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Conheça 5 cientistas brasileiros que trabalham na Nasa

Missões a Marte. Vulcões nas luas de Saturno. E “minicérebros" na Estação Espacial. Entenda o que pesquisam os brasileiros da agência espacial.

Por Filipe Vilicic 16 jul 2026, 16h00
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A primeira memória que a bióloga brasiliense Aline Martins tem de seu fascínio pelo Universo é de quando tinha uns 14 anos de idade e assistiu a Blade Runner (1982) no cinema.

A cena que mais lhe chamou atenção é também a mais emblemática do filme: as palavras finais do replicante (um tipo de androide) Roy Batty, o antagonista da história. “Eu vi coisa que vocês, humanos, não acreditariam. Naves de ataque em chamas nas encostas de Órion. Eu vi raios-C brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.”

A partir daí, Martins criou uma relação afetiva com a constelação de Órion, que tem o formato de um caçador e cujo cinturão é formado pelas estrelas das Três Marias. Hoje, ela é codiretora de um laboratório que realiza pesquisas avançadas sobre o espaço para a Nasa, a agência espacial norte-americana.

Ela não é nem de longe a única a falar português por lá. Dos 32 cientistas do departamento, em torno de 80% é de brasileiros; dos dez que trabalham com os projetos espaciais, nove nasceram aqui.

Artemis III: como será a próxima missão lunar, prevista para 2027?

Martins começou a se envolver com estudos sobre o cosmos em 2022, quando conheceu o neurocientista paulista Alysson Muotri em San Diego, na Califórnia (EUA). Ambos colaboravam com o químico norte-americano John Yates, referência em proteômica (estudo em larga escala do conjunto de proteínas de determinado organismo) e nome-chave do The Scripps Research Institute, onde Aline trabalhava.

A aproximação levou Martins e Muotri a colaborar em outra pesquisa: uma avaliação de amostras de material celular que havia sido enviado para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês). O trabalho analisou como o ambiente espacial reativa pedaços adormecidos do DNA, afetando a neurobiologia dos astronautas – o que pode levar ao envelhecimento mais acelerado das células neurais.

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“Todos os nossos experimentos espaciais têm o mesmo objetivo: entender o impacto do espaço no cérebro humano e aplicar esse conhecimento para o tratamento de condições neurológicas aqui na Terra”, explica Alysson Muotri à Super. “Dentre nossos projetos, destaco os que estudam mecanismos de envelhecimento acelerado; formas de proteção contra radiação; busca por neuroprotetores; procura por novos materiais para criar interfaces cérebro-máquina; e criação de modelagens de condições neurológicas como Alzheimer, autismo, Parkinson e demência.”

Em 2024, Aline Martins foi convidada por Muotri para ser codiretora, ao lado dele próprio, do laboratório da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), onde realizam as pesquisas. Ao chegar à sua nova sala, surpreendeu-se com o nome dado ao espaço, estampado em uma plaquinha na porta: “Órion”. Lisonjeada, disse: “Pertenço a este lugar”.

Mulher loira sorrindo, em duas versões: uma colorida em um módulo espacial e outra em preto e branco com fundo azul e formas geométricas.
(Muotri Lab/UC San Diego; arquivo pessoal; Nasa; Space Tango e Getty Images./Montagem sobre reprodução)

Aline Martins

Bióloga brasiliense, 49 anos. Codiretora do laboratório, é responsável pelas tecnologias dos experimentos embarcados para o espaço e por certas análises dos minicérebros que voltam da ISS. “Os americanos têm visto os brasileiros como um tempero que faltava nas pesquisas.”

O lab que fala português

Aline Martins se sentiu em um pedacinho de sua terra natal no meio de San Diego, cidade praiana da Califórnia famosa também por abrigar o zoológico mais visitado dos Estados Unidos. O único membro não brasileiro dos dez cientistas que trabalham na equipe é o técnico responsável pelo principal instrumento do laboratório, o espectrômetro de massa batizado de Artemis (Martins gosta de ressaltar: antes do novo projeto lunar da Nasa também assim ser nomeado).

