Os pandas podem voltar a ser carnívoros?
Esses gorduchos passam mais de 12 horas por dia comendo bambu. Por quê?
É improvável. Eles são especializados em comer bambu, planta que compõe 99% de sua dieta.
Existem oito espécies na família Ursidae, e a maioria delas tem uma dieta onívora com preferência à carne. Na história evolutiva, os pandas foram os primeiros a se separarem do ancestral comum a todos os ursos, há 20 milhões de anos.
Com a abundância de bambu no sul e no leste da China, eles desenvolveram estruturas especializadas para se alimentarem dessa planta: um “falso polegar” que ajuda a agarrar e arrancar os caules duros; grandes dentes molares e uma mandíbula forte para mastigá-los; e enzimas e micróbios que metabolizam o cianeto tóxico do bambu cru.
Mesmo assim, os pandas ainda têm o trato gastrointestinal mais parecido com o de carnívoros. Por exemplo: vacas e outros ruminantes têm um sistema digestivo complexo, com três “pré-estômagos” (rúmen, retículo, omaso) e um estômago verdadeiro. Depois de engolir, elas regurgitam o alimento para mastigá-lo novamente, garantindo pedacinhos bem pequenos. No rúmen bovino, milhões de microrganismos quebram os vegetais em moléculas mais simples, que os animais conseguem digerir. O processo todo dura mais de 24 horas.
Humanos e a maioria dos outros onívoros, por sua vez, não digerem muito bem as fibras presentes em vegetais e frutas (mas elas seguem sendo importantes para regular a saúde intestinal e formar as fezes e podem ser aliadas no emagrecimento, por causarem saciedade sem adicionar calorias).
Pandas têm dieta de boi, mas estômagos de leão. Eles só comem bambu, mas absorvem poucos nutrientes das refeições, que já são naturalmente pouco proteicas. Por isso, passam entre 12 e 14 horas por dia comendo para sobreviver. Seu metabolismo é lento, e eles não hibernam – afinal, não conseguem armazenar energia suficiente para isso.







