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A humanidade mandou uma mensagem para (possíveis) ETs. E agora?

É improvável que haja alguém do outro lado da linha, em um planeta a 12,4 anos-luz daqui. Mas, se houver, eles podem ser mais avançados do que nós

Emitir mensagens de rádio em direção ao céu, sem um alvo definido, pode até parecer brincadeira de criança – o tipo de coisa que faz pessoas normais acharem que cientistas têm um parafuso a menos.

Não é: enviar essas cartas sem destinatário está entre as decisões mais importantes (e perigosas) que podemos tomar como espécie. Uma civilização com tecnologia mais avançada que a nossa pode muito bem receber esses recados. E, ao descobrir nossa existência, resolver nos colonizar da mesma maneira que os europeus colonizaram a América. Nós já vimos esse filme.

É por isso que a decisão de disparar pulsos de rádio em código binário na direção da estrela GJ 273 – uma anã-vermelha a 12,4 anos luz da Terra, anfitriã de um planeta potencialmente habitável – foi recebida com reservas pela comunidade científica.

Os autores da mensagem são de um projeto chamado METIMessaging Extraterrestrial Intelligence, mensagens para inteligência extraterrestre. O radiotelescópio utilizado está instalado em Tromsø, na Noruega. Normalmente ele só recebe sinais, mas pode ser usado para emiti-los, se necessário.

Foram oito horas de transmissão, distribuídas ao longo de três dias do mês de outubro. A mensagem em si é uma breve melodia, composta especialmente para a ocasião. 

Caso existam cientistas alienígenas na escuta do outro lado, eles receberão a informação necessária para reconstruir a música em estado bruto, e precisarão aplicar princípios matemáticos básicos (ao que tudo indica, universais) para interpretá-la. Mesmo que eles não tenham ouvidos, os padrões que vão emergir serão um claro sinal de que há alguém que sabe somar dois mais dois do outro lado da linha. No fundo, a mensagem do METI é telefonema, que adota a música como língua universal.

“É como criar um quebra-cabeças”, afirmou um dos membros da equipe responsável, 0 cientista cognitivo Mike Matessa, à Wired. “Nós tentamos tornar tudo o mais fácil possível, mas é bem desafiador quando você não pode se referir a nada da sua cultura, só à ciência em si.”

Muitos cientistas do SETI – o projeto que deu origem ao METI, e que se dedica a receber mensagens de rádio, em vez de enviá-las – consideram esse tiro no escuro um risco que não podemos correr. Segundo defensores desse argumento, como o astrofísico Stephen Hawking, é como gritar na selva sem saber se há ursos ou leões por perto – não é inteligente anunciar onde você está se você não tem certeza de que pode lidar com as consequências desse contato.

O argumento vai além: faz muito pouco tempo que a humanidade é capaz de enviar mensagens. O rádio foi criado há pouco mais de 100 anos, o que é uma vírgula na escala cósmica. É bem provável, do ponto de vista estritamente estatístico, que qualquer civilização alienígenas capaz de decodificar nosso contato tenha desenvolvido tecnologia avançada há bem mais tempo do que nós. E se eles sabem se comunicar melhor do que nós, eles com certeza sabem atirar melhor do que nós.

Por outro lado, apontar antenas para o céu não tem se provado frutífero. A humanidade nunca recebeu transmissões que se assemelham as que poderiam ser produzidas por vida inteligente. Isso pode ter vários motivos: os alienígenas podem ter se dado conta dos riscos de anunciar sua posição, e desistido de entrar em contato. Eles podem ter causado a própria extinção assim que alcançaram tecnologias mais avançadas (a Guerra Fria está aí para provar que é possível). E por aí vai.

Ainda bem que, caso o planeta GJ 273 tenha vida inteligente, receba algo e resolva nos responder – o que é altamente improvável –, a resposta só chegará daqui no mínimo 25 anos. Dá tempo de arrumar as malas.

