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Onde está o elo perdido?

Existem vários candidatos ao posto de último ancestral comum aos chimpanzés e humanos.

Thiago Lotufo

Como todos sabem, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Ardipithecus não é Australopithecus, Australopithecus não é Homo erectus e urubu não é minha loira. Por isso, é melhor que cada macaco fique no seu próprio galho e que se saiba aqui que Elo Perdido não é aquele seriado que passava na tevê nos anos 70. Elo Perdido é o último ancestral comum aos chimpanzés e seres humanos. Depois dele, homem ficou sendo homem – até chegar ao Homo sapiens – e chimpanzé continuou chimpanzé. A questão é quando e onde este ser teria vivido?

O mais famoso candidato é, na verdade, uma candidata. Foi descoberta na Etiópia em 1974 e batizada de Lucy (por causa de “Lucy in the Sky with Diamonds” dos Beatles). Seus ossos datam de 3,2 milhões de anos atrás. O cérebro era pequeno e sua estatura não passava de um metro. Foi classificada entre os Australopithecus afarensis e por muito tempo ocupou o posto de avó da humanidade. Perdeu a vaga em 1992 para um Ardipithecus ramidus encontrado também na Etiópia. Ele teria vivido há 4,4 milhões de anos e foi considerado o hominídeo mais antigo já descoberto. Isso até o ano passado. Por quê? Porque em 2002 uma equipe de arqueólogos liderada pelo francês Michel Brunet encontrou um crânio, dois pedaços de mandíbula e três dentes de 7 milhões de anos. O achado se deu na República do Chade e os fósseis constituíram uma nova espécie: Sahelanthropus tchadensis. Mas ganharam também o nome de Toumaï, que significa “esperança de vida” no idioma goran.

O crânio tem a parte frontal achatada com fortes sinais de uma sobrancelha sobre a cavidade dos olhos. A parte de trás, no entanto, é mais parecida com a de um chimpanzé. Sua estatura é estimada entre 1,15 m e 1,25 m e como não se encontrou o restante do esqueleto não dá para saber o seu modo de locomoção. Este seria então o elo perdido entre o homem e o chimpanzé? Pode ser. Mas até há pouco geneticistas acreditavam que o último ancestral teria vivido entre 5 milhões e 6 milhões de anos atrás – o que pode levar a crer que os 7 milhões de Toumaï estaria muito mais para um gorila.