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Os eunucos podiam ter ereção? E os cantores de ópera castrados?

A pipa dos eunucos não sobe mais?

Homens castrados para servirem de guardiães dos antigos haréns – tradição que aparece com o Império Persa (550-334 a.C.) – teoricamente podiam, sim, ter ereções, mas isso não devia acontecer com muita frequência.

A castração removia apenas os testículos, pois na grande maioria dos casos em que se retirava toda a genitália os pobres coitados morriam de hemorragia ou infecção. “Além de produzir os espermatozóides, os testículos fabricam a testosterona, o hormônio sexual masculino que regula o apetite sexual, e, portanto, tem papel fundamental na ereção. Mas a castração preservava a glândula supra-renal, que produz de 2% a 3% do total de testosterona do organismo, o suficiente para uma rara ereção ocasional”, afirma Jorge Hallak, urologista do Hospital das Clínicas de São Paulo e pesquisador da Clinic Foundation de Cleveland, nos Estados Unidos.

Outro fator determinante era a idade: se castrado antes da puberdade, a ereção tornava-se impossível. Por esse motivo, os castrati – cantores de ópera que faziam papéis femininos e eram imensamente populares na Itália dos séculos XVI a XVIII – ficavam, ao contrário dos eunucos dos haréns, sexualmente incapacitados.

A prática surgiu em função de a Igreja Católica proibir mulheres de se apresentar em público. Esses garotos costumavam ser separados de seus testículos entre 8 e 10 anos de idade. Assim, o pênis não se desenvolvia, nem outras características masculinas como pelos, ossatura mais larga e voz grossa (o crescimento da laringe também depende da testosterona).