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A neurocientista fluminense Luisa Coelho é uma das mais novas da equipe, com 27 anos de idade – Alysson Muotri tem 51; Aline Martins, 49. Ela está envolvida com o projeto desde sua incubação, há sete anos. Integra o primeiro time de Muotri dedicado aos estudos espaciais.

Coelho entrou para a equipe quando estava no mestrado na UCSD.

“Minha avó, no Brasil, viu uma reportagem sobre o Allyson na TV e me enviou, pois viu que ele era professor na mesma universidade”, diz a cientista.

Alysson costuma virar notícia por suas pesquisas. A tal matéria na TV, de 2019, falava sobre como ele havia simulado características de neandertais em organoides que ele chama de “minicérebros” (recriações minúsculas de redes neurais que emulam o desenvolvimento cerebral). Coelho enviou um e-mail para o conterrâneo, professor da universidade: “Por favor, deixa eu conversar com você. Achei incrível o seu trabalho”. Começou como estagiária e, hoje, é especialista de missão, com foco em estudar sistemas imunes do cérebro.

Luisa lembra que, em sua primeira conversa com Alysson, comentou que a ciência espacial a empolgava por ter de “repensar tudo que se sabe sobre biologia e física, recomeçar do zero”. “Como será que tudo acontece sem a gravidade?”, refletiu. Muotri respondeu: “Ótimo! A gente tá precisando de gente para pensar de maneiras diferentes”.

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Colagem com mulher sorrindo, cérebro, mãos com luvas segurando um objeto e fundo abstrato. A mulher, em preto e branco, usa óculos redondos e blusa preta. O cérebro, em tons de cinza com parte azul, tem um círculo branco ao redor. As mãos com luvas azuis seguram um objeto retangular cinza com um adesivo. O fundo é laranja, cinza e azul com estrelas.
(Muotri Lab/UC San Diego; arquivo pessoal; Nasa; Space Tango e Getty Images./Montagem sobre reprodução)

Luisa Coelho

Neurocientista fluminense, 27 anos. Iniciou como estagiária no time e, hoje, é especialista de missão, com foco em estudar sistemas imunes do cérebro. “O espaço nos dá a chance de ‘começar do zero’ na ciência. Como fica a biologia e a física em um ambiente sem gravidade?”

Formado em ciências biológicas pela Unicamp, com doutorado pela USP, Muotri se mudou para os EUA em 2002 para um pós-doutorado. Desde então, fez carreira por lá. Ele tem estudos pioneiros, como o que, em 2016, descobriu a relação do vírus da Zika circulando no Brasil com casos de microcefalia.

Em 2018, ele e colegas fundaram uma nova linha de estudos, a “neuroarqueologia”, com a criação dos minicérebros dos neandertais (espécie de hominídeo extinta há 40 mil anos). Os estudos de seu laboratório abrangem múltiplas frentes, que vão de tratamentos para o autismo e o Alzheimer a pesquisas espaciais.

O envolvimento de Muotri com o espaço começou em 2016, após uma análise de experimentos realizados com astronautas que passaram longos períodos na ISS. Em sua conclusão, havia diversos indícios de que, lá em cima, as células das pessoas envelhecem mais rápido.

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A Nasa achava que esse efeito era temporário, mas Alysson desconfiava de que era permanente. O neurocientista diz ter mandado e-mails com esse alerta à agência norte-americana, porém não lhe deram crédito. Tomou, então, uma decisão ousada: hipotecou a casa para financiar o envio de um experimento com minicérebros para o espaço, a bordo de um foguete de uma empresa privada dos EUA, em 2019. Os resultados deram força à sua hipótese.

