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China está construindo um sistema que controla o clima

O objetivo da iniciativa é controlar a região do Planalto do Tibete, uma área do tamanho do sudeste brasileiro

Amanhã, fortes pancadas de chuva atingirão a região — caso o governo queira. Essa pode ser a previsão do tempo em breve. Chineses estão trabalhando para criar um sistema que controla o clima, e as regiões afetadas podem ter uma área superior ao sudeste brasileiro.

O projeto tem um alvo: o Planalto do Tibete. A região localizada no oeste da China é uma das principais fontes de água do país. É lá que ficam as nascentes do Yangtze, do Mekong e do Rio Amarelo — os três maiores, que somados percorrem uma distância de 16 mil km, montante 60% maior que o Amazonas.

A ideia é fazer chover na região para tornar as fontes ainda mais abundantes. Uma medida desesperada para tentar solucionar um problema desesperador: só 40% das águas não estão poluídas. Na prática, isso cria racionamentos notáveis. Em 2015, por exemplo, cada morador de Pequim poderia usar, no máximo, 1.700 m³ de água — 70% a menos do que a ONU considera viável.

Se a operação der certo, a região passará a pingar 10 bilhões de m³ por ano — o equivalente a 7% do consumo chinês de água.

A funcionalidade se baseia em um sistema: 10 mil câmaras são instaladas na região em que se quer que chova. As máquinas produzem partículas de iodeto de prata, que é lançado na atmosfera por meio dos ventos que circundam as montanhas. Eis que as moléculas prateadas funcionam como uma espécie de ímã de umidade: elas conseguem centralizar o vapor da água ao seu redor e, consequentemente, formar nuvens. “Às vezes, começava a nevar imediatamente após ligarmos as câmaras. Era como um show de mágica”, afirmou ao jornal South China Morning Post um engenheiro envolvido no projeto, que preferiu não se identificar.

A iniciativa não é inédita. Governos dos EUA e da própria China, durante as Olimpíadas de 2008, já usaram o iodeto de prata para fazer cair água do céu. Mas nunca um projeto mirou numa área tão grande como os 1,6 milhões de km² em vista dessa vez. Uma região maior do que os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espirito Santo somados.

O projeto está sendo tocado pelo Centro de Tecnologia e Ciência Aerospacial da China, um órgão estatal. Mas ainda não recebeu o ok do governo central para iniciar as chuvas-forçadas. Até porque, apesar da implementação estar praticamente pronta, pesquisadores ainda analisam se alterar as chuvas naquela região prejudicaria outras áreas da China. Eles podem estar só transferindo o problema de lugar.

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