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Como Plutão conseguiu uma lua usando o método “beija e captura”

A lua Caronte tem metade do tamanho de Plutão, e provavelmente foi seduzida pelo planeta anão com uma aproximação lenta e uma dança coladinha.

Por Eduardo Lima
10 jan 2025, 16h16

Especialistas desenvolveram uma hipótese romântica para como Plutão conseguiu sua maior Lua. O antigo nono planeta do Sistema Solar, nosso planeta anão favorito, conquistou sua lua Caronte (que tem quase metade do seu tamanho) depois de muita dança e um beijo cósmico, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.

Plutão e Caronte tem um relacionamento diferente do que a Terra tem com a Lua. Enquanto, no nosso caso, é o satélite que orbita o planeta, esses corpos celestes anões orbitam um ao outro, numa linda dança no Cinturão de Kuiper, depois de Netuno.

Os astrônomos chamam essa dinâmica de um sistema de astros duplos em rotação síncrona. E essa valsa começou depois do que se convencionou chamar de evento de “beijo e captura”. O estudo que explica todas as manobras nessa pista de dança cósmica foi publicado na Nature Geoscience por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e da Universidade de Berna, na Suíça.

Funcionou assim: a lua Caronte tomou a iniciativa e se chocou contra Plutão, num beijo cósmico. Depois disso, o casal não queria se desgrudar, e começou uma rotação conjunta por um breve período – talvez só dez horas – até eles se soltarem. Se você ama, tem que deixar ir.

Os astros saíram razoavelmente bem da colisão, apesar de terem trocado um pouco de saliva cósmica (materiais e rochas que passaram de um para o outro). Então, começaram a dançar numa distância mais segura, formando o sistema de rotação síncrona que continua até hoje.

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Beijo lento e romântico

Plutão tem cinco luas conhecidas. Caronte, a maior, tem um diâmetro de cerca de 1.200 km (Plutão tem cerca de 2.500 km de diâmetro). O nome tem raízes na mitologia grega, e se refere à figura que transportava a alma dos que morreram até o mundo inferior, governado por Hades (Plutão para os romanos).

Sinistro, mas o motivo da escolha é mais uma prova de romantismo astronômico: Charon (nome em inglês) era o apelido de Charlene, a esposa do cientista James Walter Christy, que descobriu o satélite natural.

Quando os dois astros se afastaram um pouco, provavelmente foi Plutão que ficou cansado e deu um empurrão em Caronte. O planeta anão estava em rápida rotação antes da colisão, e por isso afastou a lua, sem que ela conseguisse acompanhar o ritmo da dança.

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As descobertas desse grupo de astrônomos vão contra algumas hipóteses prévias de que a lua Caronte foi formada depois da colisão de um grande objeto cósmico com Plutão, como deve ter acontecido no caso da Terra e da Lua. Como o tamanho de Plutão é reduzido, o que provavelmente teria acontecido num caso como esse seria uma fusão entre os dois corpos.

A colisão entre Plutão e Caronte aconteceu lentamente, como um beijo romântico e demorado. O satélite deve ter atingido o planeta anão a 3200 km/h, só 10% da velocidade do impacto que formou a nossa Lua. Considerar as propriedades físicas do gelo e das rochas que formam esses dois  foi essencial para entender como os astros reagiram ao estresse da colisão.

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Oito de dez dos maiores objetos no Cinturão de Kuiper tem satélites grandes como a lua Caronte. É possível que o método “beija e captura” não seja uma exclusividade de Plutão, e que o romantismo seja a norma naquele canto do Sistema Solar.

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