Oferta Dia dos Pais: Receba Super em Casa por 9,90

Casos de sarampo disparam nos EUA: como isso pode afetar o Brasil?

EUA tiveram mais casos de sarampo em 2025 e 2026 do que nos 20 anos anteriores somados. Entenda se isso implica algum risco para o Brasil.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 26 jul 2026, 12h00
Casos de sarampo disparam nos EUA: como isso pode afetar o Brasil? Priorizar nos meus resultados Google

Os Estados Unidos declararam o sarampo uma doença eliminada em 2000, uma das maiores conquistas da saúde pública do país. A doença é conhecida por ser extremamente contagiosa e causar manchas vermelhas na pele, além de febre alta, tosse e vermelhidão nos olhos. Não existe um medicamento capaz de combater o vírus diretamente: o tratamento serve apenas para aliviar os sintomas. A única forma de prevenção é a vacina.

Porém, nos últimos anos, surtos da doença voltaram a se espalhar pelo país. O recorde de casos havia sido registrado em 2025, com 2.289 infecções. Mas esse patamar acaba de ser ultrapassado: somente este ano, os Estados Unidos já registraram 2.318 casos, segundo um novo levantamento divulgado em 23 de julho pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Os números de 2025 e 2026, juntos, superam o total de casos registrados entre 2000 e 2024. Por isso, em novembro, especialistas irão se reunir para avaliar se o país irá perder o status de eliminação do sarampo.

Uma das principais explicações para o avanço da doença é a queda da cobertura vacinal nos Estados Unidos. A vacinação começou a diminuir durante a pandemia de covid-19 e, desde então, não voltou a atingir os 95% de cobertura considerados necessários para interromper a circulação do vírus. A maioria dos 35 surtos registrados em 2026 atingiu pessoas não vacinadas ou sem informação sobre o estado vacinal. Ao todo, 93% dos casos ocorreram nesses grupos.

O número não é total porque mesmo entre os que receberam uma dose de vacina, há cerca de 5% de chance de contrair a doença – mas com sintomas mais leves. A doença é uma ameaça especialmente para pessoas imunocomprometidas e bebês antes da idade vacinal (no Brasil, em geral, é preciso ter 12 meses de idade para receber a primeira dose, embora, em regiões de risco, o governo pode estipular uma dose extra prévia, para aumentar a proteção dos bebês).

Continua após a publicidade

E o Brasil?

O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016 e permaneceu sem registrar casos da doença até 2017. Em 2018, porém, o vírus voltou a circular no país, o que levou à perda da certificação. Entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos. Depois desse período, houve uma queda expressiva, e o  Brasil não registrou nenhum caso em 2023 e confirmou apenas cinco em 2024.

Com isso, em 2024, o país recuperou o certificado de eliminação do sarampo, status que mantém até hoje. Atualmente, os casos registrados costumam ser isolados e, na maioria das vezes, estão relacionados a viagens internacionais.

Em 2025, foram confirmados 38 casos, sendo 25 ligados a um surto em Tocantins, iniciado após a chegada de uma família vinda da Bolívia. 

Continua após a publicidade

Os surtos que vêm ocorrendo nos Estados Unidos e em outros países do continente americano reforçam a importância de manter altas coberturas vacinais. 

No Brasil, a vacina é a Tríplice Viral (que oferece imunização contra sarampo, caxumba e rubéola). Ela é oferecida gratuitamente pelo SUS em duas doses para pessoas entre 12 meses e 29 anos. Adultos de 30 a 59 anos que não estejam adequadamente imunizados devem receber uma dose. Em 2024, a taxa de imunização com a primeira dose era de 95,8% e, em 2025, 92,9%, segundo o Ministério da Saúde.

Ou seja: a atual situação dos EUA não significa que o Brasil esteja prestes a enfrentar um novo surto. De fato, pode ocorrer casos de pessoas infectadas chegarem ao país após viagens internacionais. Porém, quando a cobertura vacinal é alta (que é o caso do Brasil) e a vigilância epidemiológica atua rapidamente, essas cadeias tendem a ser interrompidas antes que o vírus volte a circular.

Continua após a publicidade

Quais os riscos do sarampo?

Em média, a cada mil pessoas infectadas com sarampo, uma tem encefalite aguda, uma inflamação cerebral que pode provocar danos permanentes. Segundo dados dos EUA, a cada mil casos de sarampo, entre 1 a 3 pessoas morrem por complicações neurológicas ou respiratória.

Outras complicações podem demorar a aparecer: mesmo 11 anos depois da infecção, os pacientes ainda podem desenvolver uma doença rara, degenerativa e fatal. É a panencefalite esclerosante subaguda (PESS), também conhecida como encefalite de Dawson. As chances são mais altas em crianças que foram infectadas antes dos dois anos de idade. Estima-se que cerca de 2 em cada 10.000 pessoas que contraem sarampo acabem desenvolvendo PESS. Entre os bebês, a taxa pode chegar a 1 em cada 609.

“Além disso, há uma complicação de início tardio chamada panencefalite esclerosante subaguda (SSPE). Essa doença rara, degenerativa e fatal do sistema nervoso central pode ocorrer de sete a 11 anos após uma infecção primária pelo sarampo, com as taxas mais elevadas observadas em crianças infectadas antes dos 2 anos de idade.

Continua após a publicidade

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Fundo bege claro com textura de tecido, um logo de árvore azul escuro no canto superior direito e uma superfície de madeira clara na parte inferiorFundo texturizado em tom pêssego claro, com uma sutil faixa horizontal mais escura na parte inferior e um pequeno ícone de árvore azul escuro no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 63% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).