Qual é a origem da palavra “tarifa”?
O termo preferido de Donald Trump é uma herança do Império Islâmico. Entenda.
A palavra vem do árabe ta’rīf (تعريف), que significa “notificação”, “informação” ou “definição”. Nos tempos medievais da Península Arábica, o termo fazia referência a uma tabela ou lista de taxas a serem pagas.
É uma herança do Império Islâmico, que se estendeu da Ásia à Europa e, entre os séculos 9 e 13, foi uma superpotência que permaneceu na vanguarda da pesquisa científica global. Usando de base os conhecimentos gregos, persas e andinos, os árabes deixaram contribuições na medicina, na física, nas artes e na matemática.
Parte desse legado (que você poder em detalhes nesta reportagem) ficou marcada na língua. Além de “tarifa”, palavras como “alquimia”, “algarismo” e “algoritmo” carregam o artigo “al” (ٱلْـ) até hoje. No céu, dezenas de estrelas têm nomes árabes, como Betelgeuse (“mão do gigante”) e Aldebaran (“o seguidor”).
A expansão do Império levou o termo a outras partes do globo. “Ta’rīf”, assim como tantos outros, acabou sendo adotado por comerciantes europeus que tiveram contato com mercadores de língua árabe no Mediterrâneo.
A palavra ainda passou pelo italiano, como “tariffa”, e chegou até nós com um “T” a menos, graças aos espanhóis.“Tarifa”, inclusive, é o nome de uma cidade na Espanha, bem ao sul da Península Ibérica, perto do Estreito de Gibraltar.
Há quem diga que o nome do lugar pode ter vindo das taxas cobradas aos navios, mas as principais fontes apontam para uma referência à ilha de Tarif, na costa da cidade. Ela, por sua vez, recebeu esse nome em 710 por ter abrigado as primeiras tropas do comandante Tarif ibn Malik. Tarif servia ao general Talik, responsável pela conquista da Península Ibérica durante a dinastia Omíada, que governou o Império Islâmico entre 661 a 750.
O primeiro uso documentado da palavra “tarifa” na língua inglesa (“tariff”) remonta a 1592, mas, neste caso, se referia a uma tabela aritmética. Foi no século 17 que o termo passou a designar, no idioma, uma lista de impostos sobre importações.
Já em sua forma mais contemporânea, “tarifa” corresponde comumente ao preço cobrado pela prestação de um serviço ou uso de um bem. Ela foi descrita como “a palavra mais bonita do dicionário” pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A palavra ganhou manchetes ao redor do mundo, principalmente no Brasil, pelos tarifaços impostos por ele.
Desde sua volta à Casa Branca, Trump tem investido pesado em tarifas sobre produtos estrangeiros. Nenhum país tem sofrido com a taxação tanto quanto o Brasil: no último dia 15 de julho, o presidente voltou a anunciar uma tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. O objetivo principal do tarifaço seria proteger a indústria nacional americana.
Há também outras ocasiões em que as tarifas norte-americanas provocaram conflitos ao longo da história. Em 1828, os estados do Norte dos EUA fizeram lobby para que o governo aprovasse impostos elevados sobre produtos importados, para proteger a nascente indústria do país (concentrada na região). Isso enfureceu os estados do Sul, cuja economia era predominantemente agrária e ainda dependiam dos produtos da Europa.
Os sulistas batizaram esse imposto de “Tarifa das Abominações”. As tensões econômicas entre Norte e Sul seriam, décadas depois, um dos motores para a Guerra Civil dos EUA (1861–1865).
Outro exemplo, mais atual, é a guerra comercial entre chineses e americanos, que impôs sobretaxas bilionárias a produtos da China sob o argumento de concorrência desleal.







