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Como surgiu o beijo na boca? A resposta pode ter 21 milhões de anos

Nova pesquisa sugere que humanos modernos e neandertais se beijavam, assim como vários outros primatas ancestrais – mas ainda não sabemos por quê.

Por Bela Lobato 26 nov 2025, 10h00 •
  • Que atire a primeira pedra quem nunca se questionou, quando criança, sobre a utilidade do beijo na boca. A troca de saliva costuma ser considerada um tanto nojenta pelas crianças, até virar uma obsessão na adolescência e uma parte da vida dos adultos.

    Sua origem, entretanto, é misteriosa: será um ato meramente cultural? Ou pode ser algo inato, entranhado em nossa genética?

    A verdade é que nem todas as culturas contemporâneas têm beijos: uma pesquisa analisou beijos (nesse caso, definido como o contato deliberado e prolongado com os lábios) em 168 culturas ao redor do mundo. Os resultados apontam que o hábito foi observado em 70% das culturas da Europa, 54% da América do Norte, 12% da América do Sul (lembre-se que boa parte das culturas americanas são indígenas) e 100% das culturas do Oriente Médio. 

    Dentre elas, apenas 46% dessas culturas usam o gesto como sinal de afeto romântico. Agora, um novo estudo aponta que o selinho pode ser uma prática comum dos primatas, remontando há 21 milhões de anos, muito antes dos humanos modernos, que evoluíram há cerca de 200 mil a 300 mil anos.

    Em um artigo publicado na revista Evolution and Human Behavior, pesquisadores apontam que humanos não são os únicos primatas que gostam de se beijar – vários macacos, incluindo gorilas, chimpanzés e macacos-rhesus também se beijam. Os autores especulam que o beijo pode ter sido um comportamento herdado.

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    “Seria muito improvável que o beijo tenha evoluído independentemente em todas essas espécies de macacos com as quais temos parentesco próximo”, disse Matilda Brindle, bióloga evolucionista e coautora do estudo, em entrevista ao Washington Post. “Faz muito mais sentido que seja uma característica ancestral dentro da nossa árvore genealógica dos primatas.”

    O cálculo da equipe começou com uma investigação em pesquisas científicas e na internet para encontrar registros de beijos em primatas modernos. Com essas informações, a equipe mapeou uma árvore genealógica de primatas e executou simulações computacionais de vários cenários de evolução para estimar a probabilidade de diferentes ancestrais se beijarem.

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    Os resultados sugeriram que o beijo evoluiu em um ancestral comum que viveu há cerca de 21,5 a 16,9 milhões de anos. Isso significa que todos os primatas que descendem e descenderam desse ancestral apresentam esse comportamento – e isso inclui todas as espécies mencionadas anteriormente.

    Em associação com estudos anteriores que já apontavam que humanos e neandertais compartilhavam a microbiota bucal (por meio da troca de saliva) e material genético (pelo cruzamento entre as espécies), os autores apontam, no comunicado, que o achado “sugere fortemente que humanos e neandertais se beijavam”.

    Uma pergunta ainda fica sem resposta: por que nos beijamos? Pode ser que o beijo erótico aumente o sucesso reprodutivo, excitando sexualmente os animais ou permitindo que eles avaliem a qualidade de parceiros em potencial. Há quem defenda ainda que o beijo tenha evoluído dos gestos de limpeza e afeto dos primatas, como uma forma de fortalecer laços sociais. Você pode ler em detalhes sobre essa teoria aqui

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    “Esta é a primeira vez que alguém adota uma perspectiva evolutiva ampla para examinar o beijo”, disse Brindle, no comunicado. “Ao integrar a biologia evolutiva com dados comportamentais, conseguimos fazer inferências fundamentadas sobre características que não fossilizam – como o beijo”, disse Stuart West, que também é coautor do estudo.

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