Como as pessoas funcionam Como as pessoas funcionam

Por Atualizado em 06/12/2016

Imagem: iStock
Imagem: iStock

A criatividade é um tema muito presente não só em estudos de psicologia e neurociência, mas também em indagações nossas de modo geral. Aquela ideia comum do gênio atormentado faz muita gente pensar se a criatividade não seria algo ruim para a saúde emocional – ou se as pessoas com problemas emocionais é que seriam atraídas de alguma forma para trabalhos artísticos.

Algumas pesquisas trouxeram luz a questões do tipo. É um fato comprovado vez após vez, por exemplo, que emoções positivas favorecem a criatividade, e pesquisas já mostraram uma ligação entre depressão e esquizofrenia e certos tipos de arte. Também já foram encontradas evidências de que trabalhos criativos favorecem estados emocionais positivos, mas boa parte dos trabalhos nestes casos focava em atividades criativas realizadas por voluntários em laboratório, ali ao lado dos pesquisadores.

Um estudo publicado recentemente no Journal of Positive Psychology e assinado por pesquisadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, da Universidade de Minnesota e da Universidade da Carolina do Norte em Greensboro, ambas nos Estados Unidos, trouxe algumas novidades.

Os autores recrutaram 658 voluntários entre 17 e 25 anos, todos estudantes universitários da Nova Zelândia, e pediram a eles que mantivessem um diário online durante 13 dias. Ali, eles tinham de responder a perguntas sobre seus sentimentos, pensamentos e atividades criativas que haviam feito em cada dia.

Por atividades criativas, o questionário definia: “ter ideias novas ou originais; expressar-se de uma maneira original e útil; ou passar tempo fazendo atividades artísticas (arte, música, pintura, escrita etc.)”. Os participantes davam uma nota em uma escala de 0 (nada) a 4 (muito) para o quanto haviam se engajado em coisas desse tipo.

A medição de seu estado emocional era feita por um questionário diário com 18 itens que mediam emoções positivas como energia, entusiasmo, excitação, felicidade, prazer, calma, contentamento etc. e negativas, como raiva, hostilidade, irritabilidade, ansiedade, tensão, tristeza etc. Havia a chamada “flourishing scale”, ou escala de florescimento, que media sentimentos ligados a ter um propósito ou significado para a vida, além de engajamento e conexão social.

Resultados

O estudo concluiu que, quando os voluntários se envolviam mais do que o usual em atividades criativas, isso provocava um aumento significativo na escala de emoções positivas e um aumento ainda maior na escala de “florescimento” no dia seguinte. Ou seja, eles ficavam mais felizes e sentiam que tinham um propósito na vida.

Por outro lado, um aumento nessas duas escalas não significou aumento de atividades criativas no dia seguinte, o que mostra que esse é um efeito de uma mão só. Também não houve diferença na medição de emoções negativas (o que mostra que, se ser mais criativo não diminui emoções negativas, também não as aumenta, como alguns talvez pudessem pensar).

Implicações do estudo

De acordo com os autores, esses resultados abrem uma nova possibilidade para as pessoas ao permitir colocar as atividades criativas ao lado de práticas como a meditação, o estímulo à gratidão e os exercícios físicos como fontes de bem-estar.

E um ponto importante que os autores fizeram questão de frisar: essas atividades criativas não se restringem a trabalhos profissionais de arte e podem incluir coisas tão simples quanto cozinhar um prato novo, tricotar ou fazer uns rabiscos legais.

“Como os traços de personalidade dos voluntários não alterou os efeitos da criatividade sobre o bem-estar, é provável que essa estratégia possa funcionar com todos os tipos de pessoas,” diz o estudo, que pode ser lido na íntegra aqui. Ou seja, você não precisa ter uma personalidade mais propensa às artes ou ser especialmente criativo para se beneficiar disso.

Podemos ter um bom trabalho ou não, podemos ter uma vida confortável ou não, mas estamos todos sujeitos àquele sentimento de não ver muito propósito no que temos feito. Por outro lado, alguns dias nos sentimos realizados mesmo tendo feito coisas simples. Talvez a criatividade seja um fator importante por trás disso.

