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4 maneiras de resfriar as cidades agora – sem ar-condicionado

Segundo relatório da ONU, a demanda por refrigeração pode triplicar até 2050. Conheça estratégias para evitar um aumento das emissões de CO2.

Por Maria Clara Rossini 13 nov 2025, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h29
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Na última terça-feira (11), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) lançou o Global Cooling Watch 2025, um relatório sobre calor extremo e bem-estar térmico. No atual cenário, a demanda por refrigeração deve triplicar até 2050, motivada pelo aumento da população e da renda global, por mais eventos de calor extremo e pelo acesso ampliado a formas de se refrescar que também são poluentes – em outras palavras, o ar-condicionado.

O relatório foi lançado na COP30, em Belém. A cidade é conhecida pela alta umidade do ar e temperaturas que passam dos 30ºC diariamente. Os aparelhos de ar-condicionado estão em praticamente todos os estabelecimentos comerciais e em muitas casas. Qualquer paraense que tenha um dinheiro sobrando opta por investir em um.

Pedir para as pessoas pararem de usar o ar-condicionado não é uma opção, já que o calor fala mais alto. O problema é que o aparelho é um grande emissor de gases poluentes, com potencial de emitir 7,2 bilhões de toneladas de gás carbônico em 2050 – mesmo com o aumento da eficiência energética. 

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“Até 2050, o número de pessoas que enfrentam níveis perigosos de calor irá crescer 700%”, disse Inger Andersen, diretora executiva do UNEP, em declaração à imprensa. “O acesso à refrigeração deve ser tratado como uma peça essencial da infraestrutura, juntamente com a água, energia e saneamento básico, porque a refrigeração salva vidas e mantém escolas, hospitais e a economia funcionando.”

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O relatório propõe a adoção de um “Caminho de Resfriamento Sustentável”, que poderia reduzir as emissões em 64% (o equivalente a 2,6 bilhões de toneladas de CO2) até 2050. Essa via também protegeria 3 bilhões de pessoas do calor extremo, e economizaria US$ 43 trilhões em gasto energético e infraestrutura.

A estratégia foca em refrigeração passiva, sem o uso de energia elétrica. Conheça algumas estratégias que poderiam ser implementadas nas cidades.

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1. Mudar a maneira como construímos prédios

Um dos principais pontos do relatório diz respeito à construção de prédios mais inteligentes. Novas construções devem ser pensadas para evitar ao máximo o ganho desnecessário de calor. Isso vai desde implementar padrões de tamanho das janelas, tornar obrigatória a presença de sombras, estabelecer regras para telhados e superfícies que promovam a refrigeração e outras engenhosidades arquitetônicas. 

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No mesmo dia do evento, a Buildings Breakthrough Initiative lançou normas para a construção de prédios resilientes às mudanças climáticas. Essas normas podem ser usadas, por exemplo, para orientar licitações públicas.

2. Melhores normas de eficiência energética

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As licitações públicas também devem levar em conta a eficiência dos aparelhos de refrigeração usados em escolas, hospitais e prédios públicos. Ao estabelecer uma preferência por opções mais verdes e por regras rígidas de rotulação, o setor público pode mobilizar uma transição do mercado.

3. Mais água nas cidades

Os corpos d’água, como lagos e rios, ajudam a regular a temperatura do solo e do ambiente por meio da evaporação e absorção da radiação solar. Eles diminuem as ilhas de calor urbanas e funcionam como “ralos de calor”, já que ajudam a escoar o calor de toda a cidade.

4. Árvores. Muitas árvores.

A COP30 é a COP da floresta. Mas o foco não deve se limitar a proteger a vegetação que está distante da população. Plantar árvores dentro da cidade é uma das engenharias mais eficientes para o resfriamento e proteção contra ondas de calor. Num cenário ideal, a maioria das ruas tem sombras de árvores e a população tem fácil acesso a parques públicos. O uso de telhados verdes, por exemplo, é uma das formas mais eficientes de refrigeração natural.

Bônus: Usar o ventilador com o ar condicionado

Se o uso do ar condicionado for inevitável, usá-lo na potência mínima junto com um ventilador seria uma melhor opção. O relatório promove a ideia de “fans first” (“ventiladores primeiro”), dando prioridade a formas de refrigeração elétrica que emitem menos gases de efeito estufa. A circulação de ar favorece o conforto térmico sem precisar diminuir muito a temperatura.

O lançamento do relatório dialoga com a iniciativa Beat the Heat, encabeçada pela presidência da COP30 e a UNEP. Ela foi criada para mobilizar financiamento e parcerias para proteger 3,5 bilhões de pessoas em 185 cidades contra o calor extremo.

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