Qual a origem do sinal do dedo do meio?
Como muitas outras coisas, a resposta começa na Grécia Antiga.
Na Grécia Antiga, há mais de 2 mil anos, o dedo do meio já era associado com um pênis e usado para ofender. Desmond Morris, autor do livro Gestures, their Origin and Distribution (“Gestos, sua Origem e Distribuição”, sem tradução para o português) argumenta que o dedo erguido representa o falo, e os dedos abaixados seriam os testículos.
Um dos primeiros registros vem da peça As Nuvens, escrita em 423 a. C pelo poeta grego Aristófanes. Em um diálogo na sala de aula de Sócrates, um aluno faz um trocadilho com a antiga palavra daktylos, que significava tanto um tipo de métrica de poesia quanto “dedo”. Na trama, a gracinha de mostrar “o dedo mais longo” faz com que o aluno seja chamado de “grosseiro e estúpido” pelo filósofo.
Da Grécia, o gesto mal-educado foi levado para a Roma Antiga, onde era conhecido em latim como digitus impudicus –que quase dispensa tradução e significa algo como “dedo indecente”. Reza a lenda que o imperador romano Calígula (12-41 d.C) obrigava os súditos a beijar seu dedo do meio em vez de sua mão, como uma forma de humilhação.
Que o dedo era associado ao indecoro, é fato. Entretanto, especialistas têm dúvidas se o gesto já era exatamente como o atual. É possível que, em vez de erguer o dedo em riste com os outros abaixados, a ofensa se desse de outra forma, como ao usá-lo para apontar.
Existem poucos registros do gesto durante a Idade Média – o que alguns pesquisadores atribuem à repressão moral da Igreja Católica. Entretanto, ele vingou ao longo dos séculos e se espalhou por quase todo o mundo. Algumas culturas usam gestos equivalentes – como a nossa boa e velha banana, que também é comum em Portugal, na Espanha e na França.
Hoje, um dedo do meio ainda incomoda muita gente, mas não é um tabu completo. O gesto foi adicionado à cartela de emojis em 2014 pelo Unicode, que organiza os símbolos que digitamos em nossos teclados, e também pode ser encontrado em videoclipes, torcidas de futebol, capas de álbuns, e, é claro, em discussões acaloradas por todo o mundo.
Pergunta de Eduardo Lima, São Paulo (SP).
Fontes: artigo “Insulting middle-finger festures among ancient Greeks and Romans”; artigo “Digitus impudicus: The middle finger and the law”; livro Gestures, their Origin and Distribution.