Por Atualizado em 16/11/2016

(Imagem: iStock)
(Imagem: iStock)

Em tempos de crise, pode não haver muitas opções de trabalho e o importante é pagar as contas. Mas um estudo divulgado em março pela Universidade do Texas em Austin descobriu algo que, quando possível, vale ser levado em conta: aceitar um emprego abaixo de seu nível de qualificação pode prejudicá-lo ao se candidatar a um trabalho futuro. Os pesquisadores descobriram que isso faz com que os empregadores vejam você como menos comprometido e competente do que eles desejariam. Ah, o mundo corporativo…

Para analisar a questão, os pesquisadores enviaram 2.420 aplicações fictícias para 1.210 vagas reais de emprego em cinco cidades dos Estados Unidos (vale ressaltar: a pesquisa diz respeito à realidade dos EUA) e acompanharam as respostas dos empregadores a cada aplicação.

Os candidatos fictícios tinham todos o mesmo currículo, que incluía seis anos de experiência profissional anterior. Mas dois fatores variavam: o sexo e a situação de emprego dos candidatos durante o ano anterior. Parte dos currículos continha uma ocupação em tempo integral, outros tinham um trabalho de tempo parcial, um trabalho temporário, um emprego abaixo do nível de habilidade do candidato ou desemprego.

Considerando todas essas variáveis, dois resultados se destacaram:

– Apenas cerca de 5% dos homens e mulheres que tiveram um emprego abaixo do seu nível de habilidade recebeu um retorno positivo do empregador. Isso representa metade da taxa de retorno para os trabalhadores em empregos de tempo integral em seu nível de qualificação.

– Empregos temporários também se mostraram um fator negativo para a percepção do mercado, mas apenas para indivíduos do sexo masculino. Menos de 5% dos homens que trabalharam em tempo parcial no ano anterior receberam um retorno positivo. Para as mulheres, no entanto, não houve qualquer influência negativa considerável. Ter um emprego temporário no currículo também não pareceu ter efeito nem para homens, nem para mulheres.

“Embora milhões de trabalhadores estejam empregados em cargos de meio período, por meio de agências temporárias e em empregos abaixo de seu nível de habilidade, pouca atenção tem sido dada a como esses tipos de situações influenciam os resultados futuros de contratação dos trabalhadores”, diz o sociólogo David Pedulla, autor do estudo.

O que os empregadores dizem

Pedulla quis então entender por que dadas situações prejudicavam as chances das pessoas em um emprego futuro. Para isso, buscou informações diretamente com 903 pessoas que tomavam as decisões de contratação nos Estados Unidos. Usando perfis de trabalhadores semelhantes aos do primeiro estudo, ele questionou essas pessoas sobre suas percepções a respeito de cada candidato e seu histórico de trabalho, bem como sobre a probabilidade de recomendarem esses candidatos para serem entrevistados.

Ele descobriu que os homens em cargos de tempo parcial foram penalizados, em parte, por parecerem menos comprometidos com o trabalho. E os homens que aceitaram trabalhos abaixo de seu nível de habilidade foram penalizados por parecerem não apenas menos comprometidos, mas também menos competentes. Já as mulheres nessa mesma situação foram penalizadas por parecerem menos competentes, mas não menos comprometidas.

Pelo visto, o mercado considera mais aceitável para uma mulher do que para um homem estar em um emprego inferior à sua qualificação. O porquê disso ainda não está claro. “Os homens que ocupam cargos de tempo parcial, assim como homens e mulheres que estão em cargos inferiores ao seu nível de habilidade, enfrentam desafios reais no mercado de trabalho – desafios que merecem uma discussão mais ampla e atenção adicional”, disse Pedulla.

Via Futurity.org e Universidade do Texas em Austin.

 

Por Atualizado em 14/11/2016

Kylie Jenner e suas selfies (Foto: Getty Images)
Kylie Jenner e suas selfies (Foto: Getty Images)

O uso de redes sociais e todo o compartilhamento da vida pessoal online tem sido objeto frequente de críticas e análises, tanto de especialistas quanto de pessoas comuns (que, em alguns casos, são também conhecidas como especialistas em fazer textão sobre tudo).

