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Como lidar com um babaca no trabalho, segundo a ciência

21 de maio de 2015

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Não é nenhum segredo: passar o dia com gente legal pode nos deixar felizes, conviver com gente chata faz com que nos sintamos mal com alguma frequência. Mas ter de lidar com colegas de trabalho escrotos faz mais do que isso: pode prejudicar nosso desempenho profissional.

Essa foi uma das conclusões do estudo liderado pela professora Gretchen Spreitzer, da Escola de Negócios Ross da Universidade de Michigan. Ela e sua equipe já haviam descoberto, em estudos anteriores, que perspectivas de crescimento na empresa e relacionamentos com pessoas positivas (que eles chamam de relações “energizantes”) levam a um melhor desempenho profissional e melhores resultados nos negócios.

O estudo de agora vai pelo caminho oposto: descobrir se a relação com pessoas babacas (que seriam as “desenergizantes” ) são apenas um pé no saco ou se tem consequências mais profundas.

Foram feitos então dois estudos em duas empresas diferentes. Na primeira, foi pedido a funcionários de TI em uma empresa de engenharia que avaliassem suas relações com os colegas. Os pesquisadores também analisaram as avaliações de desempenho de cada funcionário. O resultado foi que, quanto mais uma pessoa tinha que interagir com gente babaca, menor era seu desempenho no trabalho.

O segundo estudo, feito com funcionários de uma empresa de consultoria, teve essas mesmas características, mas com uma coisa a mais: os voluntários também tiveram de responder o quanto achavam que estavam prosperando na carreira. Os resultados revelaram que quem sentia que tinha boas chances de crescimento profissional se saiu melhor em suas avaliações de desempenho, apesar da convivência com as pessoas “desenergizantes”.

A perspectiva de crescer na empresa atenua os efeitos negativos das pessoas negativas“, comenta a autora. E isso mostrou a ela que há algumas medidas que empregados e chefes podem adotar para evitar que esses tipos prejudiquem os outros:

 

Como lidar se você é funcionário

- Limite tanto quanto puder as interações com pessoas negativas e babacas, sem medo.

- Aumente o tempo que você gasta com pessoas que fazem você se sentir bem.

- Tenha certeza de que o seu trabalho é significativo.

 

Como lidar se você é chefe

- Defina padrões de comportamento adequado no ambiente de trabalho e cobre de seus funcionários o respeito a essas regras. Spreitzer observa que, muitas vezes, pessoas difíceis são tecnicamente boas no que fazem, e por isso há uma tendência da chefia em fazer vista grossa ao mau comportamento.

- Leve em conta o comportamento da pessoa antes de decidir promovê-las – lembre-se de que as promoções afetarão outras pessoas.

- Dê aos funcionários feedback regular sobre seu trabalho e priorize os treinamentos que envolvam cultura de trabalho e comportamento profissional.

 

Para a autora, tais medidas não só melhoram o dia a dia das pessoas, como também afetam os resultados da empresa – gente feliz produz mais e melhor – e aí todo mundo sai ganhando.

Os resultados aparecerão no Journal of Applied Psychology. Mais sobre o estudo aqui.

 


Estudo descobre truque simples para combater a procrastinação

11 de maio de 2015

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É segunda-feira e a sua lista de tarefas para a semana já está bem robusta, com algumas coisas mais complexas que vão exigir um trabalho considerável. Mas calma aê, né? Você ainda está se recuperando da melancolia de domingo e tem vários dias pela frente para resolver tudo. O seu eu do futuro vai certamente lidar com tudo muito melhor. Chega a noite de quinta-feira e você não fez nem um terço do que precisava fazer. Mas poxa, você trabalhou a semana inteira (enquanto não estava no Facebook), está cansado e merece um pouquinho de diversão também. Não tem problema ver uns episodiozinhos de uma série no Netflix e deixar o seu eu do futuro fazer o trabalho depois – ele vai produzir bem mais estando relaxado.

