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Como conquistar o coração do seu gato, segundo a ciência

Pesquisas recentes vêm desvendando como se forma o vínculo entre humanos e felinos, e também quais fatores fortalecem ou enfraquecem a relação.

Por Luiza Lopes 17 set 2025, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h26
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Eles têm fama de independentes, temperamentais e até frios, mas a ciência mostra que os gatos não são tão distantes quanto parecem. Pesquisas recentes vêm desvendando como se forma o vínculo entre humanos e felinos, e também quais fatores práticos fortalecem ou enfraquecem a relação.

A neurocientista Laura Elin Pigott, professora da London South Bank University, explica que a chave está na ocitocina, o chamado “hormônio do amor”. A substância, conhecida por aproximar mães e filhos e reforçar laços de amizade, também aparece quando humanos e gatos interagem. “A ocitocina desempenha um papel central na ligação social, na confiança e na regulação do estresse em muitos animais, incluindo os humanos”, escreveu Pigott em um artigo no The Conversation. 

Experimentos já mostraram que esse hormônio aumenta quando pessoas acariciam cães – mas só mais recentemente ficou claro que o mesmo também ocorre na relação com gatos.

Estudos conduzidos no Japão em 2021 observaram que alguns minutos de carinho, com voz suave e toques gentis, foram o suficiente para elevar os níveis de ocitocina na saliva dos participantes humanos. Outro trabalho, em 2002, mostrou que o aumento do hormônio durante interações com felinos também reduzia o cortisol – o hormônio do estresse – ajudando a baixar a pressão arterial e até a dor. 

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Mais recentemente, em fevereiro deste ano, cientistas monitoraram donos e animais em casa e encontraram uma tendência parecida: quando os bichanos iniciam o contato, sentando no colo ou se encostando nos donos, a ocitocina aumentava em ambos.

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Já em situações forçadas, como abraços insistentes, os efeitos eram o oposto. Em gatos ansiosos, a ocitocina chegou a cair após esse tipo de interação. Esses resultados reforçam que, para os felinos, o vínculo depende de respeito ao espaço individual.

Sinais de afeto existem, mas são discretos. O piscar lento, conhecido como “sorriso felino”, indica segurança e confiança. O ronronar não é só terrivelmente fofo: ele também acalmar o animal e, nos humanos, reduz a frequência cardíaca e pressão.

Rabo erguido, batida de cabeça contra a perna ou esfregar o rosto nos donos também são gestos que demonstram reconhecimento e proximidade. Em alguns casos, o gato enrola a cauda na perna do tutor, gesto que especialistas comparam a um “abraço felino”.

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As comparações com cães ajudam a entender as diferenças. Em um experimento de 2016, após dez minutos de brincadeira, cães apresentaram aumento médio de 57% na ocitocina, contra 12% em gatos.

Gato - Um Deus Para Chamar de Seu

capa do livro com um gato em destaque em meio e uma vegetação alta.

A disparidade tem raízes evolutivas. Cães foram domesticados a partir de animais de matilha, programados para a convivência em grupo. Gatos descendem de caçadores solitários, que não precisavam de gestos sociais constantes para sobreviver. Por isso, sua confiança precisa ser conquistada aos poucos.

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Essa conquista passa por escolhas práticas. Um estudo mostrou que interações iniciadas pelo gato tendem a ser mais bem-sucedidas do que as iniciadas pelo dono. Respeitar o tempo do animal, permitir que ele se aproxime primeiro e evitar toques em áreas sensíveis, como a base do rabo, aumentam as chances de criar uma experiência positiva.

Na dúvida sobre onde fazer carinho? O cafuné entre as orelhas ou sob o queixo costuma ser mais bem aceito.

 

Brincadeiras também ajudam. Reservar ao menos duas sessões diárias de dez minutos para interações focadas – sem distrações como celular ou televisão – fortalece a amizade entre humanos e gatinhos. Brinquedos de caça e varinhas, que simulam presas, estimulam comportamentos naturais e reforçam o vínculo. O uso de petiscos é indicado para ampliar a motivação, mas em doses moderadas, para não comprometer a saúde do animal.

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Outro fator importante é a rotina. Gatos são animais de hábitos e podem adoecer quando o ambiente muda de forma brusca. Horários regulares de alimentação, espaços seguros para descanso e esconderijos disponíveis transmitem previsibilidade e segurança. Um gato que se sente confortável no ambiente tende a se aproximar mais dos donos.

Os esconderijos, em especial, são essenciais. Estudos de comportamento mostram que oferecer caixas, tocas ou até espaços elevados para o gato se recolher reduz estresse e aumenta a confiança. Um animal que sabe ter onde se refugiar se sente mais seguro para buscar a companhia dos humanos quando quiser.

Além disso, sinais sutis de comportamento indicam o quanto o gato valoriza a relação. A batida de cabeça contra a perna ou a mão do dono é reservada a indivíduos de confiança. Rolar de barriga para cima demonstra vulnerabilidade, ainda que não seja um convite para carinho nessa região. Já o hábito de lamber a pele ou o cabelo do tutor imita o comportamento de higiene compartilhada observado entre gatos próximos.

No fim, cada gato é diferente. Há animais naturalmente mais reservados e outros que buscam companhia constante. Observar suas preferências – um brinquedo específico, um local favorito da casa, um tipo de carinho – é o caminho mais seguro para entender como fortalecer a relação.

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