Uma crença comum é a de que todo esse oversharing esvazia as relações off-line: as pessoas estariam interagindo apenas sob mediação da internet, o que resulta em relações superficiais e frias. Embora isso possa ser verdade em alguns casos, um estudo recentemente publicado no New Media & Society aponta para outra direção.

Entre 2010 e 2015, pesquisadores entrevistaram 2.789 estudantes universitários estadunidenses de cursos de comunicação com idade entre 18 e 25 anos. As perguntas envolviam seus hábitos no Facebook e sua atitude em relação à sua própria privacidade tanto na internet quanto no mundo off-line.

O resultado? Os usuários mais frequentes (ou heavy users) do Facebook – definidos pelos autores como aqueles que ficam uma média de 3,17 horas por dia acompanhando os posts de seus amigos e compartilhando informações sobre si próprios – tendem a manter uma atitude mais relaxada em relação à sua privacidade e compartilhar mais sobre sua vida também no mundo off-line.

“As pessoas às vezes não percebem o poderoso papel de socialização das mídias sociais”, diz uma das autoras do estudo, Mina Tsay-Vogel, professora assistente de comunicações de massa na Faculdade de Comunicação da Universidade de Boston e co-diretora do Centro de Pesquisa de Comunicação.

Mas há um outro aspecto revelado no estudo. Essa atitude mais desencanada em relação à privacidade dos heavy users de redes sociais reflete, segundo os autores, um conceito chamado “Teoria do cultivo”, já abordado por eles em um estudo anterior envolvendo os efeitos de se assistir à televisão.

Percepção de mundo

Segundo essa teoria, quanto mais tempo os espectadores passam assistindo a um mundo específico pela TV, mais eles acreditam que a realidade se assemelha a esse mundo. Os pesquisadores observaram que as pessoas tendem a achar que a TV reflete bem a realidade, e o mesmo pode estar acontecendo em relação à internet. Para Tsay-Vogel, os usuários das redes sociais desenvolvem uma expectativa de que a divulgação de informações faz parte da cultura on-line, e por isso talvez se empenhem nesse comportamento sem questioná-lo.

“Quando você está nas mídias sociais, também está envolvido no comportamento de auto revelação, e está vendo o que as pessoas estão revelando sobre si próprias”, diz ela. “Todo esse ambiente está nos contando uma história sobre o mundo virtual: que a auto revelação não está apenas em toda parte, mas que todo mundo se envolve nela de alguma forma, para ser gratificado através desses sites de redes sociais”.

Segundo ela, os próximos passos da pesquisa envolvem responder algumas perguntas: “Podemos estudar a auto revelação mediada? E como, com o tempo, as mídias sociais realmente cultivam nossas percepções da realidade?”. Além disso, o que exatamente significa revelar informações pessoais para esses usuários? Eles encontram conforto e apoio compartilhando sua vida ali?  Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

Via Futurity.org e Universidade de Boston.

Por Atualizado em 11/11/2016

“Eu sou 100% incrível e você sabe disso” (Crédito: Reprodução)   

É muito legal perceber como a ciência pode nos dar conselhos para fazer as coisas direito no dia a dia. É claro que, por estar sempre em construção, esse conhecimento não é infalível. Mas ter algum respaldo de estudos confiáveis já é uma boa vantagem.

Por exemplo: em situações em que somos postos à prova, como em uma entrevista de emprego, em uma nova faculdade ou até em um primeiro encontro com o crush, você já se perguntou se a melhor estratégia é ficar contando vantagem sobre suas capacidades ou se é melhor ser humilde?

Pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, investigaram isso em uma série de experimentos online envolvendo 400 voluntários. O procedimento teve duas etapas principais. Na primeira, os participantes leram comentários de dois tipos de pessoas: aquelas que diziam ter se saído melhor que a média em um teste de habilidades e aquelas que diziam ter se saído pior. Para cada um, no entanto, havia também os resultados desses testes, mostrando se esses comentários falavam a verdade ou não. Todas essas pessoas hipotéticas eram homens – os pesquisadores preferiram assim para neutralizar qualquer possível viés de gênero.

