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Rebeldia e conformismo podem estar relacionados a tamanho de região cerebral

Ana Carolina Prado 21 de fevereiro de 2012


Qual será que era o tamanho do córtex orbitofrontal lateral de James Dean, hein?

Cientistas das Universidades de Nova York, Aarhus e College London descobriram uma relação entre a quantidade de matéria cinzenta (basicamente, as células nervosas, onde o processamento das informações ocorre) em uma região cerebral específica e a propensão das pessoas a serem influenciadas pelas pressões sociais. O conformismo, no caso, significa o quanto nos deixamos levar pela opinião dos outros quando fazemos escolhas – desde aquilo que vamos comer no jantar até nossas preferências políticas.

Para identificar as regiões estruturais do cérebro que poderiam se relacionar com essa característica, os pesquisadores mediram os volumes das áreas cerebrais de 28 participantes a partir de imagens tridimensionais fornecida por Ressonância Magnética (RM).

Para medir como reagem à influência social, os participantes tiveram de fazer uma lista de suas músicas preferidas duas vezes: uma antes e outra depois de um crítico musical especializado ter dado sua opinião sobre essas escolhas e ter feito sua própria lista. O grau em que as suas opiniões diferiam entre uma lista e outra serviu como uma medida de conformidade à opinião alheia.

O resultado

Os pesquisadores descobriram que uma única região cerebral estava associada a essa característica: o córtex orbitofrontal lateral, em ambos os hemisférios do cérebro. A descoberta sugere que essa área está programada para reconhecer sinais de conflito social (como quando uma pessoa – no caso, um especialista – não aprova sua escolha), o que pode levar seu cérebro a atualizar suas opiniões para se conformar com a dos outros. Pode ser por isso que pessoas que tenham sofrido danos nessa região muitas vezes exibem alterações de personalidade e interação social.

Segundo o autores, o resultado é importante para mostrar que a nossa capacidade de nos adaptarmos aos outros e alinharmos nossas opiniões é, pelo menos em parte, uma questão estrutural: depende do nosso hardware (a estrutura do nosso cérebro), e não tanto do software (o processamento das informações que ocorre ali). E pode já estar determinado no momento do seu nascimento.

O estudo foi publicado recentemente no periódico Current Biology.

Via Wellcome Trust.


Bebês já fazem amigos muitos antes de começar a falar

Ana Carolina Prado 20 de fevereiro de 2012

Mesmo ainda sem poder falar, bebês já sabem fazer piadinhas e formar amizades. Foi o que descobriu um grupo de pesquisadores da Universidade Charles Sturt, da Austrália, depois de passar dois anos filmando o comportamento das crianças.

Para isso, eles usaram pequenas câmeras acopladas à cabeça dos pequenos por 10 minutos a uma hora para ter o que chamam de “olhar do bebê” e descobrir mais sobre suas interações secretas.

O resultado foi digno de episódios do desenho Rugrats. Os pesquisadores se surpreenderam ao ver que crianças de seis a 18 meses usam uma linguagem nao-verbal bastante sofisticada para fazer amigos e provocar o riso uns nos outros.

“Nós ficamos muito, muito surpresos ao ver quão sofisticados eles são em termos de habilidades sociais, habilidade de ajudar uns aos outros e em ter certeza de que estão convidando outras crianças a fazerem parte de seu grupo”, disse Jennifer Sumsion, uma das autoras do estudo, à agência AFP.

Usando o contato visual, gestos com a mão e o humor, os bebês criaram pequenos jogos sociais tão sutis que só quem estivesse olhando muito de perto poderia perceber. Exemplos disso: um bebê finge que vai entregar um brinquedo a outra criança, mas o afasta no último minuto; ou um grupinho de crianças sentadas perto umas das outras brincam de trocar suas mamadeiras entre si.

Teve ainda uma menininha de um ano de idade que tentou confortar um bebê que estava assustado. Para isso, ela colocou com cuidado sobre os olhos do outro um pedaço de tecido que permitia enxergar através dele, mas ao tempo fazia com que se sentisse protegido. Fofo, né?

Os pesquisadores esperam que a pesquisa lance luz sobre o mundo secreto dos bebês e ajude a descobrir os melhores métodos para educá-los.

 

Imagem: Stock.XCHNG


53 conselhos errados que as pessoas dão

Ana Carolina Prado 17 de fevereiro de 2012

Para quem sentiu falta da série Conselhos Errados, que eu parei de publicar aqui no blog há um tempinho, vai aqui uma explicação e uma boa notícia: os conselhos estavam sendo reservados para um especial que a SUPER acabou de lançar! Ele traz nada menos que 53 conselhos ou ditos amplamente repetidos por aí que, por mais que carreguem boas intenções, são desmentidos pela ciência e podem, em boa parte das situações, até piorar tudo.

Sabe aqueles papos de “pense positivo!”, “siga seu coração”, “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” ou “o dinheiro não compra felicidade”? Vamos fazer você repensar tudo isso. Clichês de relacionamentos, como “você tem que se fazer de difícil”, também serão desmentidos.

