheiro. O prêmio foi totalmente aleatório, e isso foi dito aos observadores. Mesmo assim, quando tiveram de avaliar os dois homens, eles disseram que quem havia recebido o prêmio era mais inteligente, mais talentoso, melhor em resolver quebra-cabeças e mais produtivo.

De lá para cá, muita pesquisa foi feita e obteve resultados semelhantes. Em um estudo sobre bullying feito em 2010 na Universidade Linkoping, na Suécia, 42% dos adolescentes culparam a vítima por ser “um alvo fácil”.

Para os pesquisadores, esses julgamentos estão relacionados à noção – amplamente difundida na ficção – de que coisas boas acontecem a quem é bom e coisas más acontecem a quem merece. A tendência a acreditar que o mundo é assim é chamada, na psicologia, de falácia do mundo justo. “Não importa quão liberal ou conservador você seja, alguma noção dela entra na sua reação emocional quando ouve sobre o sofrimento dos outros”, diz o jornalista David McRaney no livro “Você não é tão esperto quanto pensa”.  Ele acrescenta que, embora muitas pessoas não acreditem conscientemente em carma, no fundo ainda acreditam em alguma versão disso, adaptando o conceito para a sua própria cultura.

E dá para entender por que somos levados a pensar assim: viver em um mundo injusto e imprevisível é meio assustador e queremos nos sentir seguros e no controle. O problema é que crer cegamente nisso leva a ainda mais injustiças, como o julgamento de que pessoas pobres ou viciadas em drogas são vagabundas e têm mais é que se ferrar, que mulher de roupa curta merece ser maltratada ou que programas sociais são um desperdício de dinheiro e uma muleta para preguiçosos. Todas essas crenças são falaciosas porque partem do princípio de que o sistema em que vivemos é justo e cada um tem exatamente o que merece.

É importante notar que não estamos falando aqui sobre consequências de ações: se você não trabalha ou gasta todo o seu dinheiro com coisas inúteis, é bem provável que acabe sem grana nenhuma; se for escroto com todo mundo, é bem provável que tenha muita dificuldade em ter amigos de verdade – são escolhas ruins que costumam levar a resultados ruins. O problema é que, nesse caso, a falácia do mundo justo desconsidera os inúmeros outros fatores que influenciam quão bem-sucedida a pessoa vai ser, como o local onde ela nasceu, a situação socioeconômica da sua família, os estímulos e situações pelas quais passou ao longo da vida e o acaso. Programas sociais e ações afirmativas não rompem o equilíbrio natural das coisas, como seus críticos podem crer – pelo contrário, a ideia é justamente minimizar os efeitos da injustiça social. Uma pessoa extremamente pobre pode virar a dona de uma empresa multimilionária, mas o esforço que vai ter de fazer para chegar lá é muito maior do que o esforço de alguém nascido em uma família rica que sempre teve acesso à melhor educação e a bons contatos. “Se olhar os excluídos e se questionar por que eles não conseguem sair da pobreza e ter um bom emprego como você, está cometendo a falácia do mundo justo. Está ignorando as bênçãos não merecidas da sua posição”, diz McRaney.

Em casos de abusos contra outras pessoas, como bullying ou estupro, a injustiça é ainda maior, pois eles nunca são justificados – e aí a falácia do mundo justo se mostra ainda mais perversa. Portanto, toda vez que você se sentir movido a dizer coisas como “O estuprador é quem está errado, é claro, mas…”, pare por aí. O que vem depois do “mas” é quase sempre fruto de uma tendência a ver o mundo de uma forma distorcida só para ele parecer menos injusto.


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Imagens: Thinkstock e Tumblr


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