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O que é a aquamação, a “cremação sem fogo” aprovada na Escócia

O processo usa água, pressão e compostos químicos para chegar em resultados semelhantes aos da cremação tradicional, com bem menos impactos ambientais

Por Ana Clara Caielli Barreiro
11 mar 2026, 10h00 • Atualizado em 11 mar 2026, 18h19
  • Após a morte de um ente querido, muitas famílias optam pela cremação, processo em que o corpo é incinerado e que permite armazenar as cinzas. Na tentativa de ressignificar a memória, esses restos mortais são, muitas vezes, transformados em pedras, colares ou ficam guardados na clássica urna funerária.

    Diferentemente de alguns sepultamentos (enterros), a cremação não apresenta riscos de contaminação do solo e do lençol freático, mas também produz outros impactos ambientais.

    Para transformar um corpo em cinzas, a cremação tradicional leva duas a cinco horas de combustão – um processo que consome uma grande quantidade de energia e são emitidos dióxido de carbono e outros poluentes atmosféricos, que somam milhões de toneladas por ano em todo o mundo.

    Mas o que pouca gente sabe é que existe uma alternativa muito mais ecológica: a aquamação, um processo que gera resultados parecidos com os da cremação, mas sem utilizar fogo. O método já é adotado em alguns lugares, como Estados Unidos, Canadá e África do Sul. Lá, ganhou notoriedade após ser escolhido para o funeral do arcebispo Desmond Tutu, vencedor do Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid.

    Quanto tempo um corpo leva para se decompor?

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    Na semana passada, no dia 2 de março, a Escócia legalizou a aquamação, tornando-se o primeiro país do Reino Unido a permitir oficialmente o método.

    Como funciona?

    A aquamação, ou hidrólise alcalina, é basicamente uma cremação com água. 

    Funciona assim: o corpo é colocado em um grande tubo metálico, que é pressurizado e aquecido. Dentro dele, há uma mistura de água e uma solução alcalina, geralmente hidróxido de potássio. A temperatura varia entre 90 °C e 150 °C e, apesar do calor, o líquido não entra em ebulição graças à pressurização do sistema.

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    Assim, ao longo de cerca de quatro horas, os tecidos e outros compostos orgânicos do corpo se decompõem, restando apenas os ossos. Na prática, trata-se do mesmo processo químico que ocorre naturalmente durante a decomposição de um corpo sepultado – mas acelerado artificialmente. 

    Imagem da aquaminação.
    (Wikimedia Commons/Reprodução)

    Depois disso, os ossos são secos e pulverizados em uma máquina chamada cremulador. Eles viram um pó fino que, diferentemente das cinzas da cremação tradicional, costuma ter coloração branca.

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    O líquido restante no tubo fica cheio de compostos orgânicos dissolvidos. Ele pode ser tratado antes de retornar ao sistema de água ou, em alguns casos, utilizado como fertilizante, sem causar poluição ambiental.

    O grande diferencial da aquamação é o impacto ambiental reduzido. O processo utiliza cerca de um sétimo da energia necessária para uma cremação convencional e pode ter uma pegada de carbono até 75% menor.

    Outro detalhe curioso é que, nesse método, não é necessário remover marcapassos, próteses ou implantes antes do procedimento. Como não há combustão, não existe risco de explosão. Após o processo, esses dispositivos permanecem intactos e podem ser retirados normalmente.

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