Oferta Mês dos Pais: Receba Super em Casa por 9,90

Macaco nasce de esperma tirado de testículo congelado

E isso pode servir no tratamento de infertilidade em humanos no futuro. Entenda.

Por Guilherme Eler 22 mar 2019, 18h06 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h04
Macaco nasce de esperma tirado de testículo congelado Priorizar nos meus resultados Google

O congelamento de óvulos é uma alternativa

cada vez mais popular entre mulheres em idade fértil com alto risco (ou diagnóstico precoce) de câncer. Esta é uma forma de preservar o material genético para uma gravidez no futuro – já que um dos riscos da quimioterapia é a esterilidade.

Um óvulo congelado pode ser fertilizados in vitro mesmo anos depois. Não é um procedimento barato, é verdade – no Brasil, pode chegar a R$ 10 mil –, mas pode ser a única solução para quem não abre mão de gerar um filho.

Esta, no entanto, não é uma opção quando se trata de um câncer infantil. Uma criança não tem, ainda, gametas maduros. Mesmo que congelados, portanto, os óvulos de uma menina não poderiam ser fertilizados depois. O mesmo vale no caso dos espermatozoides: um menino que teve câncer muito cedo, por não ter gametas prontos, corre o risco de nunca ser pai caso se torne estéril com a quimioterapia.

Continua após a publicidade

Um novo estudo desenvolvido na Universidade de Pittsburgh, nos EUA, porém, pode ajudar a mudar esse cenário – ao menos para as crianças do sexo masculino. Cientistas provaram, usando um filhote de macaco, que não é preciso salvar gametas maduros antes da quimioterapia. Um tecido do testículo pode ser congelado e usado para restaurar a fertilidade do animal na vida adulta, quando ele estiver sexualmente pronto.

O primeiro macaco a nascer graças a um pedaço de testículo congelado veio ao mundo em abril de 2018. É uma fêmea da espécie rhesus, que foi batizada Grady. Um relato do caso foi publicado

Continua após a publicidade

na revista científica Science. E nós explicamos melhor o que aconteceu – e a importância do caso para o futuro.

Macaquinhos inférteis

Garotos, quando entram na puberdade na adolescência, passam por mudanças hormonais, capitaneadas pelo aumento da testosterona. Esse hormônio, então, dá uma ordem para

Continua após a publicidade

células-tronco presentes no testículo começarem a produzir espermatozoides. A radiação da quimioterapia e os medicamentos usados no tratamento de câncer podem matar exatamente essas células, causando infertilidade permanente.

Pesquisadores usaram um grupo de jovens macacos para testar uma possível solução para esse problema. A ideia deles foi remover um dos testículos dos macacos na infância, antes da puberdade. Esse testículo-teste foi cortado em vários pedacinhos e preservado a baixas temperaturas por diferentes períodos: alguns por cinco horas, outros por cinco meses.

Continua após a publicidade

Os macacos continuaram sua vida normalmente até o comecinho da puberdade. Foi nesse momento que eles tiveram o segundo testículo removido.

A partir desse momento, os pesquisadores tinham um grupo de macacos adultos, mas 100% estéreis – justamente o que eles precisavam para dar o próximo passo: verificar se o testículo antigo, retirado na infância, poderia ser retransplantado e restaurar a fertilidade dos primatas.

Continua após a publicidade

Os pedaços de testículo congelados foram colocados em baixo da pele das costas ou do escroto das cobaias. O local não importava: o que os cientistas queriam saber mesmo é se o pedaço enxertado, se voltasse a entrar em contato com o organismo dos animais, conseguiria  iniciar a produção de gametas masculino.

Os reimplantes de testículo aumentaram rapidamente os os níveis de testosterona no sangue dos macacos. Além disso, vários deles retomaram a atividade de gônadas normais: oito em cada dez tecidos enxertados produziram espermatozoides por conta própria.

Algum tempo depois, os cientistas removeram os enxertos e coletaram o esperma presente neles. Esses espermatozoides, por fim, serviram para fertilizar óvulos em laboratório.

Foram fertilizados, ao todo, 138 óvulos. 11 deles se desenvolveram o suficiente para serem transferidos ao útero de macacas. Um único caso vingou: Grady, que nasceu sem nenhum problema de saúde. “Agora que essa tecnologia deu origem a um bebê vivo e saudável, entendemos que ela está pronta para testes clínicos”, disse Kyle Orwig, professor responsável pelo estudo, em comunicado.

A expectativa, agora, é que a mesma técnica possa servir a humanos. Antes disso, porém, é importante eliminar o risco de que, após o tratamento, o câncer retorne. Isso porque caso alguma célula de câncer fique escondida no tecido de testículo retirado, ela pode ser congelada junto com a amostra e reintroduzida no corpo, fazendo os tumores retornarem – e os efeitos da quimioterapia irem para o ralo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com um canto de parede à esquerda e uma superfície horizontal marrom na base. No canto superior direito, um ícone de árvore estilizada em azul escuro.Fundo texturizado em tom pêssego claro, com uma sombra vertical escura no lado esquerdo e uma pequena árvore azul escura no canto superior direito
ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA MÊS DOS PAIS

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).