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Tá louca, mimosa?

Por 28 fev 2001, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h33
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Marcelo Spina

Você já está a par do surrealismo: por causa de uma disputa pelo mercado de aviões – na qual o Brasil vem ganhando rapidamente o espaço que pertencia ao Canadá –, as autoridades canadenses resolveram retaliar. Lançaram a denúncia de que o gado brasileiro estaria contaminado pela doença da vaca louca, também conhecida pela sigla BSE (encefalopatia espongiforme bovina, em inglês). Tudo indica que se trata de um falso alarme, destinado apenas a criar dificuldade para o governo brasileiro, mas, uma vez disparado, ganhou vida própria e armou enorme celeuma no país. E o melhor (ou pior) vem agora: mesmo que a acusação fosse verdadeira, não seria possível comprová-la por que, se algo se sabe a respeito dessa misteriosa degeneração dos neurônios, é que não há ainda um único teste capaz de detectá-la. Só se demonstra que está presente quando já é tarde demais e o mal está feito (veja o infográfico abaixo). Tanto que a demência surgiu na Inglaterra, em 1986, e proliferou pela Europa sem que se conseguissem flagrar os bifes contaminados cruzando as fronteiras. Não se sabe como a BSE é causada. Supõe-se, apenas, que tenha origem em uma toxina chamada príon que, apesar de ser uma molécula inerte, poderia se multiplicar como um vírus, ou seja, um ser vivo. Mas até hoje ninguém viu essa inédita “substância viva”. O governo brasileiro garante que não há risco de alguém contrair a versão humana da BSE, conhecida como variante do Mal de Creutzfeldt-Jacob (vCJD), ao comer a carne nacional. Primeiro porque o gado brasileiro não come ração contendo carne de vaca ou de ovelha, a única via comprovada de transmissão da doença. Como alternativa, os canadenses lembram que o Brasil importa sangue humano da Inglaterra e o sangue inglês é suspeito por que lá morreram 80 das 90 vítimas de vCJD no mundo. O governo brasileiro alega estar investigando tudo com atenção. “Trata-se de um cuidado de praxe que se deve ter com qualquer doença”, diz o neurologista Noboru Yasuda, da Universidade de São Paulo. “Não há qualquer evidência de que exista a doença no Brasil”.

Roteiro do bife pinel

A doença vai do pasto aos miolos do freguês
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1. A degeneração dos neurônios que leva as vacas européias à loucura foi observada primeiro nas ovelhas. A causa, ainda incerta, pode ser um vírus ou uma toxina

2. A doença chegou ao bovino pela ração, que é feita da carne de ovelhas e das próprias vacas. Assim, o mal se espalha de um curral a outro

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3. Os humanos são contaminados pelos bifes e hambúrgueres. A toxina que se supõe causar a doença, chamada príon, se alojaria no baço, passando daí para a medula e para o cérebro. Ele, aos poucos, fica cheio de buracos devido à morte progressiva dos neurônios

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