Se você é do time dos procrastinadores, esse tipo de pensamento deve ter morada certa na sua cabeça. E é justamente esse, meu caro, o porquê de você não conseguir sair dessa vida. “As pessoas assumem que devem dar conta do presente e que seu eu do futuro pode lidar com o que está por vir. Esta regra aparentemente plausível pode desviar as pessoas, em parte porque alguns eventos futuros exigem ação atual”, explica Daphna Oyserman, professora de Psicologia e pesquisadora da Universidade do Sul da Califórnia (University of Southern California, ou USC).

Segundo ela, para que o futuro possa motivar a ação atual, ele deve parecer iminente. E isso pode acontecer com um truque simples: se pensarmos no futuro como o agora, alterando as métricas que usamos para medir o tempo. Em uma série de experimentos, Oyserman e o co-autor Neil Lewis Jr., da Universidade de Michigan, descobriram que os participantes viam o futuro como sendo muito mais próximo quando calculavam suas metas e prazos em unidades de dias em vez de meses ou anos – e, assim, sentiam-se mais motivados para realizar seus objetivos.

No primeiro teste, 162 participantes foram convidados a imaginar a preparação para eventos futuros, como um casamento ou uma apresentação do trabalho, e em seguida foram perguntados sobre quando o tal evento iria ocorrer. Mas eles foram aleatoriamente designados para pensar em termos de dias, meses ou anos. Resultado: aqueles que contavam o tempo usando dias informaram que o evento iria ocorrer, em média, 29,6 dias mais cedo do que aqueles que pensavam no evento como estando a meses de distância. Uma segunda série de estudos explorou se essa noção de tempo afeta planos para começar a poupança de longo prazo. Mais de 1.100 voluntários foram perguntados sobre quando iriam começar a poupar dinheiro para a faculdade ou aposentadoria, e descobriu-se que planejavam começar a poupar quatro vezes mais cedo aqueles que pensavam no evento em termos de dias em vez de anos. E não era só sobre o dinheiro: eles se sentiam mais ligados ao seu eu futuro e estavam mais dispostos a deixar de lado os gastos com recompensas atuais.

O fato é que, como apontam os pesquisadores – e nós bem sabemos –, tempo, recursos e atenção são limitados.  Sendo assim, nós os alocamos para os eventos que são urgentes – aqueles que devem acontecer em questão de dias (ou horas, se você for procrastinador nível hard) e deixamos de lado aqueles que acontecerão meses ou anos mais tarde. Isso é natural; o problema é que estamos sempre sendo pressionados por necessidades urgentes e é muito difícil conseguir parar para se dedicar a planos que estão mais lá para a frente – e, quando eles chegam, já estamos super atrasados. Pensar no futuro usando métricas mais, digamos, sensíveis (meses em vez de anos, dias em vez de meses e horas em vez de dias, por exemplo), provou ser de grande ajuda para torná-lo um foco de atenção já. E isso é importante não só porque cria a impressão de urgência maior, mas porque, como diz o estudo, “dá a sensação de que o futuro e o presente estão conectados e, portanto, são harmônicos em vez de conflitantes”. Bora tentar?

O estudo foi publicado na revista Psychological Science.

 

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“Ok! Vamo dar uma estudadinha!”
“Merrd””

 

 Imagens: Thinkstock e Imgur


Como a sua profissão afeta o seu cérebro

30 de abril de 2015

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O seu trabalho influencia aspectos da sua vida que vão muito além daquelas oito horas que você passa na firma – pode afetar sua saúde, sua vida familiar e até determinar o tipo de pessoas com quem você anda e o tipo de lugar que frequenta. Mas um estudo publicado nesta quarta-feira (29) na Neurology, jornal médico da Academia Americana de Neurologia, indica que ele faz ainda mais: pode determinar como o seu cérebro vai envelhecer.

