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Alexandre Versignassi

Por Alexandre Versignassi
Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.
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Israel e Palestina: 3 mil anos de tensão

Filisteus, israelitas, assírios, babilônios, romanos, bizantinos, muçulmanos... Uma breve história dos conflitos entre diversos povos pelo controle da região.

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 11 out 2023, 14h47 - Publicado em 11 out 2023, 14h43

Palestina” vem de “Filístia” – terra dos filisteus, um povo que se estabeleceu por volta de 1100 a.C. na costa leste do Mediterrâneo, onde hoje fica o litoral de Israel e a Faixa de Gaza. Quem batizou foram historiadores da Grécia Antiga.

“Israel” é um nome que vem da Bíblia. De acordo com o Velho Testamento, trata-se da alcunha que Jacó, um dos patriarcas do Livro Sagrado, recebeu após ter lutado contra um anjo, e prevalecido. Significa “aquele que luta [isra] com Deus [el]”.

Também por volta de 1100 a.C., tribos de pastores que viviam onde hoje fica o interior de Israel e a Cisjordânia desenvolveram uma cultura unificada, que daria origem ao judaísmo. Uma cultura forjada pelos conflitos territoriais da Idade do Ferro, em grande parte contra os filisteus.

Golias, o gigante armado até a medula que o menino Davi derrota com uma pedrada na mitologia bíblica, é filisteu. Os captores de Sansão, uma espécie de Incrível Hulk bíblico, também, como diz Juízes 16:21: “Os filisteus furaram seus olhos. Então o levaram para Gaza e o prenderam com correntes de bronze. E o puseram para trabalhar na prisão, virando um moinho”.

Pela cronologia bíblica, a cultura israelita viveu seu auge entre 1020 a.C. e 930 a.C., quando todas as tribos que se consideravam descendentes de Jacó formaram o Reino de Israel. Depois disso, veio uma cisão: a parte sul do território, centralizada na cidade mais importante, Jerusalém, tornou-se independente, dando origem ao Reino de Judá – daí o nome da religião.

Em 722 a.C., a parte norte foi arrasada pelo Império Assírio. Em 586 a.C., Judá caiu nas mãos de outro império, o Babilônio – mesmo destino dos filisteus. A cultura da Filístia deixou de existir aí. A da Judeia, não: algumas décadas depois da invasão, os judeus foram autorizados a retomar o controle de Jerusalém. E por lá ficaram até o século 2. Mas aí o império da vez, o Romano, decidiu expulsá-los definitivamente – além de renomear Judeia e arredores com o nome grego, Palestina, para cortar o vínculo entre o lugar e a população judaica.

Com o fim de Roma, no século 5, a região ficou nas mãos dos herdeiros dos césares, os bizantinos. Mas por pouco tempo. Em 637, os árabes tomaram o controle da Palestina. O islamismo ainda estava em seus primeiros dias – Maomé tinha morrido apenas cinco anos antes. Por fazer parte da infância do islã, Jerusalém se tornaria uma cidade sagrada também para os muçulmanos.

A Palestina chegaria ao século 20 sob controle islâmico – como parte do Império Otomano. O lugar se tornaria uma colônia britânica após a Primeira Guerra. Com o crescimento do antissemitismo na Europa (que culminaria no Holocausto), comunidades judaicas foram estabelecendo-se em sua terra santa. E em 1947 fundaram o Estado de Israel. Faltava combinar com os árabes, que formavam 70% da população.

E ainda falta. O plano original, da ONU, era que os árabes também tivessem seu país ali, a Palestina. Isso nunca aconteceu. E agora, com a escalada do terrorismo do Hamas, a solução de dois Estados parece ainda menos viável. Mesmo assim, ela ainda é a única com potencial para trazer uma paz duradoura. Que venha algum dia.

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