Havia, então, quatro cenários possíveis:

– A pessoa se gabou e de fato se saiu bem no teste;

– a pessoa se gabou, mas se saiu mal;

– a pessoa foi humildona e disse que se saiu mal, mas na verdade se saiu bem;

– a pessoa foi humildona e de fato se saiu mal.

Mas que tipo de teste era esse? Metade dos voluntários foi informada de que a habilidade testada era inteligência; a outra metade foi informada de que era um teste de moralidade. E eles tiveram então de julgar a inteligência/competência ou a moralidade dessas pessoas com base no resultado do teste e no comentário que cada um havia feito sobre si mesmo.

Resultados

A conclusão: os indivíduos percebidos como os mais competentes foram aqueles que se gabaram se seu desempenho e de fato obtiveram pontuação elevada no teste. Quem se saiu bem mas não se valorizou acabou sendo considerado menos competente do que esses primeiros. Isso mostra que, quando a competência está em jogo – e apenas se você for competente MESMO –, é melhor ser sincero quanto a isso do que manter um discurso de auto sabotagem. Isso não quer dizer que você deva sair contando vantagem para gente que nem lhe perguntou nada, é claro. É só uma questão de falar a coisa honesta na hora certa.

A coisa muda um pouco de figura, porém, no que se refere à moralidade. Aqui, a humildade é mais valorizada. Quem afirmou ter se saído pior que a média foi, independentemente de seu resultado, considerado como tendo uma moralidade maior do que aqueles que se gabaram.

Como você poderia imaginar, quem se gabou, mas teve um mau desempenho obteve também o pior julgamento da galera: foi considerado significativamente menos competente e menos moral do que todos os outros, independentemente do teste que fizeram.

“Em todos os casos, alegar ser melhor do que a média quando a evidência mostra o contrário é o pior movimento estratégico que você pode fazer”, diz Patrick Heck, estudante de pós-graduação no departamento de Ciências Cognitivas, Linguísticas e Psicológicas da Universidade Brown e um dos autores do estudo.

Segunda fase

A segunda fase do estudo envolveu um novo grupo de 200 voluntários. Metade deles fez o mesmo que os participantes do primeiro experimento, com uma única diferença: todos os testes hipotéticos eram de inteligência, e não de moralidade. Os resultados foram muito semelhantes aos anteriores.

Mas houve um elemento novo para a outra metade do grupo. Parte deles obteve acesso aos resultados dos testes, mas não sabia se as pessoas haviam se gabado ou se rebaixado. Nesses casos, as pessoas hipotéticas que foram bem no teste foram vistas como mais competentes, mas não mais morais do que aquelas que pontuaram baixo.

Já a outra parte dos voluntários não teve acesso ao resultado do teste, só aos comentários das pessoas se gabando ou não. Resultado: aqueles que se gabaram sobre sua inteligência foram julgados como mais competentes (mesmo sem ninguém poder provar), mas menos morais do que os que foram mais humildes em seus comentários.

Moral da história

O que fica de conclusão é: se você quer ser visto como inteligente, vale a pena se gabar um pouco, desde que você seja de fato competente OU não haja evidências disponíveis para provar o contrário. Esses dois grupos foram considerados os mais competentes, mesmo em comparação com quem era inteligente, mas disse que não era.

Quem costuma se autodepreciar precisa ficar atento: aqueles que fizeram isso e não tiveram nenhuma evidência para mostrar (seja ela confirmando ou refutando essa pouca competência) foram considerados os menos espertos de todos. Quem disse que havia ido mal em um teste e mostrou resultados baixos era visto como mais competente do que aqueles que disseram que haviam ido mal, mas seus resultados não eram conhecidos. Se você tem a autoestima baixa e não consegue fazer comentários positivos sobre si mesmo, a melhor estratégia pode ser não falar nada, a menos que você tenha evidências objetivas para mostrar.

Mas há ainda um outro aspecto: se você está preocupado com a sua moralidade percebida – algo que se relaciona à sua amabilidade, confiabilidade e ética –, o melhor caminho é evitar se gabar, sempre. Mesmo que tenha bons resultados para mostrar. Neste aspecto, os mais humildes são os que sempre pontuam melhor.