Desde então, a Nasa passou a lhe dar atenção e a financiar suas pesquisas. Muotri calcula que, nos últimos sete anos, o seu laboratório mandou, sozinho, nove experimentos para a ISS, além de ter participado de outros 18 envios em parceria com outro departamento da universidade. “Somos o grupo que mais executou experimentos biológicos na ISS no mundo”, diz.

“No último, mantivemos os organoides cerebrais vivos por seis meses. É o experimento biológico mais longo já feito na Estação.”

Dentre os projetos em que está envolvido hoje, há a possibilidade aventada desde 2023 de ele próprio embarcar em um foguete para o espaço para realizar experimentos in loco na ISS, como astronauta da Nasa. O cientista também diz que está em curso um projeto que envolve experimentos lunares e a empresa SpaceX. Mais do que isso, contudo, ele afirma não poder contar – nem em inglês, nem em português.

Homem de meia-idade, cabelo escuro e camisa preta, sorrindo para a câmera. Ao fundo, um crânio humano e elementos gráficos em laranja, cinza e azul com estrelas, sugerindo ciência e espaço.

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Alysson Muotri

Neurocientista paulista, 51 anos. O laboratório que criou em San Diego mandou 9 experimentos para a Estação Espacial, além de outros 18 em parcerias. Dentre os projetos em que está envolvido, há a possibilidade de ele próprio virar astronauta para realizar testes no espaço.

Veteranos da Nasa

Proporcionalmente, o Muotri Lab é o mais brasileiro dos centros de pesquisa que hoje trabalham com a Nasa nos EUA. Porém, há outro ainda mais associado à presença de cientistas brazucas.

Desde 1989, a geologista planetária e vulcanista fluminense Rosaly Lopes bate ponto no Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a Jato), o JPL, na Califórnia. Trata-se de um tradicional centro de pesquisa da própria Nasa, fundado em 1936. O laboratório de Muotri é diferente: um departamento da UCSD que recebe financiamento da agência espacial. Para ilustrar, o e-mail de Muotri é @ucsd; o de Rosaly Lopes, @nasa.

Em 1991, Lopes se tornou membro do Projeto Galileo, sonda espacial que estudou Júpiter e suas luas. Ela foi responsável por observar a lua vulcânica Io entre 1996 e 2001, o que a levou à descoberta de 71 vulcões ativos, feito que em 2006 lhe rendeu o recorde do Guinness de descobridora do maior número de vulcões ativos em qualquer lugar.

Depois, Lopes trabalhou na missão Cassini para Saturno, e até hoje estuda vulcões na lua Titã, a maior do sexto planeta do Sistema Solar. Uma curiosidade: os vulcões de Titã são bem diferentes do usual, pois, em vez de soltar lava, ejetam gelo e, por isso, são chamados de criovulcões.

“Uma das coisas que eu gosto daqui é que tem muita gente que nasceu em outro lugar e veio para cá”, nos conta a pesquisadora. O JPL é o único centro de pesquisas da própria Nasa nos quais os empregados não precisam ser funcionários públicos e cidadãos dos EUA. “Mas brasileiros até que não temos tantos assim, se compararmos com franceses ou italianos, por exemplo.”

Quando entrou na Nasa, na virada dos anos 1980 para os 1990, Rosaly não conhecia outros brasileiros no laboratório. Com o tempo, conterrâneos começaram a aparecer.“A maioria vem, passa um tempo aqui, e depois volta, vai para outro lugar”, diz a cientista, hoje aos 69 anos de idade. “Tem sempre entre meia dúzia e uma dúzia aqui.” Não é um número grande – o JPL tem mais de 4 mil funcionários.

Colagem com mulher sorrindo, cabelo loiro e blusa cinza, sobre fundo laranja. Ao redor, imagens de um vulcão, um planeta, um satélite e um planeta com anéis, em tons de azul, cinza e laranja.
(Jet Propulsion Laboratory; Nasa/JPL e Getty Images/Montagem sobre reprodução)
Rosaly Lopes

Geologista planetária e vulcanista fluminense, 69 anos. Desde 1989 bate ponto no JPL, laboratório da Nasa na Califórnia. Descobriu 71 vulcões em uma lua de Júpiter, o que lhe rendeu o recorde do Guinness de descobridora do maior número de vulcões ativos em qualquer lugar.

