Existe camarão de água doce?
Não só existe como é uma iguaria muito apreciada na culinária brasileira.
Uma das criaturas mais adaptáveis dos oceanos, o camarão está presente em praticamente todos os mares do mundo. Milhares de espécies vivem em diversas profundidades, incluindo regiões abissais. Por serem onívoros (comem de tudo, de algas a pequenos animais, e também matéria em decomposição), eles desempenham um papel importante limpando detritos no fundo dos mares e rios.
Existem muitas espécies de camarão que vivem em água doce, habitando exclusivamente rios, lagos e riachos. Algumas são grandes e comestíveis, portanto muito usadas na culinária. Um exemplo é o gênero Macrobrachium, que reúne mais de 200 espécies. Elas são chamadas popularmente de camarão-de-água-doce ou camarão-gigante.
A espécie Macrobrachium rosenbergii é especialmente simbólica: pode passar de 30 cm de comprimento e 500 g de peso, sendo criada em dezenas de países em fazendas de aquicultura. Nativa da região do Indo-Pacífico, essa espécie é cultivada no Brasil desde a década de 1970, quando foi introduzida em Pernambuco para a criação.
Outro camarão de água doce muito apreciado no Brasil é o Macrobrachium carcinus, mais conhecido como “pitu”. Ele pode ultrapassar 30 cm, sendo um dos maiores camarões de água doce das Américas. Ele vive em rios da costa atlântica, do sul do México ao sul do Brasil. O pitu é bastante valorizado na culinária regional, principalmente em estados como Pernambuco e Alagoas. Pratos tradicionais incluem pitu na brasa, ensopado e com molho de coco.
Também existem camarões de água doce pequenos, como os do gênero Neocaridina. Essas espécies são muito apreciadas como animais de estimação: o camarão red cherry (Neocaridina davidi) é um dos favoritos dos aquaristas. Com comprimento aproximado entre 2 e 4 cm, esses bichos vivem em água doce pura e ajudam a limpar algas no aquário.
Em janeiro de 2026, a cidade de Igaraçu do Tietê, no interior de SP, registrou a morte repentina de milhares de camarões de água doce no rio Tietê (que passa por ali já bastante recuperado da poluição da região metropolitana da capital). A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) investiga o que pode ter causado o incidente.
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Ciclo de vida
Uma curiosidade importante sobre os camarões de água doce é que muitas espécies, incluindo diversas do gênero Macrobrachium, possuem um ciclo de vida misto, cujo nome técnico é anfidromia. Isso significa que, embora vivam suas vidas adultas na água doce, os animais precisam passar por sua fase larval em água salgada. O motivo é fisiológico: a salinidade marinha é essencial para que os jovens consigam sobreviver e crescer.
O ciclo funciona assim: nos rios e lagos, os adultos acasalam e as fêmeas carregam os ovos presos às nadadeiras do abdômen. Quando os ovos eclodem, surgem larvas microscópicas chamadas zoea que derivam com a corrente do rio até o estuário, que é onde o rio deságua no mar.
No mar (ou em água salobra), as larvas passam por várias mudas e estágios larvais, o que pode durar semanas ou até cerca de um mês, dependendo da espécie. Quando está pronto, o animal se transforma em pós-larva, que já se parece com um camarão pequeno. As pós-larvas começam então uma migração rio acima, nadando ou caminhando pelo fundo. Elas crescem no rio até se tornarem adultas — e o ciclo recomeça.







