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Destaques de 2011 da SUPER: Os 10 melhores newsgames do ano

Fred Di Giacomo 12 de dezembro de 2011

Texto: Fred Di Giacomo, editor-chefe do site da Superinteressante. Lista: Florent Maurin , Marcus Bösch e Fred Di Giacomo

Há cerca de 8 anos o jornalismo vem se tornando jogo na internet. A ideia já existia em revistas e jornais impressos, seja em cruzadinhas do new York Times, baseadas em notícias,  seja em ARGs lançados em matérias da SUPERINTERESSANTE. Em 2011, vimos o formato crescer no Brasil, ganhando sites da rede Globo, Estadão, RBS e da própria SUPER. Pra fechar a lista dos melhores newsgames de ano, pedi ajuda a duas autoridades internacionais no assunto: o francês Florent Maurin (http://www.thepixelhunt.com e http://newsgames.blog.lemonde.fr/) e o alemão Marcus Bösch (http://www.marcus-boesch.de/ e http://www.newsgaming.de/). Somei os votos dos dois com os meus pra definir quem entrava na lista. No caso de empate (e foram muitos), privilegiei títulos em português e, na sequência, em inglês. Os games não estão rankeados, os 10 são ótimas ideias. Pra quem quiser conferir a lista elaborada pelo Florent, vale a visita no blog dele.

Ah, se você sentiu falta de algum newsgame, mande sua sugestão pra gente!

Warco, Defiant Development

Um jogo sobre conseguir matérias durante a guerra e o risco que envolve o jornalismo em conflitos. Ainda não lançou versão final, mas rouba a atenção pela qualidade e complexidade.
Site: http://defiantdev.com/warco/

Filosofighters, Superinteressante

Pra não ficar puxando sardinha pro nosso lado, dou a palavra pro Florent Maurin falar desse newsgame da SUPER: “De todos os jogos de pancadaria que tentam tratar de temas sérios (…), este é definitivamente o mais divertido, o mais refinado e o mais interessante que eu já vi. Fora que os ataques especiais são realmente fantásticos!”
Site: http://super.abril.com.br/filosofighters/

Spent.

Jogo independente, Spent consegue dizer mais sobre a crise econômica mundial do que a maior parte das grandes reportagens espalhadas pela mídia. Baseado em dados reais, esse jogo de gráficos simples vai direto ao ponto te colocando na pele de um trabalhador americano que deve tomar decisões duras pra pagar as contas.
Site: http://playspent.org/

The Death of Osama Bin Laden, Kuma War

Lembrado pelos nossos dois votantes convidados , o grande mérito de “The death of Osama Bin Laden” foi a velocidade de seu lançamento. Logo após a morte de Osama, a Kuma War colocou o jogo online. No mais, é outro jogo de tiro com gráficos medíocres.
Site: http://www.kumawar.com/

Supercrise, Estadão

Simples e eficiente, este jogo adapta a mecânica do Supertrunfo para uma disputa econômica entre os países.
Site:
http://economia.estadao.com.br/especiais/supercrise-um-jogo-para-testar-seus-conhecimentos-sobre-a-economia-mundial,146081.htm

Combate do Barro Vermelho, Zero – Hora.

Primeiro newsgame da Zero-Hora, recria uma das batalhas importantes da Revolução Farroupilha. O grande mérito são os gráficos e o gameplay instigante.  A parte “news” do newsgame fica mais de lado, em prol da diversão.
Site: http://www.clicrbs.com.br/swf/game_farroupilha/index.html

Sweatshop

Quando os newsgames foram criados por Gonzalo Frasca eles não tinham em seus genes apenas o jornalismo, mas também o ativismo. Sweatshop usa apuração de informações reais para compor um jogo engraçado, que critica duramente as fábricas que exploram ao máximo os trabalhadores e entraram em pauta este ano com a denúncia de trabalho escravo nas confecções que abastecem as lojas da Zara.
Site:
http://www.playsweatshop.com/

Phone Story

“Primo” do game Sweatshop, “Phone Story” é uma reportagem jogável que denuncia as irregularidas (como o uso de trabalho escravo nas minas africanas de onde se extraem os minérios) na linha de produção dos iPhones. A grande sacada é que ele é um jogo para… iPhone. Como definiu Marcus Bösch:  “A ideia certa, na plataforma certa.”
Site: http://phonestory.org/

Trou story


Trou Story  é um documentário interativo canadense que usa mecânica de videogame para ajudar a contar a história da indústria de minas e seus abusos. Bom exemplo de conteúdo transmídia com gameplay esperto e fluido.
Site: http://troustory.onf.ca/#/troustory

Primaires à Gauche, Le Monde

Desenvolvido por Florent Maurin para o Le Monde, esse ambicioso newsgame francês procura explicar as eleições primárias que vão definir quem será o candidato da esquerda francesa em 2012.
Site: http://www.lemonde.fr/week-end/visuel/2011/06/24/primaires-a-gauche-jouez-votre-campagne_1524806_1477893.html

