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Poluição do ar piora habilidades cognitivas, como atenção e reconhecimento emocional

As capacidades cognitivas enfrentavam efeitos negativos mesmo quatro horas depois da exposição às partículas de poluição.

Por Eduardo Lima 10 fev 2025, 18h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h17
Poluição do ar piora habilidades cognitivas, como atenção e reconhecimento emocional Priorizar nos meus resultados Google

A poluição do ar pode ter efeitos severos para a saúde a longo prazo, causando doenças como câncer pulmonar e enfisema. Um novo estudo mostrou que essa contaminação aérea também pode ter efeitos mais imediatos, que afetam as habilidades cognitivas e deixam atividades cotidianas mais difíceis.

As habilidades das pessoas para interpretar emoções ou focar numa atividade são reduzidas pela exposição de curto prazo a partículas finas inaláveis, um misto de materiais líquidos e sólidos com menos de 2,5 micrômetros (unidade de medida mil vezes menor que um milímetro).

Por causa do tamanho extremamente diminuto e do peso ínfimo, elas permanecem suspensas no ar e têm grande poder de penetração no sistema respiratório.

Uma exposição breve a altas concentrações de ar poluído com material particulado fino já pode ser o suficiente para diminuir o foco e a capacidade de evitar distrações, de acordo com os pesquisadores das universidades britânicas de Birmingham e Manchester duas cidades que sofrem com poluição há séculos, desde sua participação importante nos primórdios da Revolução Industrial.

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O estudo que reúne as descobertas dos cientistas foi publicado na Nature Communications. A pesquisa mostrou que a perda de atenção seletiva perdurava quatro horas depois da exposição às partículas de poluição.

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Memória saiu ilesa

O experimento consistiu em expor os voluntários a níveis altos de poluição do ar, usando fumaça de velas, e testar suas habilidades cognitivas logo antes do contato com as partículas finas e quatro horas após a exposição.

O grupo-controle respirou ar limpo, e passou pelos mesmos testes que medem a capacidade de atenção seletiva e sustentada, reconhecimento de emoções, memória de trabalho e velocidade psicomotora (capacidade de coordenar ações motoras com pensamentos e emoções).

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De acordo com os resultados do estudo, os participantes expostos à poluição tiveram as capacidades de atenção seletiva, essencial para priorizar tarefas, e reconhecimento emocional, importante para garantir um comportamento socialmente aceitável, afetadas negativamente pela poluição.

A conclusão se mantém, independentemente do fato do participante respirar pelo nariz ou só pela boca.

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Segundo os pesquisadores, a inflamação causada pela poluição é provavelmente a principal responsável por esses déficits de habilidade cognitiva. A memória de trabalho – que guarda informações de forma temporária, úteis na realização de atividade cotidianas – foi uma das poucas que saiu ilesa da exposição ao material particulado, sem impactos negativos perceptíveis.

Em um depoimento disponibilizado pela Universidade de Birmingham, o cientista ambiental e co-autor do estudo Francis Pope disse que “a qualidade baixa do ar mina o desenvolvimento intelectual e a produtividade dos trabalhadores”. A poluição do ar tem impactos sociais e econômicos severos, especialmente em áreas urbanas com altos índices de poluição.

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Novos estudos são necessários para entender as minúcias do efeito negativo da poluição sobre as habilidades cognitivas e para explorar impactos intelectuais causados pela exposição de longo prazo às partículas finas inaláveis.

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