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População de tartarugas marinhas aumentou no mundo todo

Nos últimos 16 anos, a maior parte das espécies do réptil se recuperou – e o risco de extinção, embora ainda alto, caiu muito

Por Bruno Vaiano 27 set 2017, 14h47

Segundo a estimativa mais conservadora da ONG de conservação ambiental WWF, algo entre 200 e 2 mil espécies são extintas todos os anos – o suficiente para atribuir à ação humana o sexto e mais recente fenômeno de extinção em massa da história da Terra (o último, como você deve imaginar, é o meteoro que acabou com os dinossauros).

No meio dessa devastação toda, porém, os ativistas podem se orgulhar de uma vitória: a população de tartarugas marinhas, afirma um artigo científico publicado hoje na Science, aumentou em quase todos os lugares do mundo nos últimos 15 anos. Para chegar à conclusão, foram analisadas 299 planilhas geradas por instituições e fundos de preservação, que continham ao todo 4417 estimativas anuais sobre a quantidade desses animais nas praias e mares de todos os continentes. Foram identificadas 95 áreas de preservação de tartarugas em que os números subiram, contra apenas 35 em que a quantidade de animais diminuiu.

De acordo com o Projeto Tamar, das sete espécies de tartaruga que existem no mundo, cinco ocorrem no Brasil: cabeçuda (Caretta caretta), de couro (Dermochelys coriacea), oliva (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas) e de pente (Eretmochelys imbricata). Quando as estatísticas acima são separadas por espécie, o sucesso das iniciativas de conservação varia. A verde, por exemplo, está prosperando até em praias que não são tradicionalmente pontos de reprodução. Segundo o The New York Times, entre 1973 e 2012 o número de ninhos de Chelonia mydas na barra de French Frigate, no Havaí, aumentou de 200 para 2 mil. As de couro, por outro lado, ainda estão declinando no Pacífico, mesmo apesar da melhora relativa em outros lugares.

No caso específico das tartarugas marinhas, análises históricas abrangentes são mais valiosas que o acompanhamento ano a ano. Por causa do comportamento natural desses répteis, o número de ninhos e ovos flutua muito em intervalos pequenos – só observando os gráficos de longe é possível perceber que, mesmo apesar de quedas pontuais, em média a população aumentou em um determinado período. Os esforços de preservação das tartarugas são especialmente difíceis, de acordo com o artigo científico, graças a sua distribuição geográfica imprevisível – elas nadam e se reproduzem no mundo todo. “É mais difícil reverter quedas na população de grupos mais amplamente distribuídos – ou seja, espécies migratórias – que estão em risco de extinção.”

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