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Bactéria do ovo estragado é nova arma contra o câncer

Ela mata 380 pessoas por ano só nos EUA. Mas também pode salvar vidas

Por Giselle Hirata 13 fev 2017, 14h11 | Atualizado em 13 fev 2017, 14h12
Bactéria do ovo estragado é nova arma contra o câncer Priorizar nos meus resultados Google

Ela pode estar presente em ovos malcozidos e causar uma intoxicação terrível – só nos Estados Unidos, mata 380 pessoas por ano. Mas também pode ajudar a curar o câncer. Um estudo publicado na revista Science Translational Medicine mostrou que a salmonella, essa grande vilã da alimentação, também pode ter um lado bom. Ela faz o sistema imunológico combater as células cancerígenas – pelo menos, em ratos.

Não era salmonella comum. Era uma versão modificada em laboratório para produzir uma proteína chamada flagelina B (FlaB). Os cientistas injetaram essa bactéria em ratinhos com câncer. Ela provocou dois efeitos. Primeiro, infectou os tumores. Depois, irritou e ‘acordou’ o sistema imunológico das cobaias – que começou a atacar os tumores. Deu muito certo. Em 11 dos 20 ratos testados, os tumores encolheram até se tornarem indetectáveis. 

Mais surpreendente ainda, a ‘salmonella do bem’ não intoxicou os ratos. “Acreditamos que a nossa estirpe bacteriana é segura e pode ser usada como tratamento”, afirmou Joon Haeg Rhee, um dos autores do estudo.

É claro que mais pesquisas vão ser realizadas antes que as bactérias possam ser experimentadas em humanos. Mas os resultados já são promissores e devem entrar para a lista de possíveis tratamentos.

Apesar de causar furor entre os especialistas, a técnica de usar bactérias para estimular uma resposta imune não é pioneira. No século 19, o cirurgião americano William Coley, observou que alguns de seus pacientes tinham uma ligeira melhora depois de contraírem infecções após cirurgias de remoção de tumor. Ele começou, então, a injetar alguns tipos de bactéria em mais de mil pessoas com a doença. Mas o método recebeu críticas da comunidade científica da época, e o tratamento acabou desacreditado antes mesmo de ter a eficácia comprovada. 

Agora, quase cem anos depois, o método de Coley volta à tona com pesquisas cada vez mais avançadas no campo de imunoterapia. Esse tipo de tratamento ganha força porque consegue direcionar seus efeitos apenas às células cancerígenas – diferentemente da radioterapia e da quimioterapia, que prejudicam as células saudáveis. 

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