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Como os primeiros mamíferos escutavam? Fóssil de 250 milhões de anos dá pistas

Pesquisadores identificaram um tímpano primitivo em um fóssil de Thrinaxodon – animal que parece uma mistura da raposa com lagarto

Por Ana Clara Caielli Barreiro 7 fev 2026, 12h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h34
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Para nós, a habilidade de ouvir bem pode parecer algo comum entre as espécies – mas não é bem assim. Na realidade, os mamíferos possuem uma sensibilidade auditiva sofisticada, conseguindo captar uma ampla variedade de volumes e frequências por meio do ouvido médio, que é uma cavidade que abriga o tímpano e pequenos ossos responsáveis por amplificar e transmitir as vibrações sonoras.

Essa característica é fundamental para a interação dos mamíferos com o ambiente. Ela representa uma grande vantagem evolutiva, resultado de um processo que começou há milhões de anos. Inicialmente, os ossos do ouvido estavam conectados à mandíbula e, com o passar do tempo, se separaram e formaram o ouvido médio.

Ainda faltam algumas peças nesse quebra-cabeça da origem da audição dos mamíferos – e uma delas acaba de ser descoberta. Um estudo da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, mostrou que a adaptação dos ossos do ouvido dos mamíferos começou 50 milhões de anos antes do que se imaginava.

Os pesquisadores revisitaram um fóssil de 250 milhões de anos da espécie Thrinaxodon liorhinus, um ancestral mamífero do grupo cinodonte. Ele tinha características físicas variando entre as de um lagarto e as de uma raposa. Datado do período Triássico Inferior, antes mesmo do surgimento dos dinossauros, o fóssil comprovou que esse animal já era capaz de ouvir sons por meio de uma forma primitiva de tímpano, semelhante à dos mamíferos atuais.

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Ilustração de um Thrinaxodon liorhinus, um cinodonte do início do Triássico da África do Sul, desenho a lápis, baseado no esqueleto de Kemp (1982).
(Nobu Tamura/Wikimedia Commons/Reprodução)
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Para chegar a essa conclusão, a equipe submeteu fósseis da mandíbula e do crânio do animal a tomografias computadorizadas, criando modelos 3D altamente precisos de sua anatomia. Isso permitiu estudar o espécime com um nível de detalhe inédito, sem desgastá-la.

A partir desse modelo, os cientistas simularam como o Thrinaxodon reagiria a estímulos sonoros. Resultado: os ossos se moviam em resposta aos sons.

Até então, acreditava-se que o animal detectava sons ao encostar a mandíbula no solo e sentir vibrações por condução óssea. No entanto, a nova pesquisa mostra que ele possuía uma membrana sobre a parte curva do osso da mandíbula, que funcionava como um tímpano. 

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Essa estrutura permitia detectar sons transmitidos pelo ar de forma mais eficiente, o que provavelmente ajudava o animal a localizar presas e escapar de predadores. Os pesquisadores acreditam que, mesmo se a condução óssea ainda estivesse presente, a membrana era responsável pela maior parte da audição.

A hipótese sobre as habilidades de escuta dos Thrinaxodon havia sido proposta em 1975 pelo paleontólogo Edgar Allin, da Universidade de Illinois. Mas só agora, graças aos avanços em engenharia de imagem e outras tecnologias, foi possível testá-la e confirmá-la.

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A estimativa é que o animal em questão fosse capaz de ouvir sons entre 38 e 1.243 hertz. Para comparação, um ser humano jovem consegue escutar frequências entre 20 e 20.000 hertz.

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