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É verdade que algumas pessoas atraem mais mosquitos? É o que diz um novo estudo

Experimentou testou o apetite de três espécies de mosquitos e percebeu padrões relacionados a odores e bactérias naturais da pele.

Por Amanda Nascimento 5 ago 2026, 10h00
É verdade que algumas pessoas atraem mais mosquitos? É o que diz um novo estudo Priorizar nos meus resultados Google

Você já deve ter ouvido, ou quem sabe sentido na pele, que os mosquitos se atraem mais por algumas pessoas, seja aquele amigo que volta do parque todo picado ou o que sofre com  zunido dos bichinhos que surgem nas noites escaldantes. Popularmente, muitos apontam para a existência de gente com sangue doce – o que, na verdade, é um grande mito. A perseguição, a ciência aponta, está relacionada a um fator: os odores expelidos pela pele.

Mas, até o momento, tem sido difícil de determinar quais diferenças no odor corporal influenciam a atração de mosquitos.

Isso se deve, em parte, à composição complexa do próprio odor corporal humano: ele surge quando secreções inodoras da pele se transformam em gases conhecidos como compostos orgânicos voláteis (COVs), com a ajuda de bactérias do microbioma da pele. 

E existem em torno de mil desses compostos na pele humana – o que complica ainda mais a tarefa de descobrir exatamente como essas substâncias químicas se relacionam a odores específicos. Isso, claro, sem contar com a existência de 3.600 espécies conhecidas de mosquitos, que provavelmente desenvolveram preferências olfativas diferentes.  

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Um novo experimento, porém, parece ter reunido mais algumas pistas. Pesquisadores da Florida International University (FIU) recrutaram 119 voluntários de Miami e pediram que cada um deles colocasse o braço em um tubo longo chamado olfatômetro. Na extremidade desse tubo, eles introduziram três espécies diferentes de mosquitos para verificar até quem eles iriam.

As espécies de mosquitos escolhidas foram:

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Aedes aegypti, nosso velho conhecido que pode transmitir os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana; o seu primo Aedes albopictus, que é menos frequente e pode transmitir os mesmos vírus e ainda o que provoca uma doença chamada encefalite japonesa; e o Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo ou muriçoca, aquele que geralmente pica dentro de casa durante a noite e que também pode ser vetor de doenças como a filariose linfática.

Por que não podemos extinguir todos os mosquitos?

Assim, os autores perceberam características únicas no caso de cada mosquito. De modo geral, cada um deles parecia preferir um grupo diferente de indivíduos.

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Os Aedes aegypti, por exemplo, demonstraram uma preferência levemente maior por homens do que por mulheres. As outras duas espécies não pareciam apresentar preferência por sexo.

Ser atraente para um mosquito também não significou que a pessoa fosse consistentemente mais atrativa para todas as três espécies – na prática, alguns voluntários pareciam não atrair nem um pouco a atenção de um ou mais mosquito. Os resultados foram descritos na íntegra na

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revista iScience.

A união de mosquitos e bactérias

Em busca de semelhanças entre os indivíduos que atraíram a mesma combinação de mosquitos, os autores ainda investigaram o microbioma da pele dos participantes – ou seja, a comunidade de bactérias, fungos e vírus que vivem na superfície cutânea. Ao todo, eles identificaram 246 bactérias distintas e três delas estiveram presentes em quase todos os participantes. 

“Nas espécies de mosquitos

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Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus, detectamos três bactérias centrais comuns aos participantes que atraíam muitos mosquitos, que não foram encontradas nos microbiomas centrais dos participantes que atraíam poucos”, explicam os autores no artigo. “As bactérias, que são Co. kefirresidentii, Cu. granulosum e Staphylococcus epidermidis, podem sinalizar aos mosquitos a presença de um hospedeiro atraente.” Vale dizer que as bactérias citadas habitam naturalmente o microbioma da pele. 

Os pesquisadores também descobriram que o Aedes aegypti e o Culex quinquefasciatus  pareciam atraídos por indivíduos que apresentavam baixos níveis de compostos voláteis (COVs), o que sugere que esses mosquitos podem evitar certos COVs quando decidem em quem pousar.

“Embora estudos anteriores tenham comparado a atratividade de diferentes espécies de mosquitos em relação a indivíduos, a comparação cruzada das taxas de atração de múltiplas espécies de mosquitos pelos microbiomas cutâneos de indivíduos específicos – até onde sabemos – ainda não havia sido realizada”, dizem os autores no artigo.

De qualquer maneira, ainda há muito a aprender sobre quais tipos de compostos odoríferos e bactérias contribuem para atrair mosquitos. Com informações como estas, seria possível, por exemplo, criar tipos especiais de repelentes que afastem os mosquitos ou até mesmo modificar o microbioma cutâneo para que ele se torne menos atraente para os bichinhos.

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