Nem mesmo o sábio Steve Jobs escapou. Você vai ver que aquele famoso discurso em que ele diz “Faça só o que você ama e não aceite menos que isso” traz um dos piores conselhos que alguém poderia te dar.

O especial custa R$ 11,95 e já está nas bancas. Quanto à série no blog, pode esperar que ela voltará em breve!


Universidade promove competição para descobrir quem ama mais (em nível cerebral)

Ana Carolina Prado 17 de fevereiro de 2012

"Competidores terão 5 minutos em uma máquina fRMI para amarem o máximo que conseguirem"

É possível que algumas pessoas possam amar mais do que outras? A Universidade de Stanford (famosa por seus experimentos pouco comuns) realizou a 1ª Competição Anual do Amor para tentar responder a esta pergunta– e sim, é possível.

Sete pessoas de 10 a 75 anos de idade participaram. As regras: cada pessoa devia passar cinco minutos em uma máquina de ressonância magnética funcional enquanto pensava em alguém que amava – ou no sentimento em si – da forma mais intensa possível. Os pesquisadores, então, mediriam a atividade cerebral das áreas envolvidas na produção dos componentes neuroquímicos (serotonina, dopamina e ocitocina /vasopressina) do amor. Quem mostrasse maior atividade nessas áreas ganhava.

O estudo foi feito pelo Stanford Center for Cognitive and Neurobiological Imaging (CNI) e aparece no curta-metragem da revista Wholphin. Dá pra ver a seguir, em inglês.

O vencedor foi Kent, um senhor de 75 anos que se concentrou na esposa que havia conhecido em um encontro às escuras em 1961. O sentimento foi instantâneo: eles ouviram sinos e três anos depois estavam noivos. Ele contou que até hoje pode sentir isso, mas que a paixão inicial foi ficando mais moderada enquanto o seu respeito e admiração por ela aumentavam.

Mas a parte mais fofa do vídeo foi a do segundo lugar. Milo, um menino de 10 anos que tentou explicar o amor como “um sentimento que você tem por alguém… por quem você tem sentimentos”. Ele contou que nunca amou ninguém naquele sentido romântico e, para o teste, se concentraria na sua priminha recém-nascida.

Quem saiu ganhando mesmo com a competição foi o cara que ficou em último lugar e descobriu que não amava a ex-namorada tanto quanto pensava. Ele ainda estava sofrendo por ela e comparou a experiência do rompimento com a morte. Para a competição, disse que se concentrou nas primeiras semanas de namoro, “quando as coisas estavam perfeitas”. Quando soube do resultado, saiu triunfante.

Uma experiência lindona para provar que a ciência também pode emocionar.


Segredo das pessoas populares pode ser a habilidade de “ler mentes”

Ana Carolina Prado 13 de fevereiro de 2012

De acordo com um estudo das universidades de Oxford e Liverpool (Inglaterra), o segredo de quem tem muitos amigos pode estar na capacidade de “adivinhar” o que outras pessoas estão pensando e, em especial, antecipar o que querem. É claro que a habilidade não tem nada a ver com uma habilidade sobrenatural e sim com a sensibilidade e boa leitura de sinais, que permitem captar o estado mental de outras pessoas. O termo usado pelos cientistas para isso é “mentalising”.

Pois bem. Os pesquisadores descobriram que o córtex órbito-frontal (parte do cérebro logo acima dos olhos, importante para as habilidades sociais e a capacidade de imaginar o que está rolando na cabeça de outra pessoa) é bem maior em quem tem muitos amigos. O estudo também sugeriu uma ligação entre a habilidade da ‘leitura de mentes’ e a capacidade de manter um círculo de amigos realmente significativos, ao contrário de meros conhecidos.

Depois de terem seu cérebro analisado por meio de ressonância magnética na Universidade de Liverpool, 40 voluntários tiveram que listar todas as pessoas com quem haviam se envolvido socialmente (o que não incluía relações profissionais) ao longo dos últimos sete dias. Eles também passaram por um teste psicológico de sua capacidade de “ler a mente” dos outros.

Região onde fica o córtex órbito-frontal, logo acima dos olhos; imagem: Wikipedia

O professor e pesquisador Robin Dunbar, do Instituto de Biologia Evolutiva e Cognitiva da Universidade de Oxford, explicou ao jornal Daily Mail: “Descobrimos que os indivíduos que tinham mais amigos se saíram melhor em tarefas de ‘mentalising’ e tinham mais volume neural no córtex órbito-frontal.”

A psicóloga e co-autora do estudo Joanne Powell, da Universidade de Liverpool, completou: “Talvez a descoberta mais importante do nosso estudo seja termos sido capazes de mostrar que a relação entre o tamanho do cérebro e o tamanho da sua rede social é mediada pela habilidade de ler mentes”.

O professor Dunbar ainda ressaltou a importância de lembrar que todos os voluntários eram estudantes de pós-graduação com praticamente a mesma idades e com oportunidades semelhantes para atividades sociais. Mesmo assim, alguns se deram melhor que outros. Apesar de fatores como a quantidade de tempo livre para socializar, onde vivem, sua personalidade e gênero influenciarem os tipos de amizade que a pessoa terá, a habilidades de saber o que se passa na mente dos outros foi um fator predominante.


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