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Vírus evoluem de forma inesperada no espaço – e podem combater superbactérias

A microgravidade torna os vírus mais eficazes em infectar bactérias. No futuro, eles podem ser aliados no combate a doenças.

Por Ana Clara Caielli Barreiro
24 jan 2026, 16h00 •
  • Bacteriófagos são vírus que infectam bactérias. Essa relação impulsiona mudanças evolutivas mútuas: de um lado, as bactérias aprimoram seus mecanismos de defesa; de outro, os vírus encontram novas formas de infectá-las. Mas o que aconteceria se esse embate ocorresse no espaço? Um novo estudo publicado na revista PLOS Biology investigou a questão.

    Pesquisadores da Universidade de Wisconsin–Madison, nos Estados Unidos, enviaram à Estação Espacial Internacional (ISS) o vírus T7, que infecta a bactéria Escherichia coli. A ideia era observar essa interação em condições de microgravidade – onde a movimentação é muito mais limitada e, portanto, o contato entre as espécies é reduzido. Em seguida, ela foi comparada a uma infecção sob condições normais aqui na Terra.

    A microgravidade na ISS impulsionou mutações específicas tanto nos vírus quanto nas bactérias. Esses seres microscópicos se multiplicam rapidamente, o que permite que eles evoluam a uma taxa acelerada.

    Após um atraso inicial, os vírus bacteriófagos conseguiram infectar as bactérias no espaço. Nos vírus, surgiram mutações nas proteínas responsáveis por se ligar aos receptores das bactérias. Elas se tornaram mais eficientes, e passaram a exigir menos contato para que a infecção ocorresse. Nas bactérias, por sua vez, seus próprios receptores se modificaram para sobreviver à microgravidade e se proteger dos vírus.

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    De volta à Terra, testes mostraram que o vírus cultivado na ISS foi eficaz em infectar a cepas causadoras de infecções urinárias eh humanos – que geralmente são resistentes ao T7.

    O estudo abre a possibilidade de se utilizar vírus bacteriófagos mais eficientes para combater as chamadas “superbactérias”, ou seja, bactérias resistentes aos antibióticos tradicionais. Devido ao uso intenso de antibióticos (às vezes, de forma desnecessária) ao longo dos anos, algumas cepas de bactérias evoluíram para serem imunes a eles.

    Esse é um dos maiores desafios da medicina contemporânea, já que os medicamentos tradicionais simplesmente não são mais capazes de eliminar os causadores de algumas doenças. A Organização Mundial da Saúde estima que as superbactérias matarão até 10 milhões de pessoas por ano até 2050, superando as vítimas de câncer. Quanto mais recursos para combatê-las, melhor – mesmo que sejam vírus criados no espaço.

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