 Veja também:
-10 jogos para entender os newsgames no mundo

-10 jogos para entender os newsgames no Brasil


10 jogos para entender os newsgames no mundo

Fred Di Giacomo 18 de outubro de 2011

-Veja também: 10 jogos para entender os newsgames no Brasil

Com licença senhoras para uma nova  lista sobre newgames. Esta também fiz para a aula na pós-graduação da PUC , que preparei a convite do @andredeak.  Acho que ela pode ajudar quem está interessado em jogos jornalísticos a se situar na história da coisa. Inclui aqui diversos clássicos, incluindo algumas criações dos pais do gênero: Ian Bogost e Gonzalo Frasca. Sugestões de outros games são sempre bem-vindas.

2001. “Kabul Kaboom”, independente:
Primeiro game desenvolvido pelo pai do termo newsgames, Gonzalo Frasca. É uma crítica aos bombardeios americanos em Cabul, no Afeganistão. Sua criação foi inspirada pelas reações aos ataques de 11/09.


2003. “Semptember 12th”, Newsgaming:
Primeiro e mais popular game do projeto Newsgaming.com. Critica os bombardeios americanos na guerra ao terror, mostrando como civis inocentes acabavam virando alvos dos mísseis.


2004. “Play Madri”, El Pais:
Jogo muito simples feito em homenagem aos mortos nos ataques terroristas de 11/03/2004, em Madri. Ainda marca uma época do gênero em que a “mensagem” era mais importante que a jogabilidade.

 

2006, “Darfur is Dying”, Mtv:
Desenvolvido pela Take Action Games e lançado pela Mtv com apoio da Reebok. Game denuncia o genocídio que vem ocorrendo em Darfur, no Sudão, e informa o jogador por meio de simulação sobre as condições nos campos de refugiados e os riscos do simples ato de buscar água para não morrer de sede.

2007. ” Food Import Folly” , New York Times:
Originalmente um editorial publicado na versão impressa do jornal, o texto falava sobre a falta de fiscalização na importação de comida. A ideia do jogo é simular a dificuldade dessa fiscalização nas fronteiras americanas.

2007. “Presidential Pong”, CNN:
Jogo de tênis com os pré-candidatos à presidência dos EUA. Cada um tem suas habilidades desenvolvidas de acordo com o andamento da campanha eleitoral no mundo offline. Quanto melhor o político estava nas pesquisas, melhor era seu desempenho no game.

2009. “Debt Ski”, Mtv:
Jogo desenvolvido pela Persuassive Games – empresa pioneira em newsgames –  fez parte da campanha da Mtv para ensinar educação financeira para a juventude (endividada) americana.

 

2008. “CSI – Ciência Contra o Crime”, Superinteressante:
Primeiro newsgame da SUPERINTERESSANTE, CSI colocava o jogador na pele de um policial forense que deveria desvendar um assassinato. Estava interligado com a matéria de capa da edição de outubro de 2008 e era todo baseado em apuração jornalística. Foi um salto de qualidade na produção nacional.

2009. “Cutthroat Capitalism”, Wired:
No primeiro newsgame da revista Wired, você é um pirata Somali que tem a missão de conseguir dinheiro e recrutar novos integrantes para o seu bando. O jogo é um complemento da matéria “An Economic Analysis of the Somali Pirate Business Model” , publicada na edição impressa.

2009. “Killer Flu”, UK Clinical Virology Network
Indo contra o alarde promovido pela mídia, este jogo foi criado para desarmar o pânico das pessoas em relação a epidemia da gripe suína.


10 jogos para entender os newsgames no Brasil

Fred Di Giacomo 5 de outubro de 2011

A ideia dessa lista surgiu numa aula que dei na Pós-Graduação da PUC-SP a convite do @andredeak. Como o próprio nome já diz, isso não é uma lista dos “melhores” jogos jornalísticos do Brasil. A ideia aqui é traçar uma linha do tempo com evolução das nossas produções. Sentiram falta de algum?

2007. “Nanopops da política internacional”, G1 
Um dos primeiros jogos jornalísticos brasileiros, a missão era observar o rosto dos políticos e descobrir seus nomes.

 

2007. “Stripquiz”, Mundo Estranho
Jogo passa conceitos básicos de educação sexual.  A cada resposta certa sobre temas como DSTs ou gravidez, a modelo tirava uma peça de roupa.


2007
. Soviets: O Quebra-Cabeça vermelho, Aventuras na História

Encaixe os países nas áreas certas da antiga União Soviética. Se você erra, Borat aparece para tirar sarro da sua cara.


