Semana do consumidor: Super por apenas 9,90

Asteroide 2024 YR4 não vai atingir a Lua, confirma Nasa

Novas observações do Telescópio James Webb permitiram calcular com mais precisão a trajetória do objeto, eliminando a chance de colisão em 2032.

Por Luiza Lopes
10 mar 2026, 19h00 •
  • A possibilidade de que o asteroide 2024 YR4 pudesse atingir a Lua em 2032 mobilizou astrônomos ao redor do mundo nos últimos meses. Agora, novas análises mostram que não há mais risco de colisão. Ufa.

    A conclusão foi anunciada pela Nasa após novas observações feitas com o Telescópio Espacial James Webb. Os dados mostram que o objeto passará a cerca de 21 mil quilômetros da superfície lunar em 22 de dezembro de 2032. Em termos astronômicos, é uma distância relativamente pequena, mas suficiente para garantir que não haverá impacto.

    As novas medições foram feitas em 18 e 26 de fevereiro. Com elas, os cientistas conseguiram calcular com mais precisão o caminho do asteroide pelo espaço e eliminar a incerteza.

    Antes disso, estimativas indicavam uma pequena chance de colisão com a Lua, de cerca de 4%. Com os novos dados, essa possibilidade caiu para zero.

    Segundo a Nasa, a mudança não significa que o asteroide tenha alterado seu percurso. O que mudou foi a qualidade das medições. Com mais informações disponíveis, os cálculos ficaram mais precisos.

    O 2024 YR4 foi descoberto no final de 2024 por um observatório no Chile que integra a rede Atlas, financiada pela Nasa. O sistema existe justamente para detectar objetos que possam se aproximar da Terra e avaliar se existe algum risco.

    Continua após a publicidade

    Logo após a descoberta, os cálculos iniciais indicaram que o asteroide poderia passar muito perto do nosso planeta em dezembro de 2032. Em um momento, as estimativas chegaram a apontar uma probabilidade de impacto de cerca de 3,1%.

    O número chamou atenção porque foi a maior probabilidade já registrada pela Nasa para um asteroide desse porte. Na época, também se acreditava que o objeto poderia ter até 90 metros de diâmetro. Depois, medições mais detalhadas indicaram que ele provavelmente mede entre 53 e 67 metros. 

    Ainda assim, trata-se de uma rocha espacial grande o suficiente para causar estragos se atingisse a Terra. Pesquisadores afirmam que o impacto poderia liberar energia equivalente a cerca de 500 bombas atômicas como a de Hiroshima. 

    Com o passar das semanas, porém, novas observações feitas por telescópios ao redor do mundo mudaram o cenário. Os cálculos foram sendo atualizados e a chance de colisão com a Terra caiu rapidamente até chegar a zero.

    Continua após a publicidade

    Qual a probabilidade da Terra ser atingida por um asteroide grande?

    Mas ainda existia uma pequena possibilidade do asteroide atingir a Lua.

    Resolver essa questão não foi simples. Ele estava cada vez mais distante e fraco para ser detectado pela maioria dos telescópios.

    Segundo a Nasa, desde meados de 2025 o objeto praticamente desapareceu das observações feitas a partir da Terra. O Telescópio Espacial James Webb acabou sendo a única ferramenta capaz de enxergá-lo naquele momento.

    Continua após a publicidade

    Mesmo para o Webb, a tarefa foi complicada. As imagens obtidas estão entre as observações mais fracas já registradas de um asteroide.

    Isso acontece porque o telescópio não foi projetado para estudar objetos próximos. Seu foco principal é observar galáxias e estruturas cósmicas gigantescas a bilhões de anos-luz de distância. Além disso, ele tem um campo de visão relativamente pequeno.

    Como descreveu a a Agência Espacial Europeia (ESA) em nota, foi preciso usar “uma das máquinas mais complexas que a humanidade já construiu para rastrear um objeto quase invisível a milhões de quilômetros de distância – e então prever com precisão sua posição com quase sete anos de antecedência”.

    Os astrônomos tiveram que usar a câmera infravermelha do telescópio, chamada NIRCam, para registrar novas imagens do asteroide. Nelas, ele aparece como um ponto muito fraco diante de um fundo cheio de estrelas.

    Continua após a publicidade

    Como a posição dessas estrelas já é conhecida com grande precisão, elas funcionam como uma espécie de “mapa” do céu. Ao observar onde o asteroide aparece em relação a elas em diferentes momentos, os cientistas conseguem calcular com muito mais exatidão por onde ele está passando e para onde está indo. Foi esse trabalho que permitiu descartar de vez o impacto com a Lua.

    Mesmo sem representar perigo, o asteroide 2024 YR4 continuará sendo observado pelos cientistas. Objetos como esse ajudam a testar os sistemas de monitoramento do espaço e as estratégias de defesa planetária. A ideia é que se algum dia surgir uma ameaça real, quanto antes ela for identificada, maiores serão as chances de reagir. Afinal, ninguém quer ser pego de surpresa.

     

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.