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Cães selvagens quebram recorde de distância percorrida na África

Conheça a odisseia da espécie em busca de parceiros na Zâmbia

Por Amanda Nascimento 19 set 2026, 12h00
Cães selvagens quebram recorde de distância percorrida na África Priorizar nos meus resultados Google

Uma alcateia de cães-selvagens-africanos enfrentaram sua própria odisseia na Zâmbia. Eles cruzaram o país em zigue-zague, desviando de obstáculos em meio a uma paisagem marcada pela ação humana, em nome de um propósito nobre: encontrar novas parceiras. A saga da família, que ultrapassou a marca dos 4.000 km, agora detém o título de maior distância percorrida entre mamíferos africanos. 

Nessas alcateias, a reprodução fica geralmente restrita a um único cão dominante de cada sexo. Sabendo disso, membros têm duas opções: ou eles se subordinam ao alfa e ajudam a criar a prole de seus parentes, na esperança de que um dia possam liderar; ou partem por conta própria em busca de oportunidades de reprodução mais imediatas.

Acontece que eles não precisavam ter ido tão longe. O Parque Nacional de Kafue é uma espécie de paraíso para cães-selvagens: abrange mais de 22.000 quilômetros quadrados, tem uma ampla diversidade de presas e oferece alimento e abrigo em abundância. Ao que parece, até então eles levavam uma vida confortável.

Mas, em vez de permanecerem no local, os cães selvagens fizeram o que sabem fazer de melhor: percorrereram grandes distâncias. Graças às suas pernas longas e à sua resistência, eles têm facilidade para se locomoverem. 

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Na biologia, esse tipo de jornada é chamado de dispersão. Trata-se do deslocamento de animais em busca de um parceiro a fim de reduzir a competição por recursos e impedir o acasalamento entre parentes próximos. Em meados de julho de 2025, duas irmãs foram as primeiras a se dispersarem. Apenas duas semanas depois, três de seus irmãos fizeram o mesmo. 

Na esperança de acompanhá-los em sua jornada, pesquisadores equiparam um membro de cada grupo com uma coleira de radiomonitoramento. A jornada completa é descrita por pesquisadores em artigo publicado no periódico Ecology. 

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Os meandros da odisseia

Tudo ficou mais difícil quando os irmãos deixaram o lar. Embora sejam carnívoros, os cães selvagens frequentemente se veem à mercê de outros predadores. Os leões, por exemplo, são uma grande ameaça tanto para adultos quanto para filhotes. Enquanto isso, as hienas roubam facilmente suas presas. Já a travessia de rios aumenta o risco de serem devorados por crocodilos.

As fêmeas passaram várias semanas em uma área adjacente ao parque, mas que já oferecia menos proteção e menos presas do que o Parque Nacional de Kafue. Os machos, por outro lado, foram mais ousados: marcharam em direção ao leste, rumo a uma região desprotegida da Zâmbia. 

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Depois de alguns meses separados, em setembro daquele ano, a família se encontrou brevemente, já há mil quilômetros de distância de casa. Os irmãos passaram um único dia juntos, mas logo seguiram para o sul separadamente – os machos evitando as principais rodovias e as fêmeas por meio de uma área arborizada. 

Essa se revelaria uma decisão fatídica. Em outubro, uma das fêmeas sem coleira provavelmente foi capturada em uma armadilha destinada à caça de animais silvestres. Em seguida, a fêmea com coleira teve o mesmo destino: sua coleira foi cortada e pesquisadores perderam a conexão com as irmãs do grupo. 

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A sorte dos machos, porém, foi bem diferente. O grupo conseguiu se estabelecer em um novo território no topo do Grande Vale do Rift, a cerca de 419 quilômetros de distância de seu local de origem. Ao todo, sua jornada pela Zâmbia totalizou 4.126 quilômetros.

Para pesquisadores, o caso é prova de que os cães-selvagens-africanos podem recolonizar áreas onde, anteriormente, estavam extintos. Ao mesmo tempo, porém, a aventura preocupa: não é ideal que esses animais tenham que percorrer longas distâncias apenas para o acasalamento. 

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