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Esta é a nova árvore genealógica das raças de cachorro

Dos chihuahuas aos rottweilers, ela descreve os parentescos genéticos de mais da metade das variedades atuais

Independentemente do tamanho, da quantidade de pêlos ou nível de fofura, algo que todos os tipos de cães domésticos compartilham é a origem genética: todos são da mesma espécie, Canis lupus familiaris. Domesticados por nossos antepassados há pelo menos 15 mil anos, os cachorros foram se diferenciando com o tempo, sendo moldados por migrações, pelo clima, e também pela relação com os humanos. Pela primeira vez, os cientistas conseguiram mapear essas diferentes influências – criando uma árvore genealógica para as raças atuais.

Resultado de um trabalho de 20 anos de Elaine Ostrander e Heidi Parker, pesquisadoras do Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, o mapa considerou amostras de 1346 animais, de 161 variedades diferentes – número que, apesar de expressivo, representa pouco mais da metade de raças de cachorro que existem atualmente no mundo. Os cãezinhos foram divididos em 23 grupos, chamados de “clades”, que puseram lado a lado as variedades mais próximas entre si.

Há o grupo dos fortões, em que estão, por exemplo, buldogues, boxers e boston terriers. Os mais calminhos, como pastor inglês, corgi, e border collie, integram outro “clade”, mais distante geneticamente. É o que acontece com Chow chow, husky siberiano e outros primos de origem oriental, organizados em um terceiro setor, distante dos outros dois. Você pode conferir abaixo.


Analisar as ramificações da árvore permite entender também o momento em que cada raça foi criada. Sabe-se que o surgimento de cães como o golden retriever ou o setter irlandês, por exemplo, está ligado à Era Victoriana. Durante esse período de expansão massiva na Inglaterra, as variedades teriam sido utilizadas para caças, ou em expedições de desbravamento.

Histórias como essa sugerem que a diferenciação ocorreu observando propósitos específicos – selecionados pelo homem a partir dos cruzamentos entre diferentes raças. Se hoje os cães são a escolha preferida para bichos de estimação, é exatamente porque são versáteis às nossas necessidades. Quer um guarda para sua casa? Um pitbull ainda é a escolha mais convencional. Prefere um mais companheiro? Quem sabe a sua seja um labrador. E por aí vai.

Os dados são interessantes também por mostrarem quais tipos ajudaram a dar origem a novas variedades. Os simpático pugs, por exemplo, eram utilizados na Europa do século 16 como base para criar outras raças. Isso explica porque traços de seu DNA podem ser encontrados em vários outros cachorros de porte pequeno, afirmou Parker à revista Nature.

Encontrar esse tipo de inter-relação é a chave para que se consiga prever a ocorrência de possíveis problemas genéticos, frutos dos cruzamentos entre raças de cães. Certas regiões específicas do genoma, quando replicadas muitas vezes, podem passar à frente doenças hoje comuns a diferentes tipos de cachorro. “Utilizando todos esses dados, pode-se mapear as migrações dos genes responsáveis por essas doenças, e prever as situações em que eles têm mais chance de se manifestar”, pontua Ostrander.