Pelo JPL já passaram nomes como: Ramon De Paula, engenheiro paulista que chefiou a missão da sonda Phoenix a Marte e que em 2025 se aposentou da agência espacial; Ivair Gontijo, engenheiro mineiro que em 2018 lançou o livro A Caminho de Marte, no qual conta sua trajetória da infância numa área rural de Minas Gerais ao seu envolvimento na missão Curiosity, da sonda de mesmo nome em Marte; e Jacqueline Lyra, engenheira aeroespacial fluminense que trabalha com controle térmico de sondas e também participou de missões em Marte (Spirit, Opportunity e Curiosity).

Para um cientista colaborar na Nasa, porém, não é preciso ser diretamente contratado pela agência. O JPL, por exemplo, realiza parcerias com outras universidades para trazer mais cérebros para os estudos sobre o cosmos.

Foi assim que o cientista planetário paulista Nilton Rennó começou a trabalhar com sondas enviadas a Marte em 2007, ao lado de colegas conterrâneos como De Paula. Professor da Universidade de Michigan, em sua colaboração nas pesquisas da sonda Phoenix, Rennó liderou os estudos que levaram à descoberta de que há água líquida no subsolo de Marte, em 2008.

“Durante o doutorado, já estava interessado em ciências planetárias, comparando a atmosfera da Terra com a de Vênus e Marte. No pós-doutorado, estudei Júpiter e me liguei ao JPL”, diz Rennó.

Quando foi contratado como professor na Universidade do Arizona, oeste dos EUA, o brasileiro começou a comparar o clima desértico desse pedaço do país com o de Marte, o que o levou a pensar sobre os redemoinhos gigantes de poeira que assolam o solo marciano. Com dois alunos da graduação, desenvolveu uma teoria matemática para explicar esses vórtices gigantes e a aplicou para estudar missões da Nasa em Marte. Essa linha de pesquisas foi o que o levou a se envolver com a exploração de sondas na superfície do Planeta Vermelho.

Colagem com um homem careca sorrindo, de óculos e braços cruzados, sobre um fundo azul. À esquerda, um planeta cinza-avermelhado. À direita, um robô espacial com painéis solares e, abaixo, mãos manipulando fios elétricos, com gotas azuis e círculos brancos decorativos.
(Jeremy Little/Michigan Engineering, Communications & Marketing; Wikimedia Commons e Getty Images/Montagem sobre reprodução)
Nilton Rennó

Cientista planetário paulista, 66 anos. Colabora sobretudo em projetos de Marte: com a sonda Phoenix, liderou os estudos que levaram à descoberta de que há água líquida no subsolo do planeta. “O Brasil forma muitos cientistas bons, que criaram uma comunidade sólida por aqui.”

Rennó vê com bons olhos a receptividade de brasileiros e outros estrangeiros pela Nasa.

“As oportunidades na área espacial são raras e os projetos são muito caros para serem financiados. Os EUA são os que têm mais oportunidades e até há pouco tempo eram bem abertos para o pessoal de outros países. Com a administração atual [do governo Trump], está diminuindo um pouco a atração. Mas o Brasil forma muitos cientistas bons, que criaram uma comunidade sólida por aqui.”

Rosaly Lopes afirma que seria impossível realizar pesquisas como a dela se ela tivesse permanecido em nosso País. “Queria trabalhar em missões espaciais, e essa possibilidade não existia no Brasil”, conta ela, que começou a traçar seus planos espaciais nos anos 1980.

Foi quando decidiu estudar ciências planetárias na Universidade College London, na Inglaterra, onde concluiu também o doutorado. “Optei por Londres porque lá naquela época era mais barato de viver do que nos Estados Unidos.” Rosaly depois realizou o pós-doutorado em um programa da Nasa e seguiu carreira no JPL.