Via Futurity.org e Universidade Brown.

 

 

Por Atualizado em 04/11/2016

Imagem: BBC/Reprodução
Imagem: BBC/Reprodução

Quem já sofreu com o estresse no trabalho sabe como é possível adoecer de verdade de tanto trabalhar. Mas algumas pessoas podem ter empregos altamente exigentes e cansativos sem sofrer por isso, enquanto outras parecem ter um serviço mais tranquilo, mas são completamente infelizes. O que torna um trabalho prejudicial à saúde?

Um estudo da Universidade de Indiana traz bons esclarecimentos sobre isso.  Os autores acompanharam 2.363 trabalhadores de vários setores no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, por um período de sete anos. Todos eles tinham 60 anos ou mais e estavam perto de se aposentar.

Foram analisados dois fatores como preditores conjuntos da morte de empregados: as exigências do trabalho (quantidade de serviço, pressão de prazos e concentração exigida) e o controle sobre esse trabalho (o nível de autonomia que a pessoa tem sobre a tomada de decisões naquele ambiente). Segundo Erik Gonzalez-Mulé, autor principal do estudo e professor-assistente na Universidade de Indiana, pesquisas desse tipo são raras no campo da psicologia organizacional e de gestão.

A conclusão foi que o grande problema não é o que muitos poderiam pensar – um chefe grosseiro, muita pressão por resultados, pesadas responsabilidades. Esses fatores até podem estar ligados ao problema em si, mas não necessariamente. O fator de risco é, na verdade, a falta de flexibilidade e de autonomia sobre o trabalho. Isso pode existir mesmo quando você tem um chefe amigo ou um emprego que não demande grandes esforços.

O estudo descobriu que empregados com pouca autonomia são menos saudáveis e até mesmo morrem mais cedo do que os outros. Nesse tipo de ocupação, altas demandas estavam associadas a um aumento de 15,4% no risco de vida, em comparação com empregos de baixa autonomia e baixas exigências.

Mas acontece o contrário para quem tem maior controle sobre seu trabalho: nesses casos, ter altas demandas de trabalho está associado a uma redução de 34% no risco de vida em comparação com aqueles com baixas demandas. Você leu certo: para essas pessoas, trabalhos que exigem bastante fazem bem.

Estresse bom

“Estes resultados sugerem que trabalhos estressantes têm claras consequências negativas para a saúde do empregado quando combinadas com baixa liberdade na tomada de decisões, enquanto os trabalhos estressantes podem ser realmente benéficos se combinados com maior autonomia”, diz Gonzalez-Mulé.

Assim, um trabalho exigente pode ter suas consequências negativas evitadas se a pessoa tiver liberdade para definir seus próprios objetivos, horários e prioridades. Gonzalez recomenda, ainda, que as empresas deem voz aos seus funcionários na hora de estabelecer metas, por exemplo.

O estudo também constata que as próprias pessoas com um maior grau de controle sobre seu trabalho tendem a achar que o estresse seja útil. Empregos estressantes acabam obrigando a pessoa a buscar maneiras diferentes de resolver problemas e conseguir fazer seu trabalho. Isso pode ser bom quando se tem autonomia: pode estimular a criatividade e dar mais energia para superar os desafios. Por outro lado, se torna um problema quando a pessoa não tem liberdade para tentar fazer as coisas de um outro jeito.

Outros índices

O índice de massa corporal também foi medido, e o resultado foi semelhante: pessoas com empregos de alta demanda e baixa autonomia apresentaram maior sobrepeso. Segundo os autores, é comum as pessoas acabarem buscando alívio na comida, no cigarro e em coisas do tipo para conseguir lidar com o estresse – o que pode implicar em mais problemas para a saúde.

Os dados vieram do Estudo Longitudinal Wisconsin, uma pesquisa bem maior que acompanhou mais de 10.000 pessoas que se formaram em escolas de ensino médio daquele estado em 1957. Eles foram entrevistados em várias ocasiões ao longo de sua vida até 2011, para fornecer dados sobre experiências educacionais, ocupacionais e emocionais.

O estudo foi publicado no jornal Personnel Psychology e as informações deste post foram fornecidas pela Universidade de Indiana