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Como fazer o bolo em que “a clara reencontra o ovo”

Aprenda com o meme. E veja "imagens exclusivas" do reencontro, rs.

Fernando Rocha, apresentador do programa Bem Estar, da Globo, repetiu o feito de seu xará Fernando Vanucci: se tornou um gigantesco meme involuntário, depois de uma fala “pouco convencional”, sobre o suposto “encontro da clara com o ovo” dentro de um bolo (se ele dissesse “da clara com o a gema” ficaria mais correto, mas talvez houvesse uma certa perda de comicidade).

Em homenagem ao nascimento do meme, enfim, fique aqui com uma receita em que a clara e o ovo se divorciam num primeiro momento, mas que reatam o casamento depois. Não é exatamente um bolo, e sim um creme. Mas está valendo 😉

OVOS NEVADOS

Em Portugal, a sobremesa é conhecida como farófias. Ela provavelmente não existia em Portugal antes do século 18, ou não aparecia em anotações anteriores a essa data por ser uma receita caseira, que não merecia nem precisava de registro.

De qualquer forma, o Tratado Completo de Cozinha e de Copa, de 1904, diz: “Este doce faz-se geralmente do aproveitamento das claras que sobram do fabrico de outros doces”.

Na França, em 1903, o chef Auguste Escoffier incluía em seu Le Guide Culinaire uma sobremesa chamada île flottante (ilha flutuante), em que um bolo, e não claras em neve, era cercado de creme inglês por todos os lados. Hoje os franceses chamam de île flottante ou oeufs à la neige (ovos em neve) o que os brasileiros chamam de ovos nevados.

Ingredientes

  • 6 ovos
  • 1 litro de leite
  • 1 xícara e meia de açúcar Óleo Raspas de um limão
  • 1 fava de baunilha cortada no sentido do comprimento ou gotas de extrato de baunilha
  • Canela em pó

Modo de preparo

1. Separe gemas e claras.

2. Bata as claras em neve, então polvilhe ¾ de xícara de açúcar por cima e bata mais, até ficarem bem firmes, a ponto de poderem ser cortadas.

3. Em uma panela larga, aqueça o leite, ½ xícara de açúcar e metade das raspas de limão (só a parte verde; a branca é amarga). Quando começar a ferver, baixe o fogo para não espumar.

4. Posicione uma tigela de água fria perto da tigela com as claras e o fogão. Usando uma colher grande, pegue uma colherada de claras batidas. Afunde a colher no leite para que a ilha se solte. Limpe a colher na água fria, então pegue outra ilha e coloque no leite. Deixe que as ilhas cozinhem pelo menos dois minutos de um lado, depois as vire e cozinhe outros dois minutos. Retire com uma escumadeira, deixe escorrer um pouco sobre um pano, depois transfira para uma tigela. Repita o procedimento até dar conta de toda a clara (na minha panela, cozinhei duas ou três claras por vez; mais do que isso, era difícil movê-las com a colher e a escumadeira). Reserve as claras cozidas na geladeira.

5. Acrescente a baunilha ao leite e suba o fogo para médio.

6. Em uma tigela, bata as gemas com o restante do açúcar até chegarem ao ponto de fita (quando escorre do batedor, a mistura forma uma fita).

7. Despeje gradualmente o leite fervente sobre as gemas sem parar de batê-las, depois volte a mistura para a panela.

8. Em fogo baixo, siga mexendo com uma espátula ou uma colher de madeira. Estará pronto quando o creme formar uma camada fina sobre a madeira do utensílio, e um dedo passado sobre essa camada abrir uma trilha que não se fecha imediatamente. Tire então do fogo e espere esfriar mexendo de vez em quando.

9. Despeje o creme frio sobre as claras em neve. Polvilhe canela e salpique as raspas de limão restantes. Deixe na geladeira até a hora de servir.


Momento publicitário: você pode ler mais histórias e receitas assim neste livro aqui, o Cozinha de Vó – lançamento mais recente da SUPER:

Achou esta nota um tanto vazia? Calma que tem mais. Abaixo, IBAGENS exclusivas do “reencontro da clara e do ovo”! (cortesia da nossa designer Tainá Ceccato e do fotógrafo Tomás Arthuzzi, que quebraram e fotografaram dúzias de ovos para o artigo Tudo Sobre o Nada: 4 Grandes Fatos sobre o Vazio. Deleite-se:

 

Uma união estável de respeito, a da clara e do ovo (digo, da gema). E como disse nosso querido apresentador: “Todo mundo sabe. Desde que o mundo é mundo, que a vida é feita de encontros… e despedidas”.

Uma união estável de respeito, a da clara e do ovo (digo, da gema). E como disse nosso querido apresentador: “Todo mundo sabe. Desde que o mundo é mundo, que a vida é feita de encontros… e despedidas”. (Tomás Arthuzzi/Superinteressante)

 

Eis a despedida. Aí a clara, diz Fernando, vira para o “ovo” e fala: “Não fica triste, não. A gente se vê dentro do bolo!” Felizmente, a humanidade já criou câmeras capazes de registrar o momento.

Eis a despedida. Aí a clara, diz Fernando, vira para o “ovo” e fala: “Não fica triste, não. A gente se vê dentro do bolo!” Felizmente, a humanidade já criou câmeras capazes de registrar o momento. (Tomás Arthuzzi/Superinteressante)

 

É notável o sofrimento da gema conforme a clara se afasta. Ela se apoia na escorregadia borda da casca, com o olhar distante. E se, na verdade, isso não for um bolo? E se for simplesmente uma sessão de ovadas no aniversário de algum humano – e a gema e a clara caírem separadas na calçada, para nunca mais se encontrar novamente? Snif.

É notável o sofrimento da gema conforme a clara se afasta. Ela se apoia na escorregadia borda da casca, com o olhar distante. E se, na verdade, isso não for um bolo? E se for simplesmente uma sessão de ovadas no aniversário de algum humano – e a gema e a clara caírem separadas na calçada, para nunca mais se encontrar novamente? Snif. (Tomás Arthuzzi/Superinteressante)

 

Seja como for, os encontros e desencontros desses dois são sempre explosivos. Alguns, porém, diriam: “Não gostei muito. Não foi muito legal essa nota”.  

Seja como for, os encontros e desencontros desses dois são sempre explosivos. Alguns, porém, diriam: “Não gostei muito. Não foi muito legal essa nota”.   (Tomás Arthuzzi/Superinteressante)