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Descoberta a “mãe” de todas as maçãs – ela é do Cazaquistão

Quase metade do DNA de qualquer uma das 7,5 mil variedades da fruta vem de uma única espécie maçã selvagem, comum no centro da Ásia

Por Bruno Vaiano 18 ago 2017, 20h02

Uma notícia ruim para os fãs de maçã crocante (caso deste repórter): as primeiras maçãs colhidas pela humanidade, frutos da árvore selvagem M. sieversii, são macias, e não crocantes. Têm tamanho médio e sabor levemente adocicado, são típicas do território do Cazaquistão e estão em risco de extinção – um destino irônico para a mãe da fruta mais popular do planeta.

Para traçar a árvore genealógica da maçã de volta para sua origem, na Ásia Central, Naibin Duan, chinês da Universidade de Shandong, colheu amostras de DNA de 117 variedades de maçã do mundo todo – parece muito, mas é só uma pequena parcela das mais de 7,5 mil opções que existem (das quais só 25 são exploradas comercialmente). Os resultados estão neste artigo científico, publicado na Nature na última terça.

A domesticação de uma fruta é como a domesticação de um animal. Na natureza, maçãs podem ser pequenas ou grandes, doces ou amargas, macias ou crocantes. A domesticação acontece quando um ser humano dá sorte na hora de colher uma maçã aleatória, percebe que ela é mais gostosa que a média e decide criar cópias daquela árvore em seu quintal. É uma manobra segura: você não só passa a ter sua própria fonte de frutas como impõe um padrão de qualidade à natureza, garantindo que suas maçãs virão sempre do jeito que você gosta.

Historiadores já sabiam há muito tempo que os habitantes do território que hoje corresponde ao Cazaquistão comiam maçãs pelo menos desde a época de Alexandre, o Grande (século 4 a.C.) – reza a lenda que o déspota, após suas incursões no centro da Ásia, levou exemplares da fruta consigo e plantou suas sementes na Grécia atual. O nome da cidade de Almaty, capital do Cazaquistão até 1997, significa algo como “montanha de maçãs” ou “cheio de maçãs” na língua local.

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Com sua análise genética comparativa, Duan chegou à mesma conclusão. Segundo ele, a maçã alcançou fama mundial graças à Rota da Seda, um eixo comercial que, da antiguidade até o século 15, ligou a China ao Mediterrâneo – passando, é claro, por Almaty e suas famosas frutas. Nos arredores da cidade cazaque, as trocas econômicas ocorriam entre grupos étnicos muito diferentes, como Indianos, Árabes e Armênios, que voltavam para casa com suas maçãs favoritas e as usavam para criar suas próprias variedades.

O caminho exato que as maçãs percorreram do centro da Ásia rumo a China (de um lado) e a Europa (do outro) está registrado justamente nas alterações genéticas que foram impostas à fruta por cada criador. Rumo aos países ocidentais, as maçãs aumentaram em tamanho e crocância, se tornaram mais aromáticas e azedinhas. As chinesas, por sua vez, ficaram mais macias, doces e menores.

Essa, evidentemente, é uma simplificação: esse é um processo de centenas de anos, que envolve versões híbridas com maçãs selvagens de outras espécies. As maçãs que já existiam nas florestas da Europa, por exemplo, eram mais crocantes e menores, e a troca de genes com as maçãs asiáticas fez com que elas aumentaram de tamanho sem sacrificar o toque cítrico. Hoje, a fruta tem só 46% de DNA cazaque – 21% vem das azedinhas europeias, e 33% de fontes desconhecidas.

Maçã que faz “croc!” e maçã que faz “fronf!”, portanto, é uma disputa quase tão antiga quanto “biscoito” e “bolacha”. O grau de firmeza da fruta do pecado divide o mundo entre ocidente e oriente – e sua origem curiosa ajuda a colocar o Cazaquistão  e suas tradições no mapa do mundo depois de quase um século ofuscado pela União Soviética.

Em termos culturais, históricos e econômicos, o país só nos legou uma coisa mais importante que a maçã: os cavalos domésticos – que por 5 mil anos decidiram quase todas as conquistas militares do mundo.

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