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Fóssil de hominídeo de 140 mil anos é encontrado no fundo do mar

Fragmentos de um Homo erectus achados durante uma operação de dragagem na costa da Indonésia revelam passado da dispersão dos nossos ancestrais pelo globo.

Por Bela Lobato
23 Maio 2025, 18h05 • Atualizado em 23 Maio 2025, 19h31
  • Era para ser uma operação de dragagem cotidiana no Estreito de Madura, na costa de Java, na Indonésia. Entretanto, uma coleta de materiais do leito marítimo revelou mais de 6 mil fósseis de 36 espécies de vertebrados, inclusive um fragmento de crânio de um hominídeo que viveu há 140 mil anos. 

    Nessa época, a Terra passava pelo seu penúltimo período glacial, e a água armazenada em calotas de gelo fez o nível global do mar ficar 100 metros abaixo do atual. A região onde hoje fica a Indonésia era uma grande planície, e o horizonte era entrecortado por algumas cadeias de montanhas.

    Hoje, as planícies estão alagadas, e as montanhas que eram altas o suficiente para ficar acima da linha da água se tornaram as ilhas dos vastos arquipélagos dos Sudeste Asiático.

    Essa região, conhecida como Sondalândia, abrigou no passado um ecossistema semelhante ao da atual savana africana: uma pastagem seca, com trechos de florestas mais úmidas ao redor dos rios e uma rica fauna. Havia espécies como elefantes, bovinos, rinocerontes, dragões de Komodo, hipopótamos e crocodilos. 

    Não é a primeira vez que restos fósseis de Homo erectus, prováveis ancestrais do sapiens, são encontrados na região. Entretanto, o novo achado aponta que a espécie se dispersou pelas planícies da Sondalândia em períodos de nível do mar mais baixo, e não passou tanto tempo isolada em ilhas como se imaginava.

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    Os achados foram publicados na semana passada em quatro artigos diferentes na revista científica Journal of Quaternary Environments and Humans. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, em colaboração com uma equipe de especialistas da Indonésia, Austrália, Alemanha e Japão.

    Segundo eles, as evidências sugerem que os Homo erectus teriam se dispersado ao longo dos principais rios da região.

    “Aqui eles tinham água, mariscos, peixes, plantas comestíveis, sementes e frutas durante todo o ano”, disse, em comunicado, o arqueólogo Harold Berghuis, que coordenou as pesquisas. “Já sabíamos que o Homo erectus coletava conchas dos rios. Entre nossas novas descobertas estão marcas de cortes nos ossos de tartarugas aquáticas e um grande número de ossos quebrados de bovinos, que indicam a caça e o consumo de medula óssea.”

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    Essas peculiaridades da dieta não são meros detalhes: esse tipo de comportamento nunca havia sido encontrado em Homo erectus, mas sim em espécies mais modernas de hominídeos do continente asiático. 

    “O Homo erectus pode ter copiado essa prática dessas populações. Isso sugere que pode ter havido contato entre esses grupos de hominídeos, ou até mesmo intercâmbio genético”, disse Berghuis.

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    O H. erectus é uma parte importante de nossa história evolutiva. Esses hominídeos surgiram há pelo menos 2 milhões de anos, e foram os primeiros a desenvolverem proporções corporais semelhantes às nossas. Além disso, eles também foram os primeiros hominídeos a migrar para fora da África.

    Ao longo de centenas de milhares de anos, linhagens dessa espécie se diferenciaram em vários outros hominídeos mais recentes, como o Homo floresiensis, os neandertais e os denisovanos

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