O êxodo

Este repórter detectou mais de duas dezenas de cientistas brasileiros envolvidos em missões da Nasa nos EUA. Não há números oficiais de quantos pesquisadores de uma determinada nacionalidade trabalham na agência, mas os próprios brasileiros entrevistados para esta matéria estimam algo próximo dessa contagem.

Pode não parecer tanto, porém para um país que não é protagonista na exploração espacial, como o Brasil, é um número que representa uma saída significativa de cérebros. A Agência Espacial Brasileira (AEB) admite esse problema. “Muitas vezes, o atraso acaba resultando em frustração e fuga de cérebros”, disse à Super Rogério Luiz Veríssimo Cruz, diretor de Governança do Setor Espacial do órgão.

Marco Antonio Chamon, presidente da AEB, acrescenta outro motivo para os cientistas brasileiros que querem trabalhar com o espaço procurarem por oportunidades nos EUA. “É preciso lembrar que a proposta do Programa Espacial Brasileiro não é a corrida espacial, não é a participação na Lua. Sempre foi a observação da Terra pelo lado das comunicações, das telecomunicações, da meteorologia”, diz. “O Programa Espacial Brasileiro trabalha olhando para baixo, para a Terra.”

Será então que, para quem quer olhar para cima e explorar o infinito e além, o recomendado é se mudar de país? No Brasil, há oportunidades para trabalhar com o espaço, mas são poucas – e as mais ambiciosas têm também conexões com a Nasa.

É o caso do Space Farming, projeto da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) para produzir alimentos espaciais capazes de suprir futuros astronautas. Trata-se de uma colaboração brasileira no programa Artemis, da agência dos EUA, o mesmo da Artemis 2, a primeira missão tripulada à Lua neste século.

Nilton Rennó, da Universidade de Michigan, conta que atualmente está envolvido em uma aventura conjunta com o brasileiro Instituto Tecnológico de Aeronáutica, o ITA.

“Uma proposta de exploração lunar que começou com a Nasa e inclui um lander (uma nave que pousa no solo), um rover (robô explorador) e um satélite orbital, sendo que o ITA está desenvolvendo um instrumento central”, comenta, sem se prolongar em mais detalhes, por ser uma missão em estágios iniciais.

Um dos principais atrativos da Nasa é o montante que a agência do governo dos EUA destina às pesquisas e à exploração espacial, que é cerca de 890 vezes o orçamento da Agência Espacial Brasileira. Enquanto os norte-americanos contam com investimentos governamentais no patamar dos US$ 24 bilhões programados para este ano de 2026, o Brasil tem R$ 139 milhões (US$ 27,7 milhões). A agência espacial da China, em comparação, tem um orçamento anual de cerca de US$ 14 bilhões. O programa da Índia é mais modesto, mas superior ao nosso: US$ 1,5 bi.

Para Alysson Muotri, “o Brasil investe muito menos em ciência, tecnologia e inovação do que países líderes, especialmente em projetos de alto risco e longo prazo”.

“A ciência disruptiva, aquela que envolve alto risco, mas também potencial de alto impacto, requer um ecossistema que combine financiamento consistente, infraestrutura avançada e tolerância ao fracasso como parte natural do processo científico”, diz, ao ser perguntado sobre por que cientistas como ele, nascidos aqui e formados em universidades brasileiras, preferem ir trabalhar nos EUA.

Na ciência, quem quer pensar tão alto quanto o espaço e mirar metas ambiciosas como fazer experimentos na Lua, muitas vezes nem sequer encontra um caminho possível no nosso país. Essa é também uma das razões para observarmos o êxodo de pesquisadores espaciais brasileiros, ainda mais neste momento da História, em que os EUA voltam a protagonizar uma corrida espacial, desta vez com a China. Então é natural que lá encontrem refúgio alguns dos nossos mais destacados cérebros científicos. Sorte da Nasa.

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