Comentários

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  1. André de Souza

    Creio que não deveríamos ser tão pessimistas! Não deveríamos atribuir a outras possíveis civilizações alienígenas o mesmo caráter destrutivo e predatório inerente à nossa. Só porque nós, humanos, não conseguimos conviver nem com nossos próprios semelhantes, isto não significa que este comportamento mesquinho seja uma regra a ser aplicada ao universo.

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  2. Ricardo Soares

    Eu sou da opinião que o avanço tecnológico de uma civilização está ligado ao avanço moral. Não dá pra ser o CDF do universo sem arrumar a própria casa. Se forem agressivos, provavelmente não devem estar tecnologicamente muito distante de nós.

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  3. Há um peso nisso tudo. Viajar no espaço não é tão fácil assim e sabemos que pode haver riscos sim. Não acho oportuna a mensagem. Podemos chamar a atenção cedo demais e atrairmos a extinção ou a escravidão por povos avançados.

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  4. Luiz Quadros

    Eu acredito que é uma temeridade mandar mensagem para tentar encontrar supostos ET. Explico; quanto maior a tecnologia mais agressiva fica o portador. Com esta agressividade tenta dominar o mais fraco. Façamos uma suposição; se o homem atual, por meio de observações, descobrisse vida alienígena em algum planeta do Sistema Solar a 20 anos, duas décadas atras, alguém duvidaria que o homem, inteligente como é, não estaria buscando meios para dominar estes supostos extras terrestres menos avançados do Sistema Solar. Porque com outras espécies seria diferente? Quem tem os meios tem o poder de domínio. É da vida. Ou alguém se engana e pensa que não é da vida?

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  5. Fernando Ribeiro da Silva

    Por mais diferente que seja a natureza de outros planetas, no final é tudo a mesma coisa: a lei da sobrevivência, inclusive os seres mais avançados que os habitam. A moralidade é algo que aprendemos, e escolhemos seguir ou não. Acho que o mesmo vale pros ETs.

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  6. Fernando Ribeiro da Silva

    Quem sabe exista um consórcio de espécies alienígenas como no filme “Guerra dos Mundos”. Nesse consórcio só as mais avançadas espécies, tecnológica e “espiritualmente”, fazem parte. Digo espiritualmente porque a moralidade é algo que se aprende. Lembre-se :só os bons vão para o céu… Integrarem esse consórcio, sociedade, reino…

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  7. André de Souza

    Conceitos como “colonização” e “escravização”, ambos subsumidos ao conceito mais amplo de “dominação” aos tecnologicamente menos desenvolvidos, estão relacionados aos aspectos culturais, não biológicos. O homem é um animal cultural e é, obviamente, o arcabouço cultural por ele próprio criado que o submete e o conduz em suas tomadas de decisão. Se porventura existir uma civilização com um alto grau tecnológico, tão alto que seja capaz de contatar outras civilizações pulverizadas pelo universo, certamente, tal civilização possuirá alguma forma complexa de cultura. Portanto, as decisões que esta civilização tomará com relação às outras que fará contato, se irá optar por um contato hostil ou pacífico, se irá escravizar, extinguir ou buscará estabelecer uma relação cordial e construtiva, serão tomadas em função de valores culturais inerentes e não em função de fatores simplesmente biológicos. Alguns alegarão que a capacidade de produzir cultura é uma característica biológica de um ser sensiente e autoconsciente como nós, seres humanos. E isto é verdade! Porém, esta capacidade inerente a nós e, que por ventura também seria uma capacidade inerente a uma civilização alienígena avançada tecnologicamente, é o que nos caracteriza como indivíduos dotados de capacidade de decisão consciente, não submetidos total e indelevelmente aos ditames biológicos. Nossa complexidade e capacidade de produzir cultura nos livrou, de certa forma, das amarras de um destino conduzido inexoravelmente por fatores biológicos.

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