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O que é inverno nuclear?

As consequências de uma guerra nuclear vão muito além das explosões.

Por Diego Facundini 13 out 2026, 18h00
O que é inverno nuclear? Priorizar nos meus resultados Google

É um cenário hipotético que ocorreria no mundo todo após uma guerra nuclear. Os incêndios causados pelas explosões atômicas liberariam tanta fumaça que a atmosfera ficaria coberta por uma camada de fuligem, densa o bastante para tapar a luz do Sol.

A superfície da Terra esfriaria, prejudicando a fotossíntese de plantas e algas. Isso levaria ao colapso de ecossistemas e da produção mundial de alimentos. Segundo estimativas recentes, o inverno nuclear poderia durar algo em torno de 15 anos.

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O termo começou a ser usado nos anos 1980, durante a Guerra Fria, quando a ameaça de um conflito nuclear entre Estados Unidos e União Soviética levou cientistas a questionarem qual seria o real potencial destrutivo de uma bomba atômica. Nesse contexto, diversos estudos calcularam o impacto que essas armas poderiam deixar na atmosfera e, por consequência, no clima.

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Quando uma bomba atômica explode, o principal resíduo que ela deixa para trás, além do material radioativo, é a fumaça. Na medida em que os incêndios criados pela explosão pulverizam a vegetação das florestas e queimam o combustível armazenado nas cidades, quantidades enormes de fuligem são lançadas na estratosfera – onde as partículas de fumaça podem permanecer por muito tempo. 

As primeiras estimativas sobre o fenômeno – feitas pelos pesquisadores Paul Crutzen e John Birks em 1982 – calculavam que, caso uma grande explosão queimasse aproximadamente 1 milhão de km² de floresta (uma área equivalente ao território da Dinamarca, Noruega e Suécia somados), ela poderia gerar entre 200 a 400 milhões de toneladas de fumaça.

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Espalhada por todo o hemisfério norte, toda essa fuligem sugaria entre 50% e 99% da luz solar durante o meio-dia, e frações ainda maiores em outros horários. Crutzen e Birks descreveram esse fenômeno como um “crepúsculo ao meio-dia”. (O nome “inverno nuclear” só foi ser usado um ano depois, em um artigo que tinha, entre seus autores, o astrônomo Carl Sagan.)

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Nesse cenário, as perdas humanas iriam muito além da explosão inicial: além da radiação, a humanidade também teria que lidar com a fome, dado que a falta da luz solar dificultaria o plantio de qualquer alimento. De maneira similar, a morte do fitoplâncton dos oceanos, que sobrevive também com base na fotossíntese, poderia desencadear um colapso nos ecossistemas marinhos.

Nos anos finais da Guerra Fria, os estudos sobre os perigos do inverno nuclear contribuíram para que Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário fosse assinado pelos líderes dos EUA e da União Soviética, em 1987. Desde então, o número de ogivas nucleares no planeta diminuiu de aproximadamente 65 mil para menos de 13 mil.

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Ainda assim, hoje, mesmo contando com uma fração do arsenal mundial, uma guerra regional entre duas nações nucleares como Índia e Paquistão já conseguiria mudar o clima do planeta por um período de 12 anos, injetando cerca de 5 milhões de toneladas de fuligem na atmosfera, segundo estimativas recentes.

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Fontes: artigo “Supersonic airliners, ozone, and wildfire smoke: Origins of the nuclear winter theory”, do Bulletin of the Atomic Scientists; estudo “Extreme Ozone Loss Following Nuclear War Results in Enhanced Surface Ultraviolet Radiation”

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