Da Europa medieval a partir do século 14, época em que a Peste Negra matou quase 50 milhões de pessoas. A pandemia causou um impacto psicológico e social que se refletiu na arte, que passou a ilustrar a morte de forma mais explícita e recorrente.O esqueleto representa o corpo humano após a decomposição. A foice veio do contexto agrícola medieval: a ferramenta usada para colher grandes plantações de grãos passou a simbolizar a morte “ceifando” vidas. Já a túnica ou manto remete às vestes associadas a funerais e rituais religiosos, reforçando visualmente a ideia de luto.Dois temas artísticos foram centrais para consolidar essa iconografia. Nos afrescos do “Triunfo da Morte”, produzidos sobretudo na Itália a partir do século 14, figuras esqueléticas avançam sobre multidões e matam indiscriminadamente pessoas de todas as classes sociais, enfatizando a inevitabilidade da morte. Já a “Dança Macabra”, difundida a partir do século 15 em murais, cemitérios e manuscritos ilustrados, mostra esqueletos conduzindo vivos – de papas a camponeses – em uma procissão rumo ao túmulo, reforçando a ideia de um destino comum.No Renascimento, artistas juntaram com mais frequência o esqueleto e a foice numa única figura. Essa associação dialogava com Cronos, divindade greco-romana ligada ao tempo e que era representada por uma foice, metáfora para o fim de um ciclo, ideia reaproveitada pela arte cristã para expressar o limite do tempo de vida humano.A representação hoje mais conhecida – um esqueleto encapuzado com um manto escuro e uma foice – se firmou no século 19. Foi nesse período que o preto se consolidou como cor do luto na Europa, tornando-se um código visual amplamente associado à morte.