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Cientistas descobrem dinossauro parente do T-Rex na Inglaterra

O Vectaerovenator inopinatus viveu há 115 milhões de anos e media até 4 metros de comprimento. Os fósseis foram achados por acaso, na praia.

Por Rafael Battaglia - Atualizado em 21 ago 2020, 16h56 - Publicado em 21 ago 2020, 16h50

O Tiranossauro Rex acaba de ganhar um novo “primo”. Recentemente, paleontólogos da Universidade de Southampton, na Inglaterra, anunciaram a descoberta de uma nova espécie de terópode, grupo de dinossauros bípedes ao qual pertencem os T-Rex – e as aves modernas.

Os quatro fósseis foram encontrados na Ilha de Wight, no sul do país, um dos principais lugares da Europa para se encontrar restos de dinos. O animal viveu durante o período Cretáceo, há 115 milhões de anos, e estima-se que media até quatro metros de comprimento.

Os ossos (do pescoço, das costas e da cauda) foram achados em 2019 na praia de Shanklin. O animal foi batizado como Vectaerovenator inopinatus. Mas calma: esse nome difícil ajuda a entendê-lo melhor.

“Vecta” (ou “vectis”) era a palara latina usada pelos romanos para se referir à Ilha de Wight. O “aero” diz respeito às cavidades aéreas dos ossos encontrados, que ajudaram os cientistas a identificar que se tratava de um terópode. Esses “sacos” de ar, também encontrados em pássaros modernos, funcionam como extensões do pulmão, tornando o sistema respiratório mais eficiente e o esqueleto mais leve. Veja uma imagem dos fósseis:

University of Southampton/Reprodução

Já “venator” significa “caçador” em latim, e “inopinatus”, “inesperado” – uma referência à forma como os fósseis foram encontrados.

Caçadores de dinossauros

Os restos do novo dino não foram encontrados de uma única vez, mas sim por três indivíduos distintos – e em dias diferentes.

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O primeiro a achar um fóssil foi Robin Ward, morador de Stratford-upon-Avon (sim, a cidade natal de William Shakespeare), a 200 quilômetros da ilha. Ward tem como hobby caçar fósseis, e estava passeando com a família quando encontrou um dos pedaços do inopinatus. Eles o doaram para o Dinosaur Isle Museum, que percebeu se tratar de um item raro.

James Lockyer, outro caçador de fósseis, foi o segundo a encontrar. Ele logo viu que os ossos eram diferentes de vértebras de répteis marinhos que havia encontrado anteriormente. Já Paul Farrell, o último a achar os vestígios, topou com o fóssil enquanto chutava pedras pela praia.

De acordo com Chris Baker, doutorando da Universidade de Southampton que conduziu o estudo, partes do esqueleto desse animal deviam ser bastante delicadas. “Ficamos impressionados com o quão vazio esse animal era, repleto desses espaços aéreos”, disse em comunicado.

Darren Naish/Reprodução

Os pesquisadores continuarão a estudar os fósseis e caçar novas partes do animal, mas análises preliminares já indicam que os ossos, provavelmente, pertecem a um gênero de dinossauros até então desconhecido pela ciência.

Baker ressalta que o registro de dinossauros terópodes do período médio do Cretáceo na Europa não é grande. O novo animal, então, ajudará os paleontologistas a compreender a diversidade de espécies da região.

A pesquisa será publicada no periódico Papers in Palaentology. Robin, James e Paul, os cidadãos que encontraram os fósseis, serão creditados como coautores.

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