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Como quebrar um cometa

A poderosa força gravitacional de Júpiter vence a fragilidade do Shoemaker-Levy 9

Por 22 jul 2009, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h50
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A culpada é a gravidade. A mesma força que mantém os corpos presos à superfície dos planetas e lhes dá peso é a responsável pela quebra do Shoemaker em cerca de vinte fragmentos. Agora, eles despencam em fila sobre Júpiter.

Para entender como a força gravitacional pode destruir um corpo, vamos acompanhar o Shoemaker em um trecho de sua viagem pelo espaço. Ele veio dos confins do Sistema Solar, disparado na direção do Sol. Quando passou por Júpiter, mudou de rumo, capturado por um novo centro de força. Quanto mais se aproximava do gigante, mais sofria os efeitos perversos da gravidade. Ela, além de aumentar a velocidade do cometa, é tão forte que o atraía com intensidades distintas. A frente do Shoemaker (a parte que estava mais perto de Júpiter) recebia uma força gravitacional maior que a traseira.

Mesmo num corpo pequeno como o do cometa, que não tinha um diâmetro maior que 10 quilômetros antes de se espatifar, essa diferença gravitacional se fez sentir. Se o Shoemaker fosse um chiclete, começaria então a esticar. Como não é chiclete, mas uma massa de gelo, partiu-se.
E fácil entender o que aconteceu. Basta imaginar um carro puxando um outro por meio de uma corda: é evidente que os dois devem ter a mesma velocidade, o tempo todo. Se o da frente correr mais, ou começar a acelerar, a corda vai arrebentar.

Foi isso o que se deu com o cometa. A gravidade atraiu com mais força a sua parte dianteira (que podemos comparar ao carro da frente). Assim, a corda (o corpo do cometa) começou a se quebrar em inúmeros pedaços, e tudo se partiu. O Shoemaker está reduzido a mais ou menos vinte pedaços, que vão em disparada rumo ao chão de Júpiter numa fila de 1 milhão de quilômetros de comprimento. O bombardeio será como uma rajada de metralhadora. Uma metralhadora sideral.

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