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Covid-19: Europa começa a exigir máscaras médicas em vez das versões de pano

Países como Alemanha, Áustria e França passarão a recomendar ou exigir o uso de respiradores FFP2 ou N95 para enfrentar as variantes mais transmissíveis do coronavírus.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 21 jan 2021, 21h35 - Publicado em 21 jan 2021, 18h53

Em meio ao aumento de casos de Covid-19 e a descoberta de novas variantes do coronavírus possivelmente mais transmissíveis, países da Europa começaram nesta semana a recomendar ou até exigir que as pessoas utilizem máscaras de maior qualidade para combater a transmissão viral. Sendo assim, saem as máscaras de pano, daquelas feitas em casa, e entram as máscaras utilizadas por equipes médicas, como as cirúrgicas comuns e, principalmente, os modelos conhecidos como FFP2 ou N95.

Embora máscaras de pano sejam melhores do que nenhum tipo de proteção facial, cada vez mais estudos deixam claro que sua eficiência é bastante limitada e que não são suficientes para evitar que o usuário esteja totalmente protegido. Já máscaras médicas são mais protetivas, especialmente os respiradores do tipo FFP, e podem ser uma boa arma contra as novas variantes do vírus, que, ao que tudo indica, parecem ser mais transmissíveis.

O estado da Bavária, na Alemanha, foi a primeira região a adotar uma medida desse tipo, ainda na segunda-feira (18). Por lá, o uso de máscaras do tipo FFP2 ou N95 se tornou obrigatório no transporte público, em lojas e demais ambientes públicos fechados. Ontem (20), o governo do país anunciou que adotaria uma medida parecida em nível nacional – mas, diferentemente da Bavária, aceitará que seus cidadãos usem máscaras cirúrgicas comuns também, e não apenas os modelos mais eficientes.

  • A Áustria seguiu sua vizinha de forma ainda mais rigorosa e, a partir do dia 25 de janeiro, exigirá o uso de máscaras do tipo FFP2 em todas as áreas públicas do território nacional. Na França, um comitê de especialistas em saúde recomendou no último fim de semana que as pessoas também abandonem as máscaras de pano e passem a utilizar os equipamentos mais protetivos. O governo francês analisa se transformará a recomendação em exigência formal. Já no Reino Unido, cientistas vêm pressionando as autoridades para que o mesmo seja feito por lá, segundo reportou o jornal The Guardian.

    Qual a diferença entre as máscaras?

    O termo “máscaras médicas” é uma designação genérica para falar dos equipamentos de proteção usados por profissionais de saúde em diferentes contextos. Elas se diferenciam das máscaras de pano, geralmente feitas em casa e que estão sendo utilizadas em massa em boa parte do mundo, incluindo no Brasil.

    Acontece que as máscaras de pano não são tão protetivas assim; ao cobrir a boca e o nariz dos usuários, elas conseguem diminuir o número de gotículas que as pessoas espalham por aí ao espirrar, tossir e/ou falar. Mas não filtram o ar respirado pela pessoa que a usa, o que significa que o vírus ainda pode entrar em formato de aerossóis (partículas muito pequenas que flutuam no ar). Ou seja: as máscaras de pano são bem mais eficientes em proteger quem está em volta do que proteger o usuário em si. Como um número considerável de infectados é assintomático ou têm sintomas leves, todos devem usar máscara para proteger uns aos outros.

    Máscaras cirúrgicas, por sua vez, são aquelas usualmente utilizadas por profissionais de saúde em situações de pouco risco e são descartáveis. Apesar de serem melhores que as de pano, elas também não fornecem uma proteção individual significativa quanto a infecção por aerossóis.

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    Já os respiradores do tipo FFP (que incluem o FFP2 e uma versão mais protetiva ainda, o FFP3) ou N95 são os mecanismos de proteção mais eficientes que temos – eles filtram as partículas do ar em até 94% (dependendo do modelo usado) e são usados por profissionais de saúde que tratam pacientes com Covid-19.

    A decisão dos países europeus de restringir as opções de máscaras utilizadas por seus habitantes vem em meio a uma onda de novas infecções e, principalmente, após a descoberta de novas variantes do coronavírus que parecem ser mais transmissíveis, como a B117, identificada na Inglaterra, a 501Y.V2, da África do Sul, e a P1, que surgiu em Manaus. Segundo as autoridades de saúde europeias, é preciso aumentar o nível de proteção entre as pessoas para combater o avanço da pandemia até que a vacinação em massa comece a fazer efeito.

    Mesmo assim, todos esses países ressaltarem que nenhuma máscara é 100% eficiente – e medidas como distanciamento social, higienização constante e evitar ambientes fechados e lotados continuam válidas. Além disso, é necessário que se utilize as máscaras da forma adequada (garantindo que estão bem ajustadas ao rosto e descartando-as após o tempo de uso indicado pelos fabricantes). Isso não significa, claro, que máscaras de pano sejam totalmente ineficazes: elas ainda são melhores do que nenhuma proteção.

    Desafios logísticos

    Se as máscaras de pano são menos eficazes quando o assunto é prevenir a Covid-19, então por que a recomendação só veio agora, depois de um ano de pandemia?

    Uma das preocupações desde o início era que a alta demanda por máscaras desse tipo desabastecesse o mercado e deixasse os profissionais de saúde na mão. É por isso que, até hoje, muitos países não recomendam seu uso para a população geral, diretriz que também é aconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que ressalta que o ideal é que as máscaras de tecido tenham pelo menos três camadas.

    Dessa forma, os países que estão começando a recomendar máscaras do tipo FFP e N95 para a população também devem se preocupar quanto à produção e à disponibilização delas. Desde dezembro de 2020, a Alemanha já estava enviando vouchers para 27 milhões de habitantes para habilitar a aquisição desses equipamentos de graça ou a preços reduzidos, incluindo idosos com mais de 60 anos e pessoas com comorbidades que as colocavam em grupo de risco. Agora, caberá aos governos definir os critérios de distribuição de máscaras de graça para quem não puder comprar.

     

     

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