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Alexandre Versignassi Por Alexandre Versignassi Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

A divulgação atabalhoada da PF criou mais pânico do que deveria

A operação Carne Fraca é bem-vinda, e os culpados merecem punição exemplar, mas o anúncio desajeitado da sexta propagou erros e lendas

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 20 mar 2017, 20h35 - Publicado em 20 mar 2017, 16h32

O Brasil levanta US$ 14,5 bilhões por ano com exportação de carne. Temos mais cabeças de gado no país (215 milhões) do que gente (204 milhões). Levando em conta que imposto sobre exportação é de 30%, o governo recebe tanto dessa indústria a cada TRÊS MESES quanto ganhou com a última rodada de privatização de aeroportos (US$ 1,2 bi).

Tudo isso só mostra o quanto a operação Carne Fraca é importante. Melhor que a indústria leve um safanão de uma vez do que vê-la perder mercado gradativamente, até que o Brasil volte à hoje inimaginável situação de importador líquido de carne.

A operação é valiosa. Ponto. Mas não dá para dizer o mesmo da forma como ela foi divulgada pela Polícia Federal. O atabalhoamento colocou no mesmo barco frigoríficos pêgos vendendo carne estragada com outros que nem chegaram a ser acusados disso.

E tem o caso do papelão. Agora, que vários técnicos de universidades já foram ouvidos, está claro que se foi um mal entendido da Polícia Federal. Tudo leva a crer que, de fato, não existe carne com papelão – para começar, ele faria a carne apodrecer mais rápido, o que só traria prejuízo para a indústria. Só tem um problema: a maior fonte de informação de boa parte dos brasileiros não é nem o Facebook. São os memes de internet. E a ideia da carne com papelão é matéria-prima perfeita para memes de primeira linha, como você tem visto no Whatsapp.

A PF nunca foi tão atuante, e importante, para o País. O problema é que isso parece ter contaminado parte do bom senso da instituição. A divulgação da Carne Fraca na sexta-feira precisava de um técnico que fosse para tirar dúvidas da imprensa – e do público. Pintar virtualmente todos os produtores de carne do país como bandidos, questionar a qualidade de toda proteína animal brasileira e criar novas lendas urbanas, do papelão na carne à ideia de que toda carne produzida no Brasil está condenada, mancha parte do que a operação tem de bom.

Os efeitos deletérios para a economia já começam a vir: a Coreia do Sul já barrou nosso frango, China e Chile, nossa carne, e a União Europeia planeja suspender os frigoríficos investigados. Nada disso significa que uma divulgação mais madura da PF evitaria esses bloqueios. O mercado de proteína animal é tão sensível a questões sanitárias que mesmo se o anúncio fosse feito por uma bancada de cientistas, como o devido cuidado para não gerar informações falsas, nossa carne de exportação acabaria pagando o pato do mesmo jeito. Mas nada justifica a proliferação de exageros e erros. Aí já é papelão.

 

 

 

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Ciência, Sociedade
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