Como uma área se transforma em deserto?
Entenda o conceito da desertificação, que pode afetar bilhões de pessoas no mundo todo.
Deserto é uma região caracterizada pela aridez — baixíssima precipitação (geralmente abaixo de 250 mm/ano) e evaporação que supera a quantidade de água disponível.
Há desertos frios (como a Antártida) e rochosos, como parte do Atacama. E, claro, os mais famosos, de clima quente e solo arenoso.
Desertos são o resultado de um processo natural e extremamente lento, que leva milênios para moldar paisagens áridas como as conhecidas. No entanto, o termo frequentemente confundido é a desertificação, um fenômeno distinto e de preocupante avanço global.
Deserto X desertificação
Diferente da formação natural de um deserto, a desertificação refere-se à degradação de terras áridas, semiáridas e subúmidas secas, causada principalmente pela atividade humana e por variações climáticas. Ela não é a expansão de desertos existentes, mas sim o processo de esgotamento e perda da produtividade do solo em regiões que antes eram férteis.
O geógrafo Roberto Verdum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), esclarece que a presença de areia, por si só, não caracteriza um deserto, e que a desertificação é, muitas vezes, reversível se as ações corretivas forem tomadas. Estudos recentes mostram que áreas degradadas podem recuperar a cobertura vegetal após períodos de seca intensa.
As causas da desertificação estão diretamente ligadas ao mau uso do solo. O desmatamento da vegetação nativa, especialmente em áreas com terrenos arenosos e margens de rios, é um fator crucial, pois as raízes das árvores protegem o solo da erosão e retêm água.
Práticas como queimadas, agropecuária intensiva, uso indiscriminado de agrotóxicos e técnicas inadequadas de irrigação contribuem significativamente para a perda de matéria orgânica e nutrientes do solo. Com o tempo, a terra nua sofre com a erosão causada pelo vento e pela chuva, diminuindo sua espessura e produtividade.
Esse problema atinge cerca de 1 bilhão de pessoas em 110 países, ameaçando um terço das terras do planeta. A África é o continente mais afetado, com 73% de seus terrenos agricultáveis já degradados.
No Brasil, a desertificação no Nordeste e no norte de Minas Gerais já abrange uma área de 1 milhão de quilômetros quadrados. A cada ano, cerca de 60 mil quilômetros quadrados de terra se tornam improdutivos.
Esforços Globais e Desafios no Brasil
O começo do combate a esse cenário aconteceu ainda em 1994, quando a ONU lançou a Convenção de Combate à Desertificação, um acordo internacional assinado por mais de 180 países, incluindo o Brasil.
Apesar dos esforços, os investimentos para frear a degradação do solo desde então ainda são tímidos frente à magnitude do problema. A recuperação total de solos severamente desertificados pode levar séculos, evidenciando a urgência de medidas mais eficazes para preservar a vida e a produtividade de nossas terras.
Este texto foi atualizado com inteligência artificial e revisado por jornalistas com base em um texto de 2011 da Mundo Estranho.







