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Como o cérebro sabe qual comida te deu intoxicação alimentar? Estudo explica

Um alimento que fez mal pode ficar marcado no seu cérebro, graças a uma reação semelhante ao TEPT.

Por Manuela Mourão 2 abr 2025, 19h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h19
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O organismo demora para perdoar alguns alimentos. Pense naquela maionese que te fez mal em 2015 e que você não consegue nem olhar até hoje. Ou no sushi que você pediu na promoção e que te deu repulsa ao cheiro de peixe cru.

A aversão à comida que te fez mal, não é frescura, e sim uma resposta neurológica. Um time de cientistas descobriu exatamente o “lugar da memória” nos cérebros que é responsável por essa reação. 

“Faz algum tempo que não tenho intoxicação alimentar, mas agora sempre que falo com as pessoas em reuniões e ouço tudo sobre suas experiências de intoxicação alimentar”, disse Christopher Zimmerman, coautor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Neurociência de Princeton (PNI) da Universidade de Princeton, em um comunicado. Quem já passou pela experiência sabe que elas ficam marcadas por um bom tempo.

Em laboratório, Zimmerman e um time de neurocientistas buscaram compreender mais sobre um fenômeno chamado “one-shot learning”, quando o cérebro registra e aprende com um único erro, criando uma memória duradoura. É o que acontece, por exemplo, em casos de transtornos de estresse pós-traumáticos (TEPT). 

A mesma situação é registrada com intoxicações alimentares. Nos casos em que a comida não desceu tão bem, existe um período entre a ingestão do alimento contaminado e o início do mal estar. Esse atraso foi chamado de “atraso da refeição ao mal-estar”.

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No estudo publicado na Nature, os cientistas exploraram os mecanismos cerebrais de ratinhos para entender a aversão aos alimentos enjoativos. No experimento realizado, os animais experimentavam suco de uva de caixinha, uma substância nova para os roedores. 

Os ratos aprenderam que, quando enfiavam a cabeça em um lugar específico da gaiola, eles ganhavam mais gotinhas doces de suco. Meia hora após a descoberta, os animais receberam uma injeção que causou sintomas semelhantes à intoxicação alimentar. Dois dias depois, quando os pesquisadores ofereceram o suco de uva aos ratos novamente, nenhum deles aceitou o líquido roxo, optando pela água normal. 

A associação entre suco e doença acontecia na amígdala central, mesmo canal responsável por aprender sobre medo e outras emoções. Além disso, ela também processa informações do ambiente, incluindo fatores relacionados ao olfato e ao paladar.

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“A amígdala acaba sendo um lugar realmente interessante porque é preferencialmente ativada por sabores novos em cada estágio do aprendizado”, disse Zimmerman. “Ela fica ativa quando o rato está bebendo, quando o rato está se sentindo mal mais tarde, e também quando o rato recupera aquela memória negativa dias depois.”

A equipe investigou também como os sinais de doença do intestino chegam ao cérebro, e identificaram o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP). Estimular essas células 30 minutos após a experiência do suco recriou a mesma aversão à intoxicação alimentar real.

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“Foi como se os ratos estivessem pensando e se lembrando da experiência anterior que os fez sentir mal mais tarde”, disse Ilana Witten, professora de neurociência no PNI, em comunicado.

Para os pesquisadores, os sabores responsáveis pelo mal estar podem marcar algumas células, e quando são especificamente reativadas pela doença, conectam uma causa e efeito, apesar do atraso de tempo. Ou seja, é como se as células marcassem com um grande X a maionese que te fez passar mal.

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