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5 zoonoses transmitidas por ratos – e como evitá-las

Da Idade Média para cá, os ratos são os piores amigos do homem. Entenda as doenças transmitidas por esses animais

Por Ana Clara Caielli Barreiro 16 Maio 2026, 10h00

Recentemente, um navio de cruzeiro que seguia em direção a Cabo Verde ocupou os holofotes do mundo após um surto de hantavirose a bordo. Até esta sexta-feira, 15 de maio, eram oito casos suspeitos.

A doença é causada pelo hantavírus, transmitido aos humanos pelo contato com urina, saliva e fezes de roedores infectados, animais que, por sua vez, não apresentam sintomas de infecção. A transmissão também pode ocorrer pela inalação de partículas contaminadas suspensas no ar.

Doenças desse tipo são chamadas de zoonoses, pois são transmitidas de animais para seres humanos. Elas podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas. Os vetores variam bastante e incluem mosquitos, carrapatos, morcegos, gatos e, claro, os roedores.

Os séculos de convivência – não muito pacífica, diga-se de passagem – entre ratos e humanos são marcados por diversas doenças. Um dos exemplos mais conhecidos é a Peste Negra, que devastou a Europa na Idade Média. A doença, na verdade, era a peste bubônica, causada pela bactéria Yersinia pestis e transmitida pelas pulgas que parasitavam os ratos.

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), os ratos podem transmitir mais de 35 doenças aos seres humanos. Entre as mais conhecidas estão leptospirose, salmonelose, febre da mordedura do rato, tifo murino e a própria hantavirose.

Na maioria dessas doenças, o mecanismo de transmissão é parecido: contato direto ou indireto com roedores e seus excrementos, que podem contaminar alimentos, água e superfícies. Algumas doenças também podem ser transmitidas por partículas contaminadas presentes no ar ou por vetores associados aos ratos, como as pulgas.

As medidas de prevenção também seguem a mesma lógica. Em geral, o recomendado é reduzir o contato com roedores e evitar condições que favoreçam sua proliferação – algo cada vez mais desafiador com a expansão urbana. É principalmente uma questão de higiene pública e saneamento. 

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Em casa, é importante manter ambientes limpos e ventilados, armazenar alimentos adequadamente e vedar frestas e buracos, já que ratos costumam roer embalagens e acessar estoques de comida.

Confira 5 zoonoses causadas por ratos:

  • Leptospirose

Causada por bactérias do gênero Leptospira, a transmissão ocorre pela ingestão ou contato prolongado da pele lesionada ou mucosas com água, lama e solo contaminados pela urina de ratos infectados. Isso é especialmente comum durante enchentes.

Os sintomas costumam surgir entre sete e 14 dias após o contato e incluem febre, dor muscular, náuseas, vômitos e até mesmo diarreia. Em cerca de 15% dos casos, a doença evolui para formas graves, com insuficiência renal e hemorragias.

O tratamento envolve antibióticos e, em casos mais severos, pode exigir internação. Nas formas graves, a taxa de mortalidade pode chegar a 40%.

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A prevenção inclui controle de roedores, melhorias no saneamento básico e evitar contato com água ou lama de enchentes.

  • Febre da mordedura do rato

Essa zoonose é causada pelas bactérias Streptobacillus moniliformis ou Spirillum minus. Apesar do nome, a transmissão não ocorre apenas por mordidas ou arranhões de ratos. A infecção também pode acontecer pelo contato com saliva, urina e fezes de roedores, além da ingestão de alimentos e bebidas contaminados, especialmente leite não pasteurizado. A doença é mais registrada nos Estados Unidos.

Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, vômitos, dores musculares e aumento dos linfonodos. Em casos de mordidas, pode surgir uma erupção cutânea (pequenos caroços vermelhos) na região afetada.

Sem tratamento, a taxa de mortalidade pode chegar a 10%. O tratamento é feito com antibióticos.

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  • Tifo murino

Também conhecido como tifo endêmico, ele é causado pelas bactérias Rickettsia typhi e Rickettsia mooseri. A transmissão ocorre por meio das pulgas que parasitam ratos. Elas, muitas vezes, também se hospedam em gatos.

Ao picarem humanos, esses insetos liberam fezes contaminadas na pele, permitindo a entrada da bactéria no organismo. Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores no corpo e erupções cutâneas (lesões na pele). O tratamento é realizado com antibióticos, além de medicamentos para aliviar os sintomas.

A doença é mais comum em locais com condições sanitárias precárias e alta infestação de roedores. Já a prevenção envolve controle de roedores e melhorias sanitárias.

  • Salmonelose 
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A salmonelose é causada por bactérias do gênero Salmonella. A transmissão ocorre pela ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes de animais infectados, incluindo aves, vacas, animais domésticos e roedores.

Ela é comumente associada ao consumo de ovos crus e carnes mal cozidas, mas ela não se limita a isso e qualquer alimento contaminado pode transmitir a bactéria.

Os sintomas incluem diarreia, febre, vômitos, dor abdominal, desidratação intensa e calafrios. Eles geralmente aparecem entre 6 e 72 horas após o consumo do alimento e tendem a ser mais intensos em crianças e idosos.

Na maioria dos casos, o tratamento envolve hidratação e repouso, e os antibióticos costumam ser reservados para casos graves.

  • Hantavirose
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Causada pelo hantavírus, a transmissão entre pessoas é rara e foi registrada apenas com a cepa Andes do vírus, vista em alguns países da América do Sul. Não há registros dessa variante no Brasil.

Os primeiros sintomas podem ser confundidos com os de uma gripe, incluindo febre, dores musculares e dor de cabeça. Rapidamente, a doença pode evoluir para um quadro pulmonar grave, com dificuldade respiratória intensa. Nessas situações, a taxa de mortalidade chega a 40%.

Até o momento, não existe um tratamento específico para a hantavirose. O procedimento médico é um suporte, com controle da oxigenação, hidratação e pressão arterial.

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