Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: Super por apenas 9,90

Arqueologia: 5 das descobertas mais instigantes de 2025

Uma múmia tatuada, uma tumba do Antigo Egito procurada há milênios, um cérebro que virou vidro e mais. Veja a retrospectiva.

Por Bela Lobato, Luiza Lopes
13 jan 2026, 12h00 •
  • Este texto é parte da reportagem “Notícias do Subsolo”, da edição 483 da Super. Confira aqui a versão dos achados de paleontologia.

    Tudo que passa pela Terra deixa vestígios. O tempo e os fenômenos naturais apagam a maioria, é verdade – mas, em condições propícias, ossadas, pegadas e artefatos podem durar milhões de anos. É sobre esses rastros que cientistas dedicados a decifrar o passado se debruçam.

    O foco dos paleontólogos são os fósseis de todo tipo de ser vivo – eles trabalham com uma janela de tempo extensa, desde o surgimento da vida na Terra, há quase 4 bilhões de anos.

    Os arqueólogos, por sua vez, concentram-se em vestígios humanos – que, mesmo quando têm centenas de milhares de anos, ainda são relativamente recentes levando em conta a idade do nosso planeta. Prepare sua máquina do tempo: a seguir, dez das novidades mais antigas do ano que passou.

    Ilustração de fósseis embalados em caixas de presente. Vê-se um crânio humano e outro de dinossauro. Ao redor, vê-se cacho de uvas, garrafas e taças de champanhe.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)
    Chá revelação

    146 mil anos atrás, em contexto

    Onde: Ásia.

    Continua após a publicidade

    Antes: Entre 226 mil anos e 169 mil anos atrás, no platô do Tibete, as marcas de mãos e pés de crianças hominídeas formaram a arte rupestre mais antiga de que se tem notícia (1).

    Depois: Os neandertais foram extintos há 40 mil anos; os denisovanos, há 32 mil. Ambos cruzaram com o Homo sapiens e deixaram marcas em nosso genoma.

    Ilustração, em fundo areia, de um homem pré-histórico erguendo um crânio humano e olhando para ele.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Em 1933, um crânio quase completo foi encontra do em Harbin, na China. Diferente de tudo que se conhecia, em 2019 ele foi descrito oficialmente como uma nova espécie, Homo longi, datada em 146 mil anos. Pela idade e localidade, havia também outra hipótese: de que se tratasse de um denisovano, um hominídeo que habitou a Ásia, e, assim como os neandertais, conviveu e procriou com o Homo sapiens.

    Entretanto, diferentemente dos neandertais, que deixaram fartos registros fósseis, conhecidos há décadas, os denisovanos só foram descobertos em 2010, a partir do DNA de um dedo mindinho encontrado em uma caverna na Rússia. Pelo pouco conhecimento sobre a aparência dos denisovanos, não dava para confirmar ou descartar a hipótese do Homo longi.

    Continua após a publicidade

    Para resolver essa questão, encontrar vestígios de DNA no crânio de Harbin era indispensável – porém, tratando-se de um achado tão antigo, era uma missão quase impossível. Mas um molar sujo sal vou o dia: pesquisadores encontraram matéria orgânica preservada debaixo de uma camada dura de 0,3 mg de tártaro, de onde extraíram DNA mitocondrial (2). Quase simultaneamente, outro estudo isolou 95 proteínas antigas dos ossos do mesmo fóssil (3).

    Os dois estudos confirmaram o match: o tal Homo longi era, na verdade, um denisovano. Os denisovanos tinham cérebros tão grandes como os dos sapiens, mas um rosto mais largo, com sobrancelhas quadradas e proeminentes, narinas amplas, molares grandes (como os de outros primatas ancestrais) e sem queixo projetado como o nosso. Conhecer a aparência deles é um passo importante para encontrar mais pistas sobre esse hominídeo misterioso.

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    A tumba perdida

    3,5 mil anos atrás, em contexto

    Onde: Egito.

    Continua após a publicidade

    Antes: No Levante (região de Israel, Palestina, Líbano, entre outros), surgiam os primeiros alfabetos (1800–1500 a.C.). E a Mesopotâmia (atual Iraque) registrava leis escritas, como o Código de Hamurabi (1750 a.C.).

    Depois: No Egito e em áreas vizinhas, por volta de 1200 a.C., o ferro começou a substituir o bronze, com impactos na agricultura, na guerra e na organização política.

     

    Ilustração, em fundo areia, de uma montanha vermelha com uma porta de acesso.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    O corpo mumificado do faraó Tutmés II, da 18ª Dinastia do Egito Antigo, foi encontrado em 1886, escondido junto a dezenas de outras múmias para despistar saqueadores. O que ninguém sabia, até agora, era onde o rei havia sido original mente enterrado.

    O mistério terminou após anos de escavações em uma tumba conhecida como Wadi C-4, fechada há mais de 3 mil anos. Lá, arqueólogos encontraram inscrições com o nome do faraó e de Hatshepsut, rainha que governou o Egito e era sua esposa e meia-irmã.

    Continua após a publicidade

    A tumba de Tutmés II é a última que faltava da 18ª Dinastia, e preenche lacunas de um reinado pouco documentado. Tutmés II governou por pouco tempo (algo entre 3 e 14 anos, segundo estimativas) e construiu poucos monumentos. Ao longo da História, acabou ofuscado pelo legado de seus xarás, Tutmés I e Tutmés III (que, em comparação, comandou o Egito por mais de 50 anos).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Poder ao povo

    Entre 3 mil e 2,8 mil anos atrás, em contexto
    Onde: Estado de Tabasco, México.

