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Conheça Enola Holmes, irmã de Sherlock que rendeu processo para a Netflix

A jovem detetive não é uma criação de Conan Doyle – na verdade, é uma fanfic de 2006 que virou filme (e dor de cabeça) no serviço de streaming.

Por Carolina Fioratti - 25 set 2020, 12h58

Você provavelmente já ouviu falar sobre Sherlock Holmes, o detetive britânico criado no século 19 por Sir Arthur Conan Doyle. Por outro lado, poucas pessoas conhecem a história de sua irmã, Enola Holmes, que agora ganhou um filme na Netflix. O longa estreou na última quarta-feira (23) no serviço de streaming e já conquistou vários fãs. Mas fica a dúvida, de onde veio Enola Holmes?

Se você é um fã fiel do romance policial de Conan Doyle e está intrigado com essa aparição, saiba que você não leu as obras errado. O autor, que publicou entre 1887 e 1930, nunca citou nenhuma irmã. Na verdade, Sherlock tinha oficialmente apenas um irmão mais velho, Mycroft Holmes, que aparece em três obras: O intérprete grego, Os planos para o submarino Bruce-Partington e O problema final. Conan Doyle faleceu em 1930, sem nem imaginar que criariam uma irmã mais nova para seus personagens. 

Enola Holmes surge apenas em 2006, como criação de Nancy Springer, uma escritora norte-americana. Em seu primeiro livro com a personagem, O caso do marquês desaparecido, Springer narra a história de uma garota que, às vésperas de seu 14º aniversário, descobre que sua mãe sumiu. Então, a jovem vai atrás de seus irmãos, Sherlock e Mycroft, para que eles a ajudem no caso. A ideia deles é mandá-la para o internato, então Enola foge para Londres e a história começa a se desenrolar. O novo filme da Netflix é basicamente igual, com a diferença de que, no longa, Enola está prestes a completar 16 anos.

No total, Nancy Springer escreveu seis livros sobre Enola Holmes, sendo o último publicado em 2010. Nas histórias, Enola investiga casos de desaparecimento, desvendando as pistas até encontrar seus procurados. Ao decorrer da série, ela segue se esquivando de seus irmãos mais velhos, que insistem em colocá-la no internato e no uso de espartilhos. 

Problemas judiciais 

A adaptação não agradou a todos e está gerando alguns probleminhas na justiça. A família de Conan Doyle está processando a Netflix por violação de direitos autorais. Além do serviço de streaming, a escritora Nancy Springer, a produtora Legendary Pictures e a editora Penguin Random House também estão na reta. 

A situação é a seguinte: Conan Doyle perdeu irmão e filho na primeira Guerra Mundial, que acabou em 1918. Depois disso, desenvolveu um Sherlock mais humano e menos metódico, exatamente como o que é representado nos livros de Springer e no filme Enola Holmes. 

O problema é que, em 2014, parte da obra do autor se tornou de domínio público e parte continuou privada, pertencendo ao Conan Doyle Estate, associação formada por oito membros da família. Seus últimos livros, escritos entre 1923 e 1927, são justamente os que trazem o investigador mais sentimental. Ou seja: o detetive humanizado não é liberado para uso.

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