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Este é o jeito mais eficiente de vencer um psicopata

Por incrível que pareça, eles não têm poder sobre a internet

Psicopatas não são só aqueles caras parados na esquina numa van preta sem janelas — esses são assassinos em série, uma minoria ínfima entre eles. Psicopatas — ou sociopatas, a maioria dos psicólogos não diferencia os termos — são em muito maior número que assassinos em série: no mínimo, 1% da população, mas há quem fale em até 5%.

Você provavelmente já topou com um deles hoje. Mas não notou. Isso porque eles são também costumam ser exímios manipuladores — uma das características da maioria dos psicopatas é que eles parecem bem normais, inclusive bastante carismáticos. Quase ninguém reconhece um psicopata quando conversa com ele. E é assim que as pessoas acabam manipuladas, envolvidas em seus esquemas, o que leva tanto a sofrer uma relação abusiva quanto a contratar, sem saber, um assassino em série para ser animador de festa de crianças.

Um estudo da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá) acaba de revelar que esse superpoder de manipulação tem um ponto fraco: a internet.

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Duzentos estudantes foram testados para medir a chamada “tríade sombria”: a psicopatia em si (caracterizada pela ausência de amor, empatia e culpa) e também o narcisismo (a obsessão consigo próprio) e o maquiavelismo (planejar esquemas para manipular os outros). Elas quase sempre vêm juntas: psicopatas bem-sucedidos — do tipo que vai parar num cargo de executivo, e não na cadeia — costumam ter todos os três.

O teste consistiu em pedir a todos que simplesmente fizessem negócios, comprando e vendendo entre si, tentando obter o maior ganho. Sem muita surpresa, os que tiveram um placar alto na tríade sombria se mostraram exímios vendedores, manipulando os outros a fazer algo que não era de seu melhor interesse. Mas isso apenas em negociações cara a cara: quando os negócios eram feitos por texto, através da internet, os psicopatas se mostraram piores vendedores que as pessoas comuns.

A conclusão dos cientistas é que a internet derrubou a máscara dos psicopatas. Sem a presença física, sem a possibilidade de analisar a postural corporal ou o tom de voz, não encontraram as fraquezas das outras pessoas. Aí não conseguiram planejar seu ataque. Também não podiam mostrar seu carisma ou intimidação por meio da própria voz e postura. E sua linguagem escrita, claramente manipulativa, soou hostil a quem estava do outro lado. O texto também ajudou quem não tinha a tríade sombria a superar sua timidez e negociar com mais firmeza.

Quem é familiar com a internet pode achar a ideia meio absurda. Basta entrar em qualquer discussão acalorada para ficar com a impressão que todo mundo virou psicopata. Talvez por isso mesmo eles não têm poder por ali: viram só mais um comentarista enraivecido pedindo seu endereço para matar seu cachorro.

Mas sério: se você tiver problemas com um psicopata, seja chefe, síndico ou ex, converse por texto. Eles têm uma chance bem menor de conseguir o que querem.