Os pesquisadores acompanharam 1.054 pessoas com mais de 75 anos por oito anos. Eles passavam, a cada 18 meses, mais ou menos, por um teste clínico chamado “Mini-Mental State Examination” (MMSE), que media sua memória e habilidades de raciocínio.

Os participantes também tiveram que contar sua história profissional e categorizar as tarefas que desempenhavam no trabalho em três grupos: executivo (inclui programar trabalhos e atividades, desenvolver estratégias e resolver conflitos), verbal (envolve avaliar e interpretar informações) e fluido (inclui aquelas tarefas que exigem atenção seletiva e análise de dados).

A conclusão foi que profissionais cujos empregos exigem mais atividades verbais, desenvolvimento de estratégias, resolução de conflitos e atividades gerenciais podem apresentar melhor proteção contra o declínio da memória e do raciocínio decorrente da velhice.

“Nosso estudo é importante porque sugere que o tipo de trabalho que você faz toda a sua carreira pode ter um significado ainda maior em sua saúde cerebral do que a educação que você teve”, afirmou ao Medical Xpress a autora, Francisca S., da Universidade de Leipzig, na Alemanha. “A educação é um fator bem conhecido que influencia o risco de demência”, completa.

Nos testes de memória e raciocínio, aqueles cujas carreiras tinham o nível mais alto dos três tipos de tarefas marcaram dois pontos a mais em relação às pessoas com nível mais baixo. É importante notar que, nos testes MMSE, uma pequena diferença em pontos faz muita diferença na prática. Eles também tiveram a taxa mais lenta de declínio cognitivo: durante os oito anos em que foram acompanhados, sua taxa de declínio foi a metade da taxa dos outros participantes. As tarefas que mais pesaram para essa diferença foram as executivas e verbais.

Isso quer dizer que ter um trabalho desafiador pode significar um futuro saudável para o seu cérebro. Nas palavras da autora do estudo: “Esses desafios podem ser um elemento positivo, se ajudarem a construir a reserva mental de uma pessoa no longo prazo.”


A verdade (meio perturbadora) por trás dos casais que se parecem fisicamente

26 de fevereiro de 2015

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(Dimitrios Kambouris/Getty Images)

Mães e avós muitas vezes disparam algumas verdades sobre a vida que a gente não faz ideia de onde vêm. Sabedoria milenar transmitida de geração para geração? Crendices que calham de ser aplicáveis em algumas situações? Vai saber. Mas uma coisa que a minha mãe disse algumas vezes me deixou especialmente curiosa: “quando o casal se parece fisicamente, eles se casam”. Eu já me peguei repetindo isso ao falar sobre casais de amigos que se dão bem e cuja semelhança física está em traços do rosto, mesmo, e vão muito além de meros trejeitos adquiridos pela convivência.

Para confirmar a teoria, sites por aí estão publicando listas com casais que parecem irmãos gêmeos e eu comecei a achar isso tudo meio perturbador. E aquele papo de que opostos se atraem? A gente vai acabar com uma pessoa que é a nossa cara no sentido físico da coisa? Para a minha surpresa, a ciência parece comprovar a teoria da minha mãe. O site Mic.com reuniu uma série de evidências que apontam para essa direção. Vamos lá.

Evidência 1: procuramos uma sensação de familiaridade

Por mais que você seja do tipo que curte aventuras e desafios e explorar o desconhecido, temos que admitir que humanos se sentem confortáveis com as coisas que conhecem – e o que existe de mais familiar do que a nossa própria cara? Sobre isso, o pesquisador em psicologia Tony Little, da Universidade de Stirling, na Escócia, já afirmou: “Quando você tem um rosto que se parece mais com você, tende a confiar mais e achar que é mais amigável”.

