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Escrever em linguagem de internet vicia?

Ainda não há nenhuma pesquisa séria para saber se as redações de escola ou outros textos produzidos fora da internet foram contaminados com “vc”, “axim”, “naum”… Mas muitos especialistas acreditam que a galera consegue deixar o “internetês” só no mundo virtual. “Os jovens não confundem, não. Eles sabem que essa linguagem econômica só é adequada […]

Por Marina Motomura
Atualizado em 22 fev 2024, 11h18 - Publicado em 18 abr 2011, 18h47

Ainda não há nenhuma pesquisa séria para saber se as redações de escola ou outros textos produzidos fora da internet foram contaminados com “vc”, “axim”, “naum”… Mas muitos especialistas acreditam que a galera consegue deixar o “internetês” só no mundo virtual. “Os jovens não confundem, não. Eles sabem que essa linguagem econômica só é adequada para os ambientes digitais”, diz a lingüista Maria Irma Hadler Coudry, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Um bom indício dessa percepção rolou aqui mesmo na mundo estranho. Na edição de julho deste ano, perguntamos aos leitores: “Vc axa q a próxima secaum Internet deveria ser escrita desse jeito, tipo msn?” A enquete teve quase 2 mil votos, e 56% da galera decidiu que “naum” – ou melhor, não. “A língua escrita não vai acabar. O que pode acontecer é surgir uma outra variedade, como o ‘internetês’, mas a língua culta e essas variedades vão continuar convivendo”, diz Maria Irma. Nada impede, porém, que a “linguagem msn” influencie a língua portuguesa. A palavra “você”, por exemplo, surgiu a partir de seguidas abreviações da expressão “vossa mercê”, que passou primeiro para “vossemecê”, depois para “vosmecê”, até chegar à forma atual, aceita na boa na linguagem escrita. Será que um dia essa história não termina num “vc”?

A última do português
Nosso idioma já passou por duas grandes reformas ortográficas e se prepara para a terceira

ALFABETO ENXUTO

A reforma ortográfica de 1943 eliminou o K, o W e o Y da língua portuguesa. Além disso, quem escrevia até então “theatro”, “commercio” e “pharmacia”, por exemplo, passou a escrever “teatro”, “comércio” e “farmácia”. A reforma buscou aproximar o português aqui do Brasil do português de Portugal, que já tinha feito sua reforma em 1911.

MUDANÇA POUCo ACENTUADA

Uma nova reforma ortográfica ocorreu em 1971, mas foi bem menos radical. Ela basicamente decretou o fim do acento circunflexo diferencial nas letras “e” e “o”. Ahn!? Não entendeu nada? A gente explica: é que até 1971, seu avô e sua avó escreviam “côr” e “êle”. Hoje, você manda direto “cor” e “ele”, sem os acentos circunflexos.

TERCEIRA VIA

Muita gente não sabe, mas desde 1990 rola o projeto de uma nova reforma ortográfica. A idéia é que ela sirva para unificar a língua dos oito integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Até agora, essa terceira reforma — que pode tirar o trema de “tranqüilo” e o hífen de “pára-quedas” (que ainda perderia o acento) — não saiu do papel.

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