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Cabeça de cavalo pode mudar a história do Império Romano com seus vizinhos

Descoberta indica que, durante anos, germânicos e romanos conviveram pacificamente

Por Felipe van Deursen Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 14 fev 2020, 17h24 - Publicado em 31 ago 2018, 12h36

As descobertas arqueológicas de Waldgirmes, nos arredores da atual Frankfurt, na Alemanha, sugerem que a relação do Império Romano com os “bárbaros” do norte era muito mais complexa do que se imaginava. Segundo os cientistas do Instituto Arqueológico Alemão da Comissão Romano-Germânica, que coordenou as pesquisas durante 15 anos, os achados indicam que a guerra foi só um dos mecanismos de conquista nessa região do império, mas não a única.

Uma cabeça de cavalo em tamanho real, feita de bronze e banhada a ouro, é a peça mais impressionante da descoberta. Datando provavelmente de 1 d.C., esses 13 kg de pura arte romana seriam parte de uma estátua equestre de um imperador – e o indicativo de que nesse local existia uma cidade, não apenas uma fortaleza contra os inimigos.

Os arqueólogos descobriram que havia uma muralha, mas sem equipamentos militares. Protegidas por essa estrutura de 3,5 m, havia residências romanas, oficinas de marcenaria e cerâmica e até encanamentos de chumbo. Com base nos anéis de crescimento da madeira usada nas construções, eles concluíram que cidade foi erguida em 4 a.C.

A peça agora faz parte da coleção do museu Saalburg, em Bar Homburg, Alemanha (Kreuzschnabel/Domínio Público)

No centro da cidade, havia um prédio administrativo em cujo pátio encontravam-se pedestais para quatro estátuas de cavaleiros. A cabeça dourada do cavalo estava nesse local.

Uma cidade cheia de civis naquela região indica que os romanos queriam conquistar as tribos germânicas com comércio e política, não esmagá-las por meio da guerra. Por anos, houve um convívio pacífico. Até que, em 9 d.C., na Batalha da Floresta de Teutoburgo, uma aliança germânica devastou três legiões romanas, matando 16 mil homens do império.

A derrota definitiva estabeleceu o Rio Reno como a fronteira de Roma pelos próximos 300 anos. Os romanos estabeleceram uma rede de fortalezas, e Waldgirmes foi evacuada em 16 d.C. As estátuas provavelmente foram destruídas pelos germânicos. A exceção foi a cabeça de cavalo, que acabou no fundo de um poço em um possível ritual (as tribos do norte da Europa costumavam sacrificar cavalos e jogar os corpos em rios).

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Até então, os historiadores acreditavam que os romanos só tentaram usar a força de guerra na região, já que somente as fortalezas eram conhecidas. Mas não a cidade fundada antes delas – e antes da batalha que definiu a fronteira.

A cabeça foi descoberta em 2009, mas só agora ela foi exposta. Nos últimos nove anos, a peça ficou armazenada por causa de um processo judicial movido pelo proprietário das terras onde ela foi encontrada. As partes entraram em acordo e a peça está, desde o começo dessa semana, no museu Saalburg Roman Fort, próximo a Frankfurt, dedicado ao legado romano da região. 

O estado alemão do Hesse indenizou o fazendeiro em US$ 800 mil. Não foi só a vida nos limites do império que a cabeça mudou.

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