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Por que você não deveria deixar seu gato sair de casa, segundo a ciência

Envenenamentos, atropelamentos, lesões e doenças: um novo estudo mapeou riscos de deixar os gatinhos desacompanhados nas ruas.

Por Diego Facundini
20 mar 2026, 14h00 •
  • POV: Você é um gato. Talvez você já tenha visto algum vídeo do tipo nas redes sociais: com uma câmera acoplada à coleira, gatinhos curiosos documentam suas aventuras enquanto desbravam o mundo afora, pulando de telhado em telhado, escalando árvores e interagindo com colegas.

    Há de se admitir: os vídeos são uma fofura. Mas não se engane: os gatos domésticos não foram feitos para a vida boêmia, e deixar esses animais livres para sair de casa e andar pela vizinhança pode ser algo bem perigoso.

    Isso porque gatos errantes – aqueles que podem passear sozinhos – têm uma expectativa de vida pelo menos dois ou três anos menor que a de gatos que só ficam em casa, e podem morrer até 10 anos antes do esperado. Não apenas isso: os riscos que os gatinhos correm nas ruas podem deixá-los debilitados pelo resto da vida (além de gerar muitos custos com o veterinário).

    É o que revela uma revisão de estudos publicada recentemente na revista Global Ecology and Conservation. No trabalho, uma equipe de pesquisadores da Austrália analisou diversos estudos sobre gatos ao redor do mundo, procurando entender os riscos existentes ao sair de casa. E são vários: envenenamento, intoxicação, atropelamento, violência humana, quedas, brigas com outros animais e até doenças infecciosas.

    Atropelamentos

    Um dos principais perigos para os gatos são as mortes e lesões causadas por atropelamentos. Nisso, as vítimas que mais se machucam têm menos de 5 anos. Já animais que não foram castrados correm ainda mais riscos, porque costumam caminhar distâncias maiores.

    Um dos estudos analisados fez algo parecido com os vídeos da internet: pesquisadores na Nova Zelândia montaram câmeras nas coleiras de 37 gatos e monitoraram seus comportamentos ao longo de 90 dias. No total, 32% dos animais atravessaram ruas. Já em um estudo similar nos EUA, que monitorou 55 gatos pelo período de um ano, o número era ainda maior: quase metade (45%) cruzou as vias em algum momento. (Isso quando não estavam andando embaixo das casas ou explorando bueiros). Outro estudo, na Austrália, monitorou 55 gatos por oito meses. Um deles perdeu uma perna após ter sido atropelado; outros sofreram fraturas em quedas ou brigas.

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    Por dia, os gatos atravessam a rua 4,8 vezes, de acordo com outro trabalho, que monitorou os gatos via aparelhos de GPS na Austrália.

    Para gatos com menos de um ano até os oito anos de idade, a principal causa de morte, no Reino Unido, são os atropelamentos. Já no Brasil, os acidentes de trânsito são responsáveis por quase um quarto de todas as lesões nesses animais, superados apenas pelas quedas, com 30%.

    Entre 18 e 24% dos gatos são atropelados em algum momento da vida, segundo estimativas feitas na Europa – e 70% desses casos são fatais.

    Intoxicações e envenenamentos

    Fora de casa, qualquer substância tem o potencial de fazer mal para nossos bichanos.

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    Os riscos estão por toda parte. No estudo feito nos EUA, 25% dos animais beberam ou comeram algo enquanto estavam na rua. Os gatos neozelandeses, por sua vez, beberam fora de casa em 59% dos casos, e 40% comeram fora. Naquele primeiro estudo australiano, dos 55 gatos monitorados, dois também foram envenenados.

    É comum que gatos entrem em contato com veneno de rato, de acordo com a revisão, com ênfase nos mais jovens e não-castrados. Aqui no Brasil, mais de 5% das mortes são causadas por intoxicações.

    Isso tudo sem citar envenenamentos intencionais feitos por humanos, além de outros tipos de violência. Coisas assim são verificadas em todo o mundo, e muitos gatos errantes morrem antes de receber ajuda veterinária.

    Doenças infecciosas

    Em contato com outros gatos da rua, esses animais também podem contrair uma série de doenças fatais.

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    O principal vilão disso é o Vírus da Leucemia Felina, ou a FeLV, que, no Brasil, acomete 12,5% dos gatinhos. Essa é uma doença que afeta o sistema imunológico, além de poder provocar anemia e o crescimento de tumores. Sua transmissão acontece pelas secreções – quando os gatos se lambem, por exemplo, ou comem do mesmo lugar. A FIV, o vírus da imunodeficiência felina, também preocupa. Ela é transmitida pelo contato da saliva com feridas, principalmente por decorrência das brigas. Ambas são incuráveis.

    O que fazer?

    A principal recomendação, de acordo com a nova revisão de estudos, é não deixar seu gato sair de casa sozinho. Continua sendo uma possibilidade, por exemplo, levar os bichinhos para passear com uma coleira, mas nunca desacompanhados. O domicílio também traz seus problemas – gatos estritamente domésticos fazem menos exercícios e podem ter mais chance de desenvolver condições como obesidade e diabetes. Porém, o estudo conclui, isso não vale o risco de deixar os gatos soltos por aí. Outra recomendação, então, é sempre brincar com os gatinhos, entreter com brinquedos e oferecer espaços na casa onde eles possam escalar ou apenas relaxar.

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