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Pesquisa drogou pacientes de hospital – sem o consentimento deles

Estudo que avaliou as aplicações da ketamina, um sedativo forte que pode causa alucinações, levantou preocupações éticas nos EUA

“Você está recebendo este formulário porque você ou alguém de quem cuida foi incluído em um estudo que examinou pacientes com agitação”. Foi assim que pacientes do hospital Hennepin Healthcare System, em Minneapolis, descobriram que haviam sido cobaias de uma pesquisa farmacêutica e receberam drogas experimentais sem o seu consentimento.

A ketanima é um tipo de anestésico criado nos anos 1960 e ficou popular entre veterinários, que aplicam a droga em cavalos. Mais tarde, ela passou a ser usada como droga recreativa, e em golpes do tipo “boa noite, Cinderela”. Mas a ciência também avalia seu uso clínico em humanos.

Estudos recentes da Universidade Yale mostraram que um spray nasal de ketamina pode ser um aliado na luta contra a depressão. Já os pesquisadores da Hennepin analisavam a aplicação da droga para tratar agitação extrema.

Por lei, nos EUA, pacientes devem ser questionados se desejam participar de uma pesquisa, exceto em circunstâncias especiais, como situações de emergência, onde o consentimento pode ser dispensado. No entanto, uma queixa assinada por 64 médicos e acadêmicos alega que os critérios para uma situação do tipo não foram seguidas no caso.

Uma das condições para liberarem a pesquisa sem consentimento é garantirem o risco mínimo aos pacientes, o que não aconteceu. O próprio hospital já havia realizado um estudo semelhante em 2013, onde 53% dos pacientes medicados com ketamina tiveram problemas respiratórios.  Na ocasião, os participantes consentiram antes do início da pesquisa.

A prefeitura de Minneapolis iniciou uma investigação do caso. O hospital apenas lançou uma declaração onde diz que todos os procedimentos legais foram seguidos e que estão dispostos a colaborar com as investigações.