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Expedito, o santo das causas urgentes – e que nunca existiu

Celebrado em 19 de abril, virou padroeiro dos procrastinadores. Mas a devoção a ele é fruto do engano de um convento francês.

Por Alexandre Carvalho 19 abr 2022, 19h43

Quando se trata da narrativa da vida dos santos, o termo correto é hagiografia (hagios, “santo”; graphía, “escrever”). Essas histórias, geralmente bastante elogiosas aos biografados, vêm sendo registradas desde o cristianismo primitivo, mas ficaram populares mesmo durante a Idade Média, quando a Igreja Católica e os autores religiosos se tornaram especialmente criativos. Foi quando povoaram o imaginário popular com os santos mais improváveis. 

Santo Expedito, celebrado no dia 19 de abril, está na lista dos que não devem jamais ter existido. Tanto que o próprio Vaticano o excluiu de seu calendário oficial durante o concílio realizado entre 1962 e 1965.

Diferentemente de alguns santos antigos que têm uma história mais detalhada (sem falar nos mais recentes, como Irmã Dulce, de quem não há dúvida a respeito da existência), quase nada se sabe sobre a trajetória de Expedito, senão por umas poucas informações básicas.

De acordo com a tradição cristã, ele era um centurião romano, estabelecido na Armênia, que teve a ousadia de se converter ao cristianismo bem na época de Diocleciano. Esse imperador de Roma reinou de 284 a 305, especializando-se em perseguir os que tinham fé em Jesus de Nazaré. 

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E aí teria acontecido a Expedito o que sucedia com todos que teimavam em achar um novo Deus, ainda mais de origem judaica: o centurião rebelde foi decapitado, tornando-se futuramente um dos mártires da Igreja. 

Se hoje esse é o santo das causas urgentes, é por causa de uma lenda. No dia em que ele teria decidido se converter, o Diabo lhe apareceu na forma de um corvo e disse o que as redes sociais vivem nos sugerindo durante o trabalho: “deixe para o dia seguinte”. 

Provando que com ele não tinha essa coisa de adiar uma tarefa, Expedito não hesitou: pisou no pássaro e declarou: “vou virar cristão hoje mesmo”.

Mais curiosa que a transformação dessa lenda numa crença de que protege procrastinadores é a “prova” que encontraram para a sua existência. 

Uma caixa com relíquias retiradas das catacumbas de Roma e enviada para um convento em Paris, em 1781, trazia a inscrição spedito. Embora a palavra signifique “enviado” em italiano (comum de estar na caixa de um serviço de expedição), as freiras entenderam que aqueles restos só podiam ser do nome do mártir – uma figura tão mítica quanto a de São Jorge enfrentando um dragão.

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