Há números para comprovar essa tendência: a pesquisadora Emma Pierson estudou 1 milhão de “matches” do site de namoro eHarmony e descobriu que as pessoas se mostram MUITO mais interessadas ​​em pessoas parecidas com elas. Pessoas que apresentavam alguma característica física mais específica tendiam a preferir outros com esse mesmo traço. Mulheres mais altas apresentam uma preferência mais intensa do que as outras mulheres por homens altos, por exemplo. O mesmo se dá com pessoas mais atléticas. Uma pesquisa publicada no Personality and Social Psychology Bulletin em 2010 confirma essa tendência ao observar que o cérebro processa imagens familiares com mais facilidade. Na real, o cérebro curte TANTO uma familiaridade que um estudo de 1995 com pessoas casadas descobriu uma incidência muito alta de casais com nomes que soavam parecido (tipo Kim e Kanye).

Evidência 2: somos narcisistas

Quando se trata de comportamento humano, as explicações nunca são simples. Neste caso, além da familiaridade, há outros fatores envolvidos e um deles é o narcisismo natural de cada um. Lembra aquele estudo de 2010 citado acima? Os seus autores também pediram aos participantes que avaliassem fotos de estranhos em relação à sua atratividade sexual. Mas havia uma particularidade: algumas fotos foram manipuladas digitalmente e misturavam o rosto de um desconhecido com o do participante. Sem perceber o truque, os voluntários consideraram essa fotografia misturada com seu próprio rosto a mais atraente de todas. Haja amor-próprio.

E tem mais: estudos anteriores com casais heterossexuais concluíram que os pares frequentemente apresentavam estruturas de DNA semelhantes. Um trabalho da Universidade de Western Ontario com gêmeos idênticos descobriu algo ainda mais doido: eles não só se parecem com seus parceiros, mas os cônjuges dos gêmeos muitas vezes se pareciam muito entre si.

Evidência 3: buscamos personalidades parecidas com a nossa

Por fim, existe também o fato de que nosso rosto transmite (de forma verdadeira ou não) alguns traços de nossa personalidade e permitem sacar logo se a pessoa é brincalhona, relaxada, brava, tensa etc. A procura por pessoas com personalidade semelhante à nossa pode, assim, acabar nos atraindo a quem a demonstre através de seu rosto de alguma forma.

Ok, é meio esquisito pensar que a gente pode acabar com alguém muito parecido conosco, mas analisando assim faz sentido, né?


Estudo mostra como meditação “mindfulness” beneficia o cérebro

18 de fevereiro de 2015

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De uns anos para cá, um tipo de meditação ficou bastante popular no Ocidente: a chamada mindfulness, o que pode ser traduzido como “atenção plena”.  Enquanto a meditação clássica consiste em focar na respiração e não pensar em nada, a mindfulness envolve colocar toda a atenção no que estamos vivendo e sentindo naquele momento, sem julgamentos. Em vez de buscar um nível de transcendência, aqui se busca estar plenamente presente.

Pesquisas já haviam comprovado que essa prática era benéfica para a saúde e a mente das pessoas. Agora, um estudo da Universidade Carnegie Mellon (na Pensilvânia, EUA) conseguiu, de acordo com o professor e autor J. David Creswell, “uma das primeiras explicações biológicas baseadas em evidências” para isso.

E tudo se deve à redução do stress que essa meditação promove. Quando uma pessoa está estressada, a atividade no córtex pré-frontal (área do cérebro responsável pelo pensamento consciente e planejamento) diminui, enquanto a atividade na amígdala, no hipotálamo, e no cíngulo anterior do córtex – regiões que ativam respostas ao stress – aumentam.

A meditação mindfulness inverte esses padrões: ela aumenta a atividade pré-frontal, o que pode regular e “desligar” a resposta biológica ao stress. Isso torna possível reduzir o risco e a gravidade de doenças ligadas a essas respostas, como depressão e problemas do coração.

Creswell acredita que, ao entender como esse tipo de treinamento da mente afeta diferentes doenças e distúrbios, os pesquisadores serão capazes de desenvolver melhores tratamentos e trabalhar com os que já existem de forma mais eficaz.


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