2008.
“CSI – Ciência Contra o Crime”, Superinteressante

Primeiro newsgame da SUPERINTERESSANTE, CSI colocava o jogador na pele de um policial forense que deveria desvendar um assassinato. Estava interligado com a matéria de capa da edição de outubro de 2008 e era todo baseado em apuração jornalística. Um salto de complexidade nas produções nacionais.


2008.
Game das Eleições, Uai
 Seguindo os modos do “Candidate Match Game”, jogo convocava o internauta a responder uma série de perguntas para descobrir qual candidato a prefeito tinha mais a ver com ele. A Veja lançou um teste no mesmo ano, também inspirado no jogo do USA Today.


2009
. “Desafio dos Craques”, Estadão

Versão online do clássico “Supertrunfo” traz duelos de jogadores que disputavam o Brasileirão. Em 2011, o Estadão lançou um novo card game mais trabalhado chamado “Supercrise”.


2011.
“Como funciona a bateria da escola Grande Rio”, IG

Infográfico interativo no qual você pode comandar uma escola de samba. Dá ao jogador controle das seções rítmicas e se encaixa na definição de Ian Bogost de “game infografado”, onde você brinca com os dados.


2011.
“Filosofighters”, Superinteressante

Game de luta, coloca grandes filósofos numa batalha de ideias e introduz noções de Filosofia para o jogador. Foi pensado de forma 360º e incluía infográfico para revista, jogo no site,  perfis de cada filósofo no Twitter, teaser no Youtube e frases d0s pensadores no Tumblr.


2011.
“Missão Bioma”, Globo

Grande jogo que estimula a defesa ambiental, envolvendo conteúdo jornalístico da rede Globo, testes de conhecimento e game online de tabuleiro inspirado no clássico “Plants vs Zombies”. Foi anunciado como o primeiro  newsgame da Rede Globo.


2011.
“Game Farroupilha: O Combate de Barro Vermelho”, RBS

Game de guerra gaúcho recria uma das batalhas mais importantes da Revolução Farroupilha. Mais focado na diversão que na informação, faz referência ao clássico “Age of Empires”.

Veja também:

-Como surgiram os newsgames da Superinteressante

-6 links legais sobre newsgames


7 livros sobre (news)games que você deve ler

Fred Di Giacomo 24 de maio de 2011

Estou organizando uma pequena bibliografia para quem, como eu, sempre gostou de games, mas agora está interessado nas teorias de “como e por que fazê-los”. Claro que existem poucos livros específicos sobre os newsgames, mas conversando com amigos, como @rkenski e @dtrocoli, preparei essa listinha para os interessados em game design, roteiros de games, produções multimídia e, assunto principal desse blog, jogos jornalísticos. Espero que seja últil pra vocês, como está sendo pra mim. Por enquanto, já risquei do meu checklist o “Newsgames: Journalism at Play” e “Hamlet no Holodeck”. Clicando na capinha de cada obra, você tem mais informações e/ou links para comprá-las:

1)”Persuasive Games: The Expressive Power of Videogames”, Ian Bogost

2 linhas sobre: Livro do pioneiro dos newsgames Ian Bogost, analisa o poder persuassivo dos jogos, com destaque para três áreas: educação, publicidade e política.

2) “Hamlet no Holodeck: O futuro da narrativa no ciberespaço”,  Janet H. Murray

2 linhas sobre: Publicado em 1997, já se tornou um clássico dos estudos sobre linguagem eletrônica e narrativa interativa. Alguns exemplos são ultrapassados, mas os conceitos básicos são fundamentais.

3)”Newsgames: Journalism At Play”, Ian Bogost

2 linhas sobre: Raro livro a abordar especificamente newsgames, a obra de Bogost propõe uma classifcação recheada de exemplos de jogos jornalísticos, inclusive com casos históricos de jogos no jornalismo impresso.

4)”A Theory of Fun for Game Design”, Raph Koster

2 linhas sobre: Alternando texto e ilustração, Raph Koster virou referência no mundo do game design, numa reflexão – que serve pra prática – sobre o poder de engajamento e entretenimento dos games.

5)”Cultura da Convergência”, Henry Jenkins.

2 linhas sobre: Estuda as novas mídias e como esses meios convergem. Referência não só para games, mas para dois termos hype que publicitários e teóricos adoram: “transmedia” e “storytelling

6) “Rules of Play: Game Design Fundamentals”, Katie Salen e Eric Zimmerman

2 linhas sobre: Uma tentativa de sistematizar a arte de produção de games, referência para quem quer se aventurar na criação e produção de jogos.

7) “Reality Broken: Why Games Make Us and How They Can Change the World” “, Jane McGonigal

2 linhas sobre: O subtítulo do livro já entrega tudo; segundo McGonigal, jogar até 3 horas por dia pode tornar as pessoas melhores e os conceitos aprendidos nos games podem ajudar a mudar o mundo real.

-Conheça o jogo “Find the Future”, criado por Jane McGonigal e jogado na Biblioteca de Nova York

-6 links legais sobre newsgames