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Nova espécie de joaninha é descoberta na Bahia – e chama atenção pela fofura

Batizada de Mada gregaria, a joaninha vive nas dunas da Caatinga, alimenta-se de folhas e forma grupos para enfrentar períodos de escassez.

Por Luiza Lopes
22 dez 2025, 18h00 •
  • Uma nova espécie de joaninha foi identificada no semiárido brasileiro – e ela é muito bonitinha. Batizada de Mada gregaria, foi encontrada nas Dunas do São Francisco, um conjunto de dunas arenosas localizado nos municípios de Casa Nova e Pilão Arcado, no norte da Bahia.

    A descoberta foi feita por pesquisadores do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e os resultados foram publicados no periódico científico Annales de la Société entomologique de France.

    Trata-se da primeira espécie do gênero Mada com ocorrência confirmada na Caatinga. O gênero pertence à família Coccinellidae, a mesma das joaninhas mais conhecidas. Mas, ao contrário da imagem popular desses insetos, Mada gregaria não apresenta as pintinhas pretas sobre os élitros vermelhos, as asas externas mais rígidas do inseto.

    Seu corpo é oval, com coloração que varia do amarelo ao castanho-amarelado. Um dos traços mais distintivos são as margens laterais mais claras, um padrão considerado único dentro do grupo ao qual a espécie pertence.

    Fotografia da Mada gregaria é uma nova espécie de joaninha pertencente ao grupo Mada adusta.
    (Universidade Federal do Vale do São Francisco/Divulgação)

    O trabalho de campo permitiu acompanhar de perto o comportamento alimentar e reprodutivo do inseto e revelou uma relação estreita com uma planta nativa da região, a Strychnos rubiginosa, conhecida localmente como capitão ou bacupari.

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    Essa planta funciona como base para a sobrevivência da joaninha: é nela que o inseto se alimenta e se reproduz. Na prática, quase todo o ciclo de vida observado em campo ocorreu sobre essa mesma espécie vegetal.

    Os adultos foram vistos consumindo folhas jovens, enquanto as fêmeas depositavam os ovos na parte de baixo das folhas, uma estratégia comum entre insetos herbívoros para reduzir a exposição ao sol intenso e a predadores.

    Após a eclosão, as larvas permanecem na mesma planta e passam a raspar a superfície das folhas para se alimentar, o que indica dependência da Strychnos rubiginosa desde os primeiros estágios de desenvolvimento até a fase adulta.

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    Essa associação chamou a atenção dos pesquisadores por um motivo adicional. Mada gregaria pertence a um grupo pouco conhecido de joaninhas herbívoras – aquelas que se alimentam de plantas, e não de outros insetos, como ocorre com a maioria das espécies familiares ao público.

    Até agora, nas Américas tropicais, joaninhas desse grupo estavam associadas a plantas de apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae, Cucurbitaceae e Solanaceae. O novo estudo registra, pela primeira vez, uma espécie desse grupo ligada a uma planta da família Loganiaceae.

    O achado é relevante porque plantas do gênero Strychnos produzem substâncias químicas que costumam ser tóxicas para muitos animais. Algumas espécies são conhecidas justamente por seu potencial venenoso.

    O fato de Mada gregaria conseguir se alimentar dessas folhas levanta novas questões sobre como esses insetos lidam com compostos nocivos, possivelmente por meio de mecanismos de tolerância ou neutralização, além de processos de adaptação mútua entre planta e inseto ao longo do tempo.

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    Outro comportamento registrado em campo foi o hábito de formar grupos. Os adultos permaneceram reunidos por meses, mesmo na ausência de alimento. Esse padrão sugere uma estratégia de economia de energia, em que o inseto reduz sua atividade para atravessar períodos adversos.

    Em ambientes como a Caatinga, marcados por longas secas e escassez de recursos, esse tipo de comportamento pode ser decisivo para a sobrevivência da espécie.

    Segundo o professor Benoit Jean Bernard Jahyny, coordenador do Laboratório de Mirmecologia do Cemafauna e coautor do estudo, o conjunto dessas observações amplia o alcance da descoberta. 

    “Encontrar uma espécie nova já é algo relevante, mas poder registrar sua biologia, seu comportamento gregário e uma associação inédita com uma planta da família Loganiaceae amplia nossa compreensão das adaptações ecológicas desses insetos”, disse em comunicado. “Esse tipo de descoberta reforça a importância das pesquisas de campo em ambientes semiáridos, onde ainda há um vasto patrimônio biológico a ser conhecido.”

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