    Antes:Ao sul do atual México, os olmecas constituíam a primeira grande civilização da Mesoamérica; no Mediterrâneo, começavam a se formar as bases da Grécia Antiga; na Ásia, a Dinastia Shang se consolidava.

    Depois: Também no sul do México, os maias criam assentamentos cada vez maiores; no Mediterrâneo, surge a cidade de Roma; no Oriente Médio, Babilônia vive um período de grande influência política e cultural.

    Continua após a publicidade
    Ilustração, em fundo areia, de um nuvem de fumaça saindo de um buraco em forma de cruz.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Arqueólogos identificaram uma construção maia interpretada como um cosmograma, isto é, uma representação da ordem do universo usa da em rituais coletivos. Com 1,5 km de comprimento, 400 m de largura e 15 m de altura, trata-se do maior e mais antigo monumento conhecido na região.

    O sítio arqueológico, chamado Aguada Fénix, reúne uma enorme plataforma de terra com calçadas e canais Fonte 1 alinhados aos pontos cardeais, associados ao nascer do sol em datas do calendário de rituais mesoamericano.

    A ausência de palácios, túmulos de elite ou imagens de governantes indica que a obra foi construída de forma comunitária ao longo de séculos, mostrando que sociedades sem poder centralizado já eram capazes de planejar construções monumentais e transformar a paisagem para suas celebrações (4).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    A múmia tatuada

    Entre 2,6 mil e 2,2 mil anos atrás, em contexto

    Onde: Montanhas Altai, Sibéria, Rússia.

    Antes: 2000 a.C: a Sibéria foi o último lugar a ter mamutes selvagens antes de serem extintos (5).

    Depois: Nos últimos séculos antes de Cristo, as rotas de viajantes em cavalos da região da Sibéria se uniram à Rota da Seda, que conectou culturas e comércios de toda a Ásia e do Mediterrâneo.

    Ilustração, em fundo areia, de uma múmia tatuando o próprio corpo.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    O permafrost, solo congelado das regiões frias, preserva seres vivos. Ao derreter, revela cápsulas do tempo de milhares de anos, como mamutes, bactérias – e a múmia de uma mulher de 50 anos. O cadáver foi encontra do em meados do século 20. Nos anos 2000, o uso de luz infravermelha revelou que sua pele escurecida pelo gelo estava coberta de tatuagens.

    Agora, uma nova técnica revelou detalhes das ilustrações. As mãos e os braços da mulher estão repletos de animais, como tigres caçando veados e uma ave de cauda bufante. Tudo bem mais sofistica do do que as tattoos de outras múmias da região (e da época, no geral).

    Os pesquisadores apontam que as artes nasceram de pigmentos feitos de carvão ou fuligem, várias ferramentas – e muita habilidade especializada. “Alcançar resultados tão nítidos e uniformes com métodos manuais seria um desafio até para tatuadores contemporâneos”, escreveram (6).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Cuidado: frágil

    79 d.C., em contexto

    Onde: Herculano, antiga cidade do Império Romano.

    Antes:Nascia e morria Jesus Cristo, entre cerca de 4 a.C. e 30 d.C. ou 33 d.C., dando origem ao cristianismo e a uma nova era religiosa no Ocidente.

    Depois: Em 117 d.C., o Império Romano atingiu sua maior extensão territorial, do norte da Europa ao Oriente Médio

    Ilustração, em fundo areia, de um grande porta joia com um cérebro humano.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Quando o Vesúvio entrou em erupção, a destruição ocorreu em etapas. No início, uma chuva de detritos vulcânicos soterrou casas, depois, uma nuvem de cinzas e gases extremamente quentes em alta velocidade avançou pelas cidades vizinhas.

    O calor matou as pessoas quase instantaneamente, mas passou rápido demais para destruir os corpos por completo. A súbita contração dos músculos deixou as vítimas rígidas – e seus corpos, cobertos por camadas de cinzas, tiveram a forma preservada mesmo após a decomposição.

    Uma das vítimas foi um homem de uns 20 anos que foi exposto a temperaturas de pelo menos 510 ºC e resfriado imediatamente. O processo teve um efeito que nunca havia sido observado: um pedaço de seu cérebro se transformou em vidro.

    A descoberta impressiona porque é a primeira vez que pesquisadores observam matéria orgânica virar vidro dessa forma. O crânio ajudou a proteger o órgão durante esse processo extremo – e o vidro preservou até estruturas microscópicas do cérebro, como os neurônios (7).

    Fontes (1) artigo “Earliest parietal art: hominin hand and foot traces from the middle Pleistocene of Tibet”; (2) artigo “Denisovan mitochondrial DNA from dental calculus of the >146,000-year-old Harbin cranium”; (3) artigo “The proteome of the late Middle Pleistocene Harbin individual”; (4) artigo “Landscape-wide cosmogram built by the early community of Aguada Fénix in southeastern Mesoamerica”; (5) artigo “Late Quaternary dynamics of Arctic biota from ancient environ-mental genomics”; (6) artigo “High-resolution near-infrared data reveal Pazyryk tattooing methods”; (7) artigo “Unique formation of organic glass from a human brain in the Vesuvius